Com a persistência da uma lenta recuperação economica, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. O instituto prevê que a recuperação deve acelerar apenas a partir do próximo ano, com a retomada da confiança de setores empresariais após a aprovação da reforma da Previdência.
emprego no setor automotivoCrédito: Marcelo Matusiak

Divulgado ontem pelo Ipea, o relatório Visão Geral da Conjuntura aponta que o PIB deverá crescer 0,8% em 2019, um ritmo inferior aos 2% previstos pelo próprio instituto na versão anterior do documento, divulgada no fim de março. O instituto ainda prevê que a taxa acelere no ano que vem, para 2,5% - essa previsão, porém, era de 3% na edição anterior do documento.

"Tal revisão está em linha com o resultado aquém do esperado para o primeiro trimestre e com os primeiros indicadores do segundo trimestre, que indicam que a recuperação continua lenta", diz o relatório assinado pelos economistas José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Santos e Leonardo Carvalho.

O corte nas previsões do Ipea acompanha o movimento do mercado nos últimos meses. No fim de março, o boletim Focus, do Banco Central, que reúne projeções de analistas do mercado, apontava para alta de 1,98% do PIB neste ano. No Focus mais recente, divulgado na segunda-feira, a projeção estava em 0,87%.

Ainda que em um ritmo mais modesto, o crescimento continua sendo liderado pela absorção doméstica. No boletim de março, o Ipea previa expansão de 2,6% do consumo das famílias no PIB. Essa previsão foi cortada para 1,5% no documento divulgado ontem. O Ipea prevê ainda crescimento de 3,6% dos investimentos dentro do PIB de 2019.

Motivo de intenso debate entre economistas nos últimos meses, os cortes adicionais da taxa básica de juros, a Selic, devem ter efeito limitado sobre o ritmo de recuperação da economia. No cenário do Ipea, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve cortar a Selic dos atuais 6,5% para 5,5% até o fim de 2019.

"Muito se discute sobre política monetária, mas não é o principal hoje. A redução dos juros teria impacto de 0,1 ponto percentual no PIB de 2020. Nossos modelos mostram que o maior impacto viria não de uma adição de política expansionista do Banco Central, mas da melhora do quadro fiscal e da confiança", disse Souza Júnior, diretor de macroeconomia do Ipea.

A aprovação da reforma da Previdência e outras medidas serão, portanto, o principal fator por trás da aceleração da atividade econômica prevista para o próximo ano. O Ipea prevê aprovação da reforma antes do recesso parlamentar. Isso elevaria a confiança da indústria e do comércio para níveis expansionistas nos próximos meses.

Também presente na entrevista coletiva, o presidente do Ipea, Carlos von Doellinger, disse que as projeções de crescimento da economia elaboradas pelos técnicos do próprio instituto são "conservadoras", mas que o papel do técnico do Ipea é "ser mesmo conservador". "A média dos palpiteiros, dos observadores, economistas e mercados está mesmo nessa média de 0,8%."

Apesar de concordar que a atividade terá "realmente mais um ano de estagnação", o presidente do Ipea disse que está mais otimista em relação a uma série de setores da economia a partir do segundo semestre, citando desde exportações da agropecuária até investimentos da Petrobras na área de exploração e produção.

emprego no setor automotivoCrédito: Marcelo Matusiak

Divulgado ontem pelo Ipea, o relatório Visão Geral da Conjuntura aponta que o PIB deverá crescer 0,8% em 2019, um ritmo inferior aos 2% previstos pelo próprio instituto na versão anterior do documento, divulgada no fim de março. O instituto ainda prevê que a taxa acelere no ano que vem, para 2,5% - essa previsão, porém, era de 3% na edição anterior do documento.

"Tal revisão está em linha com o resultado aquém do esperado para o primeiro trimestre e com os primeiros indicadores do segundo trimestre, que indicam que a recuperação continua lenta", diz o relatório assinado pelos economistas José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Santos e Leonardo Carvalho.

O corte nas previsões do Ipea acompanha o movimento do mercado nos últimos meses. No fim de março, o boletim Focus, do Banco Central, que reúne projeções de analistas do mercado, apontava para alta de 1,98% do PIB neste ano. No Focus mais recente, divulgado na segunda-feira, a projeção estava em 0,87%.

Ainda que em um ritmo mais modesto, o crescimento continua sendo liderado pela absorção doméstica. No boletim de março, o Ipea previa expansão de 2,6% do consumo das famílias no PIB. Essa previsão foi cortada para 1,5% no documento divulgado ontem. O Ipea prevê ainda crescimento de 3,6% dos investimentos dentro do PIB de 2019.

Motivo de intenso debate entre economistas nos últimos meses, os cortes adicionais da taxa básica de juros, a Selic, devem ter efeito limitado sobre o ritmo de recuperação da economia. No cenário do Ipea, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve cortar a Selic dos atuais 6,5% para 5,5% até o fim de 2019.

"Muito se discute sobre política monetária, mas não é o principal hoje. A redução dos juros teria impacto de 0,1 ponto percentual no PIB de 2020. Nossos modelos mostram que o maior impacto viria não de uma adição de política expansionista do Banco Central, mas da melhora do quadro fiscal e da confiança", disse Souza Júnior, diretor de macroeconomia do Ipea.

A aprovação da reforma da Previdência e outras medidas serão, portanto, o principal fator por trás da aceleração da atividade econômica prevista para o próximo ano. O Ipea prevê aprovação da reforma antes do recesso parlamentar. Isso elevaria a confiança da indústria e do comércio para níveis expansionistas nos próximos meses.

Também presente na entrevista coletiva, o presidente do Ipea, Carlos von Doellinger, disse que as projeções de crescimento da economia elaboradas pelos técnicos do próprio instituto são "conservadoras", mas que o papel do técnico do Ipea é "ser mesmo conservador". "A média dos palpiteiros, dos observadores, economistas e mercados está mesmo nessa média de 0,8%."

Apesar de concordar que a atividade terá "realmente mais um ano de estagnação", o presidente do Ipea disse que está mais otimista em relação a uma série de setores da economia a partir do segundo semestre, citando desde exportações da agropecuária até investimentos da Petrobras na área de exploração e produção.