Com a produção estagnada neste início de ano, a indústria é o setor mais distante de recuperar os empregos perdidos ao longo da crise econômica. Cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostram que, mantido o atual ritmo de contratações, o setor levará 13 anos para retomar o nível pré-recessivo de vagas - ou seja, apenas em 2032.

Para chegar a essa conclusão, o Iedi levou em conta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira. A indústria geral (que inclui transformação e extrativa, sem a construção) empregava 11,86 milhões de pessoas no trimestre móvel até maio, 0,8% a mais do que no mesmo período de 2018. Isso representa um incremento de apenas 92 mil postos de trabalho no período de um ano.

"A indústria está com dinamismo muito baixo neste começo de ano. A fase recessiva que a produção vem enfrentando nos últimos meses fez o setor perder o protagonismo que tinha apresentado na saída da crise, em 2017", diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, acrescentando que o emprego no setor industrial chegou a crescer 5% na virada de 2017 para 2018.

O momento mais negativo da indústria é resultado de uma combinação de fatores como as turbulências do período eleitoral e as incertezas sobre o avanço da agenda de reformas estruturais do governo, aliadas a um cenário externo mais desafiador, com a desaceleração da economia mundial e da crise comercial entre os EUA e a China. A crise da Argentina também pesa.

Com o lento ritmo de recuperação, o setor industrial tem hoje 1,2 milhão de postos de trabalho a menos do que no trimestre móvel até maio de 2015, ano em que a crise econômica chegou ao mercado de trabalho. É o pior desempenho entre as dez atividades acompanhadas pelo IBGE, seguido por agropecuária (-830 mil) e construção (-702 mil).

Um levantamento do Iedi obtido pelo Valor detalha o comportamento do emprego especificamente na indústria de transformação, segmento industrial que paga melhores salários (em média, 10% acima dos demais). O quadro, porém, não difere muito do restante da indústria, mostrando perda de dinamismo.

No primeiro trimestre de 2018, a indústria de transformação havia adicionado 230 mil postos de trabalho em relação ao mesmo período de 2017. Porém, essa recuperação perdeu fôlego. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2019 e 2018, o acréscimo foi menor, na faixa de 85 mil empregos, segundo os cálculos do Iedi, baseados nos microdados do IBGE.

Dentre os cinco ramos da indústria de transformação com maiores contingentes de empregados com carteira assinada, três tiveram aumento no número de trabalhadores de 2017 a 2019: borracha (12,7%), veículos automotores (8,4%) e produtos de metal (3,2%). No lado negativo estavam confecção e vestuário (-6,7%) e fabricação de produtos alimentícios (-3%).

Para o Iedi, o fraco desempenho do emprego na indústria de transformação tem implicações ruins para o mercado de trabalho tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. Além de ser o terceiro maior empregador, atrás de serviços e comércio, o setor tem 63% de sua mão de obra formalizada, com carteira assinada.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em maio. A desocupação ficou em 12,3%, o equivalente e 12,984 milhões de pessoas. Esse total é 0,5% menor do que nos três meses imediatamente anteriores (o equivalente a 70 mil pessoas) e 1,6% menor do que no mesmo período do ano passado (206 mil pessoas a menos).

Já o rendimento dos trabalhadores foi de R$ 2.289 no trimestre l encerrado em maio. Esse valor é 1,5% inferior ao registrado nos três meses encerrados em fevereiro (R$ 2.323) e 0,2% menor que o apurado no mesmo período do ano passado (R$ 2.292).

 

Para chegar a essa conclusão, o Iedi levou em conta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira. A indústria geral (que inclui transformação e extrativa, sem a construção) empregava 11,86 milhões de pessoas no trimestre móvel até maio, 0,8% a mais do que no mesmo período de 2018. Isso representa um incremento de apenas 92 mil postos de trabalho no período de um ano.

"A indústria está com dinamismo muito baixo neste começo de ano. A fase recessiva que a produção vem enfrentando nos últimos meses fez o setor perder o protagonismo que tinha apresentado na saída da crise, em 2017", diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, acrescentando que o emprego no setor industrial chegou a crescer 5% na virada de 2017 para 2018.

O momento mais negativo da indústria é resultado de uma combinação de fatores como as turbulências do período eleitoral e as incertezas sobre o avanço da agenda de reformas estruturais do governo, aliadas a um cenário externo mais desafiador, com a desaceleração da economia mundial e da crise comercial entre os EUA e a China. A crise da Argentina também pesa.

Com o lento ritmo de recuperação, o setor industrial tem hoje 1,2 milhão de postos de trabalho a menos do que no trimestre móvel até maio de 2015, ano em que a crise econômica chegou ao mercado de trabalho. É o pior desempenho entre as dez atividades acompanhadas pelo IBGE, seguido por agropecuária (-830 mil) e construção (-702 mil).

Um levantamento do Iedi obtido pelo Valor detalha o comportamento do emprego especificamente na indústria de transformação, segmento industrial que paga melhores salários (em média, 10% acima dos demais). O quadro, porém, não difere muito do restante da indústria, mostrando perda de dinamismo.

No primeiro trimestre de 2018, a indústria de transformação havia adicionado 230 mil postos de trabalho em relação ao mesmo período de 2017. Porém, essa recuperação perdeu fôlego. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2019 e 2018, o acréscimo foi menor, na faixa de 85 mil empregos, segundo os cálculos do Iedi, baseados nos microdados do IBGE.

Dentre os cinco ramos da indústria de transformação com maiores contingentes de empregados com carteira assinada, três tiveram aumento no número de trabalhadores de 2017 a 2019: borracha (12,7%), veículos automotores (8,4%) e produtos de metal (3,2%). No lado negativo estavam confecção e vestuário (-6,7%) e fabricação de produtos alimentícios (-3%).

Para o Iedi, o fraco desempenho do emprego na indústria de transformação tem implicações ruins para o mercado de trabalho tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. Além de ser o terceiro maior empregador, atrás de serviços e comércio, o setor tem 63% de sua mão de obra formalizada, com carteira assinada.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em maio. A desocupação ficou em 12,3%, o equivalente e 12,984 milhões de pessoas. Esse total é 0,5% menor do que nos três meses imediatamente anteriores (o equivalente a 70 mil pessoas) e 1,6% menor do que no mesmo período do ano passado (206 mil pessoas a menos).

Já o rendimento dos trabalhadores foi de R$ 2.289 no trimestre l encerrado em maio. Esse valor é 1,5% inferior ao registrado nos três meses encerrados em fevereiro (R$ 2.323) e 0,2% menor que o apurado no mesmo período do ano passado (R$ 2.292).