Paulistano gasta R$329 com ônibus e metrô, levando em consideração uma viagem de ida e volta por dia, durante 22 dias no mês. Antes, era R$306
transporte spCrédito: Arquivo

Com o salário mínimo recém ajustado para R$ 998 e a passagem entre R$ 4,30 – na tarifa única – e R$ 7,48 – na integração entre ônibus e trilhos –, o trabalhador que depende diariamente do transporte público para se locomover gasta até 33% do recebimento mensal.

O paulistano que usar uma das modalidades de transporte gasta R$ 189,20 ao longo de 22 dias úteis – cerca de 19% do salário.
Na tarifa anterior – de R$ 4,00 –, optando apenas por ônibus ou trilhos, custava R$ 13,20 a menos. Agora, quem depender da integração entre SPTrans e trilhos (Metrô e CPTM) vê o valor quase dobrou para R$ 329,12 por mês.

Quanto de um salário mínimo é gasto só com transporte? Consideramos uma viagem por dia, ida e volta, durante os 22 dias úteis do mês. O valor porcentual apresentou maior taxa desde 2011, que à época rondava 36,25%, e teve menor participação do recebimento em 2017, com 27,80%.

Em 2016, o então prefeito de São Paulo João Doria (PSDB-SP) prometeu, em campanha, congelar durante os quatro anos de seu mandato a tarifa de ônibus.

Antes de assumir, e já eleito, Doria afirmou “Não posso responder por quatro anos, posso responder pelo primeiro ano. Não vamos mexer na tarifa em 2017”. O menor valor percentual da passagem de ônibus em 2017 se dá justamente no cenário de congelamento.

Com o aumento do salário mínimo – de R$ 880 para R$ 930 – e a estagnação da tarifa, a participação do recebimento caiu para R$27,80. Mesmo com a tarifa congelada de Doria, o Governo do Estado “compensou” a promessa.

A gestão Alckmin, em 2016, aumentou o valor da integração entre SPTrans e trilhos – de R$ 5,92 para R$ 6,80 –, que resultou em 32% do orçamento familiar comprometido com o transporte.

No ano seguinte, João Doria e Geraldo Alckmin anunciaram um reajuste em conjunto nas tarifas. R$ 4 para ônibus e R$ 6,96 para integração.

ÔNIBUS + METRÔ
Em 1999, gasto com passagens consumia 90% do salário mínimo. Se o valor pesa agora em 2019, a situação era ainda mais caótica em 1994. Com inflação instável, as passagens de ônibus eram atualizadas mensalmente através de decretos.

Naquela época, o Real acabava de ser oficializado e Paulo Maluf, prefeito de São Paulo, tinha que alterar os valores para a nova moeda. Pouco antes da transição, a passagem custava CR$ 1.200,00 e em julho de 94, passou ao valor de R$ 0,50. Já trilhos eram R$ 0,60.

O salário mínimo era de apenas R$ 64,70. Nos 22 dias úteis, o trabalhador precisava desembolsar R$ 48,40 mensalmente para utilizar o transporte público.

O ápice ocorreu em 1999. Com salário mínimo valendo R$130, as passagens sofreram aumentos acima da inflação. De R$ 1, a gestão de Celso Pitta (PP-SP) ordenou que a tarifa fosse para R$ 1,25. Com a integração a R$ 1,40, os gastos com locomoção somaram R$116 e chegaram a representar 89,69% do salário mínimo.

A situação só melhorou em 2006, quando o salário mínimo foi reajustado para R$350 e com a implantação da integração entre SPTrans, CPTM e Metrô que proporcionou, naquele momento, economia nas viagens.

O cálculo não leva em conta o uso de vale-transporte ou outros benefícios por julgar que, mesmo assim, a medida funciona como termômetro do custo do transporte na cidade.

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Com o salário mínimo recém ajustado para R$ 998 e a passagem entre R$ 4,30 – na tarifa única – e R$ 7,48 – na integração entre ônibus e trilhos –, o trabalhador que depende diariamente do transporte público para se locomover gasta até 33% do recebimento mensal.

O paulistano que usar uma das modalidades de transporte gasta R$ 189,20 ao longo de 22 dias úteis – cerca de 19% do salário.
Na tarifa anterior – de R$ 4,00 –, optando apenas por ônibus ou trilhos, custava R$ 13,20 a menos. Agora, quem depender da integração entre SPTrans e trilhos (Metrô e CPTM) vê o valor quase dobrou para R$ 329,12 por mês.

Quanto de um salário mínimo é gasto só com transporte? Consideramos uma viagem por dia, ida e volta, durante os 22 dias úteis do mês. O valor porcentual apresentou maior taxa desde 2011, que à época rondava 36,25%, e teve menor participação do recebimento em 2017, com 27,80%.

Em 2016, o então prefeito de São Paulo João Doria (PSDB-SP) prometeu, em campanha, congelar durante os quatro anos de seu mandato a tarifa de ônibus.

Antes de assumir, e já eleito, Doria afirmou “Não posso responder por quatro anos, posso responder pelo primeiro ano. Não vamos mexer na tarifa em 2017”. O menor valor percentual da passagem de ônibus em 2017 se dá justamente no cenário de congelamento.

Com o aumento do salário mínimo – de R$ 880 para R$ 930 – e a estagnação da tarifa, a participação do recebimento caiu para R$27,80. Mesmo com a tarifa congelada de Doria, o Governo do Estado “compensou” a promessa.

A gestão Alckmin, em 2016, aumentou o valor da integração entre SPTrans e trilhos – de R$ 5,92 para R$ 6,80 –, que resultou em 32% do orçamento familiar comprometido com o transporte.

No ano seguinte, João Doria e Geraldo Alckmin anunciaram um reajuste em conjunto nas tarifas. R$ 4 para ônibus e R$ 6,96 para integração.

ÔNIBUS + METRÔ
Em 1999, gasto com passagens consumia 90% do salário mínimo. Se o valor pesa agora em 2019, a situação era ainda mais caótica em 1994. Com inflação instável, as passagens de ônibus eram atualizadas mensalmente através de decretos.

Naquela época, o Real acabava de ser oficializado e Paulo Maluf, prefeito de São Paulo, tinha que alterar os valores para a nova moeda. Pouco antes da transição, a passagem custava CR$ 1.200,00 e em julho de 94, passou ao valor de R$ 0,50. Já trilhos eram R$ 0,60.

O salário mínimo era de apenas R$ 64,70. Nos 22 dias úteis, o trabalhador precisava desembolsar R$ 48,40 mensalmente para utilizar o transporte público.

O ápice ocorreu em 1999. Com salário mínimo valendo R$130, as passagens sofreram aumentos acima da inflação. De R$ 1, a gestão de Celso Pitta (PP-SP) ordenou que a tarifa fosse para R$ 1,25. Com a integração a R$ 1,40, os gastos com locomoção somaram R$116 e chegaram a representar 89,69% do salário mínimo.

A situação só melhorou em 2006, quando o salário mínimo foi reajustado para R$350 e com a implantação da integração entre SPTrans, CPTM e Metrô que proporcionou, naquele momento, economia nas viagens.

O cálculo não leva em conta o uso de vale-transporte ou outros benefícios por julgar que, mesmo assim, a medida funciona como termômetro do custo do transporte na cidade.