Repressão no porto - Sindicato dos estivadores de Santos aciona corregedoria da PMCrédito: Arquivo sindicato
Tabloide que a entidade distribuirá a partir desta sexta-feira no porto de Santos

O presidente do sindicato dos estivadores de Santos e região protocolou ofício na corregedoria da polícia militar paulista, na manhã do dia 16, questionando as agressões aos portuários, no dia anterior (4-feira, 15), diante do terminal BTP.

Rodnei Oliveira da Silva ‘Nei’ reclama no documento que o batalhão de ações especial (Baep) praticou “abuso de poder” e “força excessiva que viola direitos constitucionais dos cidadãos”.

Para ele, os estivadores e demais portuários “foram alvejados covardemente, quando exerciam o direito constitucional de greve e de livre manifestação do pensamento”.

“O pessoal foi acuado, agredido física, psicológica e moralmente por quem tem a premissa de justamente proteger o cidadão”, diz o sindicalista, em documento dirigido à comunidade santista.

“O comandante do Baep precisa entender que, desde 1988, a constituição federal garante a manifestação das ideias e o livre exercício do democrático direito de greve”, diz a nota.

“Sua atitude demonstra total despreparo para o desempenho de suas funções.

Com força desmedida, atacou um movimento legítimo, colocando em risco a vida das pessoas”, prossegue o documento.
“O fato remonta aos tempos sombrios da ditadura, quando eram proibidas as manifestações e quando os atos contrários aos interesses do poder eram resolvidos com força bruta”.

Nei espera que a atitude do comandante do Baep “não se repita”. E reafirma que o sindicato tomará as medidas judiciais cabíveis “visando a proteção da vida dos trabalhadores”.

Baep no BTP

Estado e polícia a serviço do capital, contra os trabalhadores

‘Reforma previdenciária e trabalhista atende interesses do capital, com apoio de uma polícia despreparada e violenta’, diz líder dos estivadores’

“Quando se diz que o país vive numa ditadura, muito acham exagero. Mas a repressão policial sobre os estivadores e demais portuários, nesta quarta-feira (15), mostra que de fato vivemos numa ditadura”, diz o presidente do sindicato.

Para Rodnei, “os tiros de balas de borracha e as bombas de gás lacrimogêneo atiradas sobre os trabalhadores, pelo batalhão de ações especial (Baep) da polícia militar, comprovam que o país não vive uma democracia plena”.

“Pior ainda”, diz ele, “mostram uma polícia a serviço do capital. O violento e injustificável episódio aconteceu diante do Brasil Terminal Portuário (BTP), onde a categoria protestava contra a reforma previdenciária e trabalhista.”

“A serviço de quem está o governo, que fez o projeto de reforma para beneficiar o sistema financeiro e seus planos de previdência privada?”, pergunta Nei. E responde: “Do capital. E a repressão da polícia?
A mando do capital”.

“Isso quer dizer que o estado brasileiro e a polícia, pagos com o dinheiro do contribuinte, principalmente dos trabalhadores, opera justamente contra os trabalhadores. E protegem o capital que sonega tributos”, pondera Segundo ele, o sindicato estuda maneira de responsabilizar o estado paulista e sua polícia militar pela desmedida repressão policial sobre a manifestação pacífica e democrática dos portuários. “Por enquanto, fica aqui registrado o protesto”, diz o sindicalista.

Para ele, o movimento contra a reforma previdenciária e trabalhista foi um sucesso em Santos, capital paulista e em várias cidades Brasil afora: “Foi apenas um preparativo para a greve geral que será inevitável caso o congresso aprove as medidas insanas do governo federal”, finaliza Nei.