A taxa de desemprego foi de 11,7% no trimestre encerrado em outubro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual, que ficou dentro do esperado por analistas, é menor que os 12,3% do trimestre terminado em julho e que os 12,2% do mesmo período no ano passado. Feito o ajuste sazonal, o desemprego ficou estável em 12,1% em relação a setembro.

Foi criado 1,356 milhão de vagas na comparação com o mesmo período do ano passado, o suficiente para absorver 967 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho e tirar outras 389 mil da desocupação. Mas o contingente de desempregados continua alto. Atinge 12,351 milhões.

Das vagas criadas, 649 mil não têm carteira assinada e outras 324 mil se referem a pessoas que foram trabalhar por conta própria sem CNPJ. Para o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, o desemprego deve continuar sua queda lenta puxado pelo mercado informal, ainda que haja uma eventual melhora na carteira assinada.

"A recuperação do emprego formal tem sido muito lenta. Há grande capacidade ociosa, a receita das empresas ainda não reagiu e existem ainda incertezas [quanto à economia]", afirma.
 

InformalidadeCrédito: Divulgação

Nos últimos meses, os dados da Pnad e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) parecem descolados, mas, segundo o economista, eles exibem a mesma tendência. Enquanto o Caged mostra aumento do emprego formal em relação a 2017, a Pnad indica queda.

"A Pnad é uma amostra e por isso tem uma volatilidade grande. Mas, em termos de tendência, não há nada estranho", diz. Na Pnad, no auge da queda do emprego formal, em 2016, a destruição de vagas chegou a mais de 1,5 milhão nos trimestres comparados ao ano anterior; em 2018, esse número tem oscilado entre 350 mil e 450 mil.

Donato ainda aponta as características da atual crise, muito demorada e muito profunda, como um fator determinante para a difícil recuperação do mercado de trabalho. No último episódio de longa destruição do emprego formal, a formalização do trabalho caiu durante 18 meses, até agosto de 2002. "Foram necessários 32 meses para que se recuperasse", afirma. Agora, a queda já dura 49 meses, sem ainda ter tido uma inflexão, segundo Donato.

Isso se reflete na renda média, que está estagnada, já que a maior parte das vagas criadas tem sido em posições precárias, de renda mais baixa e variável. O rendimento médio real cresceu 0,1% sobre julho e 0,4% sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 2.230, segundo o IBGE.

Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), considera que a atividade terá de engatar uma recuperação acima do que vem sendo esperado para que o emprego formal cresça mais e a taxa de desemprego saia do entorno de 12%. A estimativa do Ibre é de que a taxa média feche este ano em 12,2%, ante 12,7% em 2017.

"Acredito que esse número se estabilize em torno de 12% para um crescimento do PIB de 2% ao ano." Um PIB de 2,5% seria compatível com uma taxa de 10,5%, afirma. "O PIB precisa de uma melhora mais robusta para que o mercado volte a engatar", diz.

Para o Itaú Unibanco, o desemprego deve cair pouco até o fim de 2019: 11,6% na série com ajuste sazonal. O banco prevê crescimento de 1,3% em 2018 e de 2,5% em 2019.

Foi criado 1,356 milhão de vagas na comparação com o mesmo período do ano passado, o suficiente para absorver 967 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho e tirar outras 389 mil da desocupação. Mas o contingente de desempregados continua alto. Atinge 12,351 milhões.

Das vagas criadas, 649 mil não têm carteira assinada e outras 324 mil se referem a pessoas que foram trabalhar por conta própria sem CNPJ. Para o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, o desemprego deve continuar sua queda lenta puxado pelo mercado informal, ainda que haja uma eventual melhora na carteira assinada.

"A recuperação do emprego formal tem sido muito lenta. Há grande capacidade ociosa, a receita das empresas ainda não reagiu e existem ainda incertezas [quanto à economia]", afirma.
 

InformalidadeCrédito: Divulgação

Nos últimos meses, os dados da Pnad e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) parecem descolados, mas, segundo o economista, eles exibem a mesma tendência. Enquanto o Caged mostra aumento do emprego formal em relação a 2017, a Pnad indica queda.

"A Pnad é uma amostra e por isso tem uma volatilidade grande. Mas, em termos de tendência, não há nada estranho", diz. Na Pnad, no auge da queda do emprego formal, em 2016, a destruição de vagas chegou a mais de 1,5 milhão nos trimestres comparados ao ano anterior; em 2018, esse número tem oscilado entre 350 mil e 450 mil.

Donato ainda aponta as características da atual crise, muito demorada e muito profunda, como um fator determinante para a difícil recuperação do mercado de trabalho. No último episódio de longa destruição do emprego formal, a formalização do trabalho caiu durante 18 meses, até agosto de 2002. "Foram necessários 32 meses para que se recuperasse", afirma. Agora, a queda já dura 49 meses, sem ainda ter tido uma inflexão, segundo Donato.

Isso se reflete na renda média, que está estagnada, já que a maior parte das vagas criadas tem sido em posições precárias, de renda mais baixa e variável. O rendimento médio real cresceu 0,1% sobre julho e 0,4% sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 2.230, segundo o IBGE.

Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), considera que a atividade terá de engatar uma recuperação acima do que vem sendo esperado para que o emprego formal cresça mais e a taxa de desemprego saia do entorno de 12%. A estimativa do Ibre é de que a taxa média feche este ano em 12,2%, ante 12,7% em 2017.

"Acredito que esse número se estabilize em torno de 12% para um crescimento do PIB de 2% ao ano." Um PIB de 2,5% seria compatível com uma taxa de 10,5%, afirma. "O PIB precisa de uma melhora mais robusta para que o mercado volte a engatar", diz.

Para o Itaú Unibanco, o desemprego deve cair pouco até o fim de 2019: 11,6% na série com ajuste sazonal. O banco prevê crescimento de 1,3% em 2018 e de 2,5% em 2019.