Paralisação de grandes obras da construção civil no Ceará pode ser ampliada hoje. Movimento grevista, iniciado ontem, prossegue até que as empresas assinem a convenção coletiva

Trabalhadores das obras de ampliação do Porto do Pecém, reforma do estádio Castelão e Metrô de Fortaleza (Metrofor) cruzaram os braços ontem. O movimento paredista, que pode ser ampliado hoje, é uma forma de protestar contra as empresas que não assinaram a Convenção Coletiva negociada entre os sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado do Ceará (Sintepav–CE) e Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon).

Segundo o Sintepav-CE, ontem cerca de três mil homens pararam e hoje pode superar os dez mil se o pessoal da Usina Termelétrica Energia Pecém (UTE-Pecém), do Canal do Trabalhador e Transfor aderirem.

O POVO procurou o representante do Sinicon no Ceará, Dinalvo Diniz, para falar sobre o assunto, mas não obteve retorno. A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) preferiu não se pronunciar, considerando que esse é um problema das empresas. Adiantou, contudo que a Secretaria vai acompanhar e avaliar a evolução da questão. A assessoria de imprensa do Metrofor disse que não foi registrada paralisação nos canteiros da obra, mas o sindicato dos trabalhadores sustenta que, no trecho da avenida Tristão Gonçalves, ninguém trabalhou até às 11 horas.

Acordos coletivos

Na tarde de ontem representantes do consórcio Andrade Mendonça e Galvão Engenharia, responsável pela obra do Castelão, foram ao Sintepav-CE e apresentaram proposta de acordo que será levada a assembleia geral da categoria hoje pela manhã. Eles concordaram com o reajuste de 13% e com o pagamento de 100% das horas extras aos sábados, mas se recusaram pagar cesta básica.

A Marquise e Ivai, que fazem a ampliação do Porto do Pecém, também levaram proposta aceitando pagar os 13% a todos os trabalhadores e horas extras de 100% que será submetida aos empregados das empresas em assembleia. “Ficou pendente o pagamento de 30% de periculosidade e a cesta básica”, completa o presidente do Sintepav-CE, Raimundo Nonato Gomes, acrescentando que se os cerca de 980 homens que trabalham na obra não aceitarem ela vai continuar parada.

O Quê

ENTENDA A NOTÍCIA

O Ceará tem cerca de 25 mil trabalhadores empregados em grandes obras, públicas e privadas, da construção civil. O sindicato da categoria (Sintepav-CE) iniciou as negociações, enviando a pauta de reivindicações no dia 28 de fevereiro. O salário base do servente é de R$ 539.

Artumira Dutra