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Doze dias depois do protesto que terminou com sete ônibus incendiados e equipamento destruídos, o Complexo Industrial de Suape voltou a viver momentos de tensão. Sem prévia notificação, centenas de trabalhadores da obra da Refinaria Abreu e Lima foram surpreendidos ontem no início do expediente, após 20 dias de greve, com a informação de que estavam demitidos por justa causa.

Em nota, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) não fala nas demissões, mas evidencia que elas existiram no seguinte trecho: "Com relação às novas contratações, as mesmas ocorrerão de acordo com a necessidade de cada empresa". O Sinicon, representante dos 16 consórcios que atuam na obra da refinaria, limita-se a informar que "desconhece o número de 1.000 trabalhadores demitidos". A Petrobrás, que considera a Abreu e Lima fundamental para aumentar a produção de derivados, não comentou as demissões, sob a justificativa de que as explicações caberiam às empresas a seu serviço.

Ao longo do dia, a informação sobre a quantidade de operários demitidos variava entre 500 e 1.000. Segundo informações extraoficiais, as dispensas atingiram funcionários dos consórcios Conest e Ipojuca e das construtoras Alusa, Galvão, Barbosa e CMB, que atuam na refinaria e na petroquímica Suape.

Segundo o Estado apurou, os demitidos são suspeitos de participação nos protestos do dia 8. O reconhecimento teria sido feito por imagens das câmeras de segurança. Há 51 mil operários no complexo, dos quais 4 mil na refinaria e 7 mil na petroquímica.

Representante dos operários, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sintepav-PE) disse desconhecer as demissões. A entidade divulgou apenas que, se houver irregularidades, agirá para que os direitos sejam respeitados.