Moeda americana acima dos R$ 4 aumenta conta do supermercado em São Paulo
BRF - FrangoCrédito: Divulgação

Faz pelo menos um ano que o dólar vem subindo e, há uma semana, a moeda está acima dos R$ 4. O que isso muda no dia a dia dos brasileiros? A resposta está na conta do supermercado.

Os preços acumulam elevação média de 8,75% nos últimos 12 meses encerrados em abril, de acordo com a inflação medida pela Apas (Associação Paulista de Supermercados).

A persistente alta da moeda americana está entre os principais fatores responsáveis pelos aumentos acumulados ao longo de um ano em produtos bastante consumidos, como pão francês (9%), macarrão (11,67%), sabão líquido (9,58%), desinfetante (12%) e as carnes de frango (22,78%) e de porco (4,18%).

Nesta quinta (23), o dólar fechou o dia em R$ 4,05. Apesar de estar muito acima dos R$ 3,62 registrados na mesma data em 2018, a divisa está em uma semana de queda após ter alcançado R$ 4,10 na sexta (17).

Mesmo em um cenário de recuo do dólar, o valor atual da moeda ainda pode se refletir nas gôndolas entre os próximos 60 e 90 dias, tempo que o que é produzido hoje levará para chegar aos supermercados, segundo o economista da Apas Thiago Berka.

“Os preços desses produtos não devem cair tão cedo, pois não vemos sinais de melhora nos cenários interno e externo”, afirma o especialista.

O início e bom desenvolvimento das safras de diversos produtos deve compensar, porém, a pressão do dólar sobre o custo de vida, segundo o economista André Braz, coordenador do índice de preços ao consumidor da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

“Há uma tendência de recuo nos preços dos alimentos, sobretudo os in natura, e isso ajudará a equilibrar a inflação”, diz Braz.  

O economista aponta que o IPCA-15 (prévia da inflação de maio) que será divulgado nesta sexta (24) ficará em torno de 0,45%, já apresentando uma desaceleração em relação a abril. “A tendência é que a inflação continue desacelerando até o fim do mês e caia pela metade em relação à prévia.”
Impacto nos preços

Entenda como alguns dos principais produtos vendidos nos supermercados tiveram impacto nos preços devido ao dólar, além de outros fatores, e quanto eles subiram nos últimos 12 meses, segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados)

Frango (+22,78%)

  • Com o dólar em alta, é mais vantajoso vender para outros países
  • As consequências são menos frango no Brasil e aumentos nos preços
  • Tudo piorou com a morte de 70 milhões de aves na greve dos caminhoneiros


Carne de porco (+4,18%)

  • Assim como ocorreu com o frango, o dólar alto fez o país exportar mais
  • A China ainda perdeu 35% do seu rebanho e, por isso, comprou mais do Brasil


Pão francês (+9%) e macarrão (+11,67%)

  • O Brasil não produz trigo suficiente para atender o consumo interno
  • O preço do trigo é em dólar e por isso seus derivados estão mais caros


Sabão líquido (+9,58%), desinfetante (+12%), inseticida (+ 12%) e alvejante (+9%)

  • Produtos de limpeza levam componentes químicos nem sempre fabricados no Brasil
  • Quanto mais insumos importados, maior é o impacto do dólar no custo de produção
BRF - FrangoCrédito: Divulgação

Faz pelo menos um ano que o dólar vem subindo e, há uma semana, a moeda está acima dos R$ 4. O que isso muda no dia a dia dos brasileiros? A resposta está na conta do supermercado.

Os preços acumulam elevação média de 8,75% nos últimos 12 meses encerrados em abril, de acordo com a inflação medida pela Apas (Associação Paulista de Supermercados).

A persistente alta da moeda americana está entre os principais fatores responsáveis pelos aumentos acumulados ao longo de um ano em produtos bastante consumidos, como pão francês (9%), macarrão (11,67%), sabão líquido (9,58%), desinfetante (12%) e as carnes de frango (22,78%) e de porco (4,18%).

Nesta quinta (23), o dólar fechou o dia em R$ 4,05. Apesar de estar muito acima dos R$ 3,62 registrados na mesma data em 2018, a divisa está em uma semana de queda após ter alcançado R$ 4,10 na sexta (17).

Mesmo em um cenário de recuo do dólar, o valor atual da moeda ainda pode se refletir nas gôndolas entre os próximos 60 e 90 dias, tempo que o que é produzido hoje levará para chegar aos supermercados, segundo o economista da Apas Thiago Berka.

“Os preços desses produtos não devem cair tão cedo, pois não vemos sinais de melhora nos cenários interno e externo”, afirma o especialista.

O início e bom desenvolvimento das safras de diversos produtos deve compensar, porém, a pressão do dólar sobre o custo de vida, segundo o economista André Braz, coordenador do índice de preços ao consumidor da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

“Há uma tendência de recuo nos preços dos alimentos, sobretudo os in natura, e isso ajudará a equilibrar a inflação”, diz Braz.  

O economista aponta que o IPCA-15 (prévia da inflação de maio) que será divulgado nesta sexta (24) ficará em torno de 0,45%, já apresentando uma desaceleração em relação a abril. “A tendência é que a inflação continue desacelerando até o fim do mês e caia pela metade em relação à prévia.”
Impacto nos preços

Entenda como alguns dos principais produtos vendidos nos supermercados tiveram impacto nos preços devido ao dólar, além de outros fatores, e quanto eles subiram nos últimos 12 meses, segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados)

Frango (+22,78%)

  • Com o dólar em alta, é mais vantajoso vender para outros países
  • As consequências são menos frango no Brasil e aumentos nos preços
  • Tudo piorou com a morte de 70 milhões de aves na greve dos caminhoneiros


Carne de porco (+4,18%)

  • Assim como ocorreu com o frango, o dólar alto fez o país exportar mais
  • A China ainda perdeu 35% do seu rebanho e, por isso, comprou mais do Brasil


Pão francês (+9%) e macarrão (+11,67%)

  • O Brasil não produz trigo suficiente para atender o consumo interno
  • O preço do trigo é em dólar e por isso seus derivados estão mais caros


Sabão líquido (+9,58%), desinfetante (+12%), inseticida (+ 12%) e alvejante (+9%)

  • Produtos de limpeza levam componentes químicos nem sempre fabricados no Brasil
  • Quanto mais insumos importados, maior é o impacto do dólar no custo de produção