A valorização do real ocorrida após as eleições derrubou a inflação no atacado em novembro e o cenário para o último mês do ano é igualmente tranquilo, na avaliação de André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Divulgado ontem pela FGV, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) recuou 0,49% na medição deste mês, após alta de 0,89% em outubro.
venda atacadoCrédito: Arquivo

No período de apuração do IGP-M, a taxa de câmbio média passou de R$ 3,88 para R$ 3,73, uma queda de 3,76%. O alívio no câmbio se somou ao movimento mais intenso ocorrido em outubro, de acordo com Braz, quando a moeda brasileira se apreciou em 6%. "Entre setembro e outubro, o dólar caiu de R$ 4,13 para R$ 3,88. Um pouco do efeito de outubro também foi captado em novembro", diz o economista.

O maior reflexo da queda do dólar ocorreu sobre o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no IGP-M e saiu de alta de 1,11% no mês passado para retração de 2,51%. A contribuição de commodities e combustíveis para a taxa negativa foi relevante, segundo Braz.

Nas matérias-primas brutas, a soja caiu 6,24%, após avanço de 0,43% no mês anterior, o milho ampliou sua deflação de 5,47% para 7,66%, e o trigo, de 6,31% para 6,56%. O economista destaca ainda o comportamento dos preços de aves (2,48% para -4,96%) e bovinos (2,49% para -0,87%).

Todos esses itens são insumos da cadeia alimentar, o que poderia desenhar um quadro favorável ao consumidor, mas dezembro é um mês sazonalmente elevado para estes preços, pondera Braz. Por isso, diz, a expectativa é que a trajetória benigna vista no atacado repercuta sobre o varejo mais para frente. Na medição atual, a parte de alimentação no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) ficou praticamente estável, ao passar de 0,70% para 0,68%, com forte pressão de itens in natura.

Ainda no índice ao produtor, os combustíveis foram a principal influência de baixa nos bens intermediários e também nos finais, afirma Braz. O óleo diesel recuou 6,39%, depois de aumento de 5,9% em outubro. Ontem, a Petrobras anunciou nova redução significativa do preço do combustível nas refinarias, de 15,3%, que terá impacto sobre o IGP-M de dezembro, aponta o economista. "O diesel vai contribuir para um IGP mais baixo."

Já nos bens finais, os combustíveis para consumo saíram de alta de 2,08% em outubro e registraram queda de 12,43% em novembro, subgrupo em que o economista destaca a variação da gasolina, negativa em 17,64%. Segundo Braz, esse movimento já está chegando às bombas - no IPC, o combustível recuou 1,1% no mês atual, ante avanço de 3,49% em outubro -, mas a tendência é que o declínio seja mais forte no último mês do ano.

Com participação de 30% no IGP-M, o IPC desacelerou de 0,51% para 0,09% entre outubro e novembro. Além da gasolina, Braz menciona a mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para a amarela nas contas de luz como outro fator que segurou a inflação. Para dezembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já anunciou que a bandeira será verde, que deixa as tarifas de eletricidade livres de cobranças extras.

Por isso, e também pela queda dos combustíveis, dezembro deve ser um mês de inflação comportada, tanto no atacado quanto no varejo, prevê o economista da FGV, com outra deflação no IGP-M, ainda que mais fraca que a atual. "Os alimentos devem ser uma das poucas pressões ao consumidor", disse, mas a alta não deve ser duradoura, porque será puxada por alimentos in natura.

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No período de apuração do IGP-M, a taxa de câmbio média passou de R$ 3,88 para R$ 3,73, uma queda de 3,76%. O alívio no câmbio se somou ao movimento mais intenso ocorrido em outubro, de acordo com Braz, quando a moeda brasileira se apreciou em 6%. "Entre setembro e outubro, o dólar caiu de R$ 4,13 para R$ 3,88. Um pouco do efeito de outubro também foi captado em novembro", diz o economista.

O maior reflexo da queda do dólar ocorreu sobre o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no IGP-M e saiu de alta de 1,11% no mês passado para retração de 2,51%. A contribuição de commodities e combustíveis para a taxa negativa foi relevante, segundo Braz.

Nas matérias-primas brutas, a soja caiu 6,24%, após avanço de 0,43% no mês anterior, o milho ampliou sua deflação de 5,47% para 7,66%, e o trigo, de 6,31% para 6,56%. O economista destaca ainda o comportamento dos preços de aves (2,48% para -4,96%) e bovinos (2,49% para -0,87%).

Todos esses itens são insumos da cadeia alimentar, o que poderia desenhar um quadro favorável ao consumidor, mas dezembro é um mês sazonalmente elevado para estes preços, pondera Braz. Por isso, diz, a expectativa é que a trajetória benigna vista no atacado repercuta sobre o varejo mais para frente. Na medição atual, a parte de alimentação no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) ficou praticamente estável, ao passar de 0,70% para 0,68%, com forte pressão de itens in natura.

Ainda no índice ao produtor, os combustíveis foram a principal influência de baixa nos bens intermediários e também nos finais, afirma Braz. O óleo diesel recuou 6,39%, depois de aumento de 5,9% em outubro. Ontem, a Petrobras anunciou nova redução significativa do preço do combustível nas refinarias, de 15,3%, que terá impacto sobre o IGP-M de dezembro, aponta o economista. "O diesel vai contribuir para um IGP mais baixo."

Já nos bens finais, os combustíveis para consumo saíram de alta de 2,08% em outubro e registraram queda de 12,43% em novembro, subgrupo em que o economista destaca a variação da gasolina, negativa em 17,64%. Segundo Braz, esse movimento já está chegando às bombas - no IPC, o combustível recuou 1,1% no mês atual, ante avanço de 3,49% em outubro -, mas a tendência é que o declínio seja mais forte no último mês do ano.

Com participação de 30% no IGP-M, o IPC desacelerou de 0,51% para 0,09% entre outubro e novembro. Além da gasolina, Braz menciona a mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para a amarela nas contas de luz como outro fator que segurou a inflação. Para dezembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já anunciou que a bandeira será verde, que deixa as tarifas de eletricidade livres de cobranças extras.

Por isso, e também pela queda dos combustíveis, dezembro deve ser um mês de inflação comportada, tanto no atacado quanto no varejo, prevê o economista da FGV, com outra deflação no IGP-M, ainda que mais fraca que a atual. "Os alimentos devem ser uma das poucas pressões ao consumidor", disse, mas a alta não deve ser duradoura, porque será puxada por alimentos in natura.