Divulgação
Emprego industrial cai pelo 3º mês seguido e fecha julho 0,8% menor que no mesmo mês de 2012. Retração do mercado de trabalho em julho atingiu 12 dos 14 locais e 12 dos 18 setores investigados pelo IBGE.

Conforme o jornal Folha de S. Paulo, a estratégia do governo de abrir mão de arrecadação e desonerar a folha de pagamento de setores que empregam muito ou de setores considerados estratégicos para o crescimento da economia para estimular contratações não está funcionando.


“No processo de desoneração, o governo deveria ter cobrado das empresas  contrapartidas sociais, entre elas, o fim da rotatividade de mão de obra porque até agora, somente os empresários lucraram com a medida”, diz João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical.


Segmentos chamados intensivos em mão de obra (como vestuário, madeira, calçados e têxtil, que geram proporcionalmente mais vagas) lideram as dispensas na indústria nos últimos 12 meses, apontam dados do IBGE divulgados ontem.

 
Esses setores foram autorizados pelo governo a contribuir com 1% da receita, no lugar de encargos trabalhistas.

À lista somam-se as áreas de máquinas e equipamentos (bens de capital), meios de transporte (que incluem ramos com desoneração da folha, como indústria aeronáutica e naval) e veículos, beneficiados com a redução do IPI.


Para Rogério Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os números mostram que, mesmo em setores alvo de estímulos tributários, o emprego recuou.


"Em muitos deles, o número de ocupados vem apresentando forte retração neste ano. O que era esperado pelo governo [aumento das contratações] não ocorreu."


Segundo ele, uma hipótese é que os incentivos fiscais tenham só evitado mais demissões dos ramos intensivos em mão de obra, que sofrem com concorrência externa.


Segundo Souza, a evolução negativa do emprego industrial "deixa clara a instabilidade vivida pelo setor no país" e não há perspectiva de melhora nos próximos meses.


A retração em julho foi generalizada e atingiu 12 dos 14 locais e 12 dos 18 setores investigados pelo IBGE.


"As expectativas do empresariado não são as melhores, o que se reflete na não contratação ou nos desligamentos em diferentes segmentos", diz Souza.
Diante desse cenário, o emprego na indústria como um todo caiu 0,2% de junho para julho, terceiro recuo mensal seguido. Já na comparação com julho de 2012, a retração de 0,8% foi a 22ª perda consecutiva --ou seja, já são quase dois anos de demissões no setor.


O emprego industrial até esboçou uma reação no segundo trimestre na esteira da melhora da produção. Mas, como a retomada não se sustentou, o mercado de trabalho voltou a se deteriorar.

Para Fernando Abritta, técnico do IBGE, a piora do emprego na indústria acompanha o menor ritmo da produção em junho e julho, com menor consumo das famílias e inflação elevada.

Outro entrave à expansão das contratações e do aumento da produção, diz, é a baixa confiança de empresários em relação ao futuro da economia, além de estoques elevados em muitos setores e juros mais altos.

Horas extras podem apontar para nova piora

Um sinal preocupante, de acordo com analistas, é a redução das horas extras. Em julho, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria teve recuo 0,3% ante junho, na terceira taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 1,5%.


Na visão de Fernando Abritta, do IBGE, o fato de as horas pagas estarem em retração mais forte do que o emprego pode apontar para demissões nos próximos meses: os empregadores cortam primeiro a jornada e as horas extras antes de demitirem.

Uma esperança, afirma Rogério Souza, do Iedi, é o câmbio, que pode ajudar a indústria a ganhar mercados no exterior.

 

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Emprego industrial cai pelo 3º mês seguido e fecha julho 0,8% menor que no mesmo mês de 2012. Retração do mercado de trabalho em julho atingiu 12 dos 14 locais e 12 dos 18 setores investigados pelo IBGE.

Conforme o jornal Folha de S. Paulo, a estratégia do governo de abrir mão de arrecadação e desonerar a folha de pagamento de setores que empregam muito ou de setores considerados estratégicos para o crescimento da economia para estimular contratações não está funcionando.


“No processo de desoneração, o governo deveria ter cobrado das empresas  contrapartidas sociais, entre elas, o fim da rotatividade de mão de obra porque até agora, somente os empresários lucraram com a medida”, diz João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical.


Segmentos chamados intensivos em mão de obra (como vestuário, madeira, calçados e têxtil, que geram proporcionalmente mais vagas) lideram as dispensas na indústria nos últimos 12 meses, apontam dados do IBGE divulgados ontem.

 
Esses setores foram autorizados pelo governo a contribuir com 1% da receita, no lugar de encargos trabalhistas.

À lista somam-se as áreas de máquinas e equipamentos (bens de capital), meios de transporte (que incluem ramos com desoneração da folha, como indústria aeronáutica e naval) e veículos, beneficiados com a redução do IPI.


Para Rogério Souza, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os números mostram que, mesmo em setores alvo de estímulos tributários, o emprego recuou.


"Em muitos deles, o número de ocupados vem apresentando forte retração neste ano. O que era esperado pelo governo [aumento das contratações] não ocorreu."


Segundo ele, uma hipótese é que os incentivos fiscais tenham só evitado mais demissões dos ramos intensivos em mão de obra, que sofrem com concorrência externa.


Segundo Souza, a evolução negativa do emprego industrial "deixa clara a instabilidade vivida pelo setor no país" e não há perspectiva de melhora nos próximos meses.


A retração em julho foi generalizada e atingiu 12 dos 14 locais e 12 dos 18 setores investigados pelo IBGE.


"As expectativas do empresariado não são as melhores, o que se reflete na não contratação ou nos desligamentos em diferentes segmentos", diz Souza.
Diante desse cenário, o emprego na indústria como um todo caiu 0,2% de junho para julho, terceiro recuo mensal seguido. Já na comparação com julho de 2012, a retração de 0,8% foi a 22ª perda consecutiva --ou seja, já são quase dois anos de demissões no setor.


O emprego industrial até esboçou uma reação no segundo trimestre na esteira da melhora da produção. Mas, como a retomada não se sustentou, o mercado de trabalho voltou a se deteriorar.

Para Fernando Abritta, técnico do IBGE, a piora do emprego na indústria acompanha o menor ritmo da produção em junho e julho, com menor consumo das famílias e inflação elevada.

Outro entrave à expansão das contratações e do aumento da produção, diz, é a baixa confiança de empresários em relação ao futuro da economia, além de estoques elevados em muitos setores e juros mais altos.

Horas extras podem apontar para nova piora

Um sinal preocupante, de acordo com analistas, é a redução das horas extras. Em julho, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria teve recuo 0,3% ante junho, na terceira taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 1,5%.


Na visão de Fernando Abritta, do IBGE, o fato de as horas pagas estarem em retração mais forte do que o emprego pode apontar para demissões nos próximos meses: os empregadores cortam primeiro a jornada e as horas extras antes de demitirem.

Uma esperança, afirma Rogério Souza, do Iedi, é o câmbio, que pode ajudar a indústria a ganhar mercados no exterior.