A inflação baixa e a economia ainda parada abrem espaço para que alguns economistas comecem a levantar a possibilidade de um novo corte da taxa básica de juros, a Selic. Por trás do questionamento, estão os fundamentos de uma atividade persistentemente fraca e a dúvida de onde seria o patamar do juro neutro, aquele que proporciona o máximo de crescimento sem gerar pressão inflacionária.
Banco Central em BrasíliaCrédito: Divulgação

A questão foi discutida ontem em São Paulo em um dos encontros trimestrais entre dirigentes do Banco Central e economistas, que servem de embasamento para a autoridade monetária formular o relatório trimestral de inflação. Um grupo reduzido de analistas defendeu a possibilidade de corte da taxa básica de juros em algum momento de 2019, com a visão de que a economia precisa de um estímulo adicional. A maioria dos profissionais aponta, entretanto, que é cedo para mexer na política monetária e a taxa básica deve ficar estacionada por algum tempo no nível atual de 6,5%.

"O juro básico está rodando muito baixo e a economia não reage, dando elementos para acreditar que o juro neutro seria menor do que acreditamos. E isso abre espaço para novos cortes de juros", diz uma fonte que participou do encontro. Outro profissional confirma a leitura e diz que atualmente a principal dúvida não é mais quando sobe, mas a possibilidade de cair.

Os índices de preço continuam surpreendendo para baixo publicação após publicação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de novembro, por exemplo, desacelerou para 0,19%, conforme a divulgação da semana passada. Foi o menor resultado para o mês desde 2003 e ficou abaixo da expectativa do mercado, de 0,23%. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de novembro, divulgado ontem, veio com deflação de 0,49%.

Mas a visão de corte da Selic não é um consenso e muitos acreditam que talvez não valha a pena assumir o risco de aceleração na inflação caso aumente o prêmio de risco no câmbio em decorrência de algum fator global ou local. Numa das reuniões em São Paulo, a maior parte dos profissionais já considera difícil que o BC faça alguma elevação na taxa em 2019. "Apesar de esperar recuperação da economia em 2019, o hiato do produto está muito aberto e, por isso, o cenário de inflação vai continuar favorável. O BC deve manter a taxa de juros estável por muito tempo."

Enquanto os representantes de bancos e corretoras questionaram se ainda é o momento de manter estímulos monetários no Brasil ou mesmo de alterá-los, o BC não deu indicativos sobre isso, de acordo com os relatos. Para um interlocutor, a posição da autoridade monetária ainda é de expectativas ancoradas para a inflação, conforme tem se observado em comunicações oficiais, "mas com muito pé no chão e com certa cautela". "É em linha com o que o BC já vem demonstrando atualmente, técnico e atento", diz.

Do lado do BC quem participa dos encontros são os diretores Tiago Berriel (Assuntos Internacionais) e Carlos Viana (Política Econômica), que não teriam dado ontem nenhum sinal nem feito qualquer colocação sobre política monetária. Foram dois encontros em São Paulo, um pela manhã e outro no período da tarde. Hoje, os dirigentes se reúnem com economistas no Rio de Janeiro.

O mercado futuro de juros, no entanto, ainda tem muito prêmio e não projeta nem manutenção da taxa em 2019 nem queda. De acordo com cálculo da Quantitas, a curva a termo precifica alta de cerca de 0,5 ponto percentual no primeiro semestre do ano que vem e 0,9 ponto na segunda metade de 2019.

Ontem, as taxas futuras encerraram o pregão perto da estabilidade. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2021 foi de 7,93% para 7,95%. A principal novidade foi o adiamento da votação do projeto que trata da cessão onerosa do pré-sal para a semana que vem. A aprovação significaria alívio para a situação fiscal do governo e influencia a curva a termo, mas gera ansiedade enquanto não sai do papel.

Em geral, o viés dos economistas é positivo para a atividade econômica, alguns falando de expansão de 2% e outros de 3% no ano que vem. A grande dúvida para os profissionais é como fica a reforma da Previdência quando o próximo governo assumir. Enquanto o risco da eleição passou, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer em relação às reformas. Mas todos esperam que exista algum avanço no ano que vem, segundo um profissional. "O espaço de tolerância vai até meados do ano que vem com alguma tranquilidade", completa.

Banco Central em BrasíliaCrédito: Divulgação

A questão foi discutida ontem em São Paulo em um dos encontros trimestrais entre dirigentes do Banco Central e economistas, que servem de embasamento para a autoridade monetária formular o relatório trimestral de inflação. Um grupo reduzido de analistas defendeu a possibilidade de corte da taxa básica de juros em algum momento de 2019, com a visão de que a economia precisa de um estímulo adicional. A maioria dos profissionais aponta, entretanto, que é cedo para mexer na política monetária e a taxa básica deve ficar estacionada por algum tempo no nível atual de 6,5%.

"O juro básico está rodando muito baixo e a economia não reage, dando elementos para acreditar que o juro neutro seria menor do que acreditamos. E isso abre espaço para novos cortes de juros", diz uma fonte que participou do encontro. Outro profissional confirma a leitura e diz que atualmente a principal dúvida não é mais quando sobe, mas a possibilidade de cair.

Os índices de preço continuam surpreendendo para baixo publicação após publicação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de novembro, por exemplo, desacelerou para 0,19%, conforme a divulgação da semana passada. Foi o menor resultado para o mês desde 2003 e ficou abaixo da expectativa do mercado, de 0,23%. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de novembro, divulgado ontem, veio com deflação de 0,49%.

Mas a visão de corte da Selic não é um consenso e muitos acreditam que talvez não valha a pena assumir o risco de aceleração na inflação caso aumente o prêmio de risco no câmbio em decorrência de algum fator global ou local. Numa das reuniões em São Paulo, a maior parte dos profissionais já considera difícil que o BC faça alguma elevação na taxa em 2019. "Apesar de esperar recuperação da economia em 2019, o hiato do produto está muito aberto e, por isso, o cenário de inflação vai continuar favorável. O BC deve manter a taxa de juros estável por muito tempo."

Enquanto os representantes de bancos e corretoras questionaram se ainda é o momento de manter estímulos monetários no Brasil ou mesmo de alterá-los, o BC não deu indicativos sobre isso, de acordo com os relatos. Para um interlocutor, a posição da autoridade monetária ainda é de expectativas ancoradas para a inflação, conforme tem se observado em comunicações oficiais, "mas com muito pé no chão e com certa cautela". "É em linha com o que o BC já vem demonstrando atualmente, técnico e atento", diz.

Do lado do BC quem participa dos encontros são os diretores Tiago Berriel (Assuntos Internacionais) e Carlos Viana (Política Econômica), que não teriam dado ontem nenhum sinal nem feito qualquer colocação sobre política monetária. Foram dois encontros em São Paulo, um pela manhã e outro no período da tarde. Hoje, os dirigentes se reúnem com economistas no Rio de Janeiro.

O mercado futuro de juros, no entanto, ainda tem muito prêmio e não projeta nem manutenção da taxa em 2019 nem queda. De acordo com cálculo da Quantitas, a curva a termo precifica alta de cerca de 0,5 ponto percentual no primeiro semestre do ano que vem e 0,9 ponto na segunda metade de 2019.

Ontem, as taxas futuras encerraram o pregão perto da estabilidade. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2021 foi de 7,93% para 7,95%. A principal novidade foi o adiamento da votação do projeto que trata da cessão onerosa do pré-sal para a semana que vem. A aprovação significaria alívio para a situação fiscal do governo e influencia a curva a termo, mas gera ansiedade enquanto não sai do papel.

Em geral, o viés dos economistas é positivo para a atividade econômica, alguns falando de expansão de 2% e outros de 3% no ano que vem. A grande dúvida para os profissionais é como fica a reforma da Previdência quando o próximo governo assumir. Enquanto o risco da eleição passou, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer em relação às reformas. Mas todos esperam que exista algum avanço no ano que vem, segundo um profissional. "O espaço de tolerância vai até meados do ano que vem com alguma tranquilidade", completa.