A recuperação do varejo está mais fraca e menos generalizada entre seus ramos neste início de ano. As vendas do setor cresceram 0,2% no primeiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, aquém do ritmo do fim do ano passado (0,6%), mostra a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo IBGE. Na comparação interanual, a alta do indicador no trimestre passou de 2,2% para 0,3% de janeiro a março.
comercio-varejistaCrédito: Divulgação

Essa perda de fôlego reforçou a percepção dos analistas sobre uma moderação do consumo no primeiro trimestre. Com o quadro de elevado desemprego e de pouca confiança com o futuro, o Itaú prevê que o consumo das famílias crescerá 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, frente aos três meses anteriores. Se confirmado, será o resultado mais fraco desde a greve dos caminhoneiros de 2018.

"O motivo real é que o consumo não tem como crescer exibindo taxas elevadas com o nível de desemprego que temos e sem ganho real de renda", disse Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco. "Para o emprego e a renda crescerem, precisamos da retomada do investimento, o que gera contratações."

Desta forma, o consumo das famílias deverá apenas atenuar a contribuição negativa de investimentos, do governo e do setor externo na atividade. O banco prevê retração de 0,2% do PIB neste primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2018.

Na passagem de fevereiro para março, as vendas do varejo cresceram 0,3%. O resultado ficou abaixo da média das projeções de 30 analistas ouvidos pelo Valor Data, de alta de 1%. Segundo o IBGE, o varejo foi basicamente salvo pelas vendas de produtos farmacêuticos, que aumentaram 1,4% em comparação a fevereiro, refletindo um movimento inesperado de antecipação de aquisição de remédios.

"Foi amplamente divulgado nas farmácias que haveria um reajuste oficial a partir de abril. Como é um produto de uso contínuo e uma necessidade básica, é possível que o anúncio tenha relação com uma antecipação de consumo", disse Isabella Nunes Pereira, gerente da pesquisa do IBGE.

Dos oito ramos do varejo acompanhados pelo IBGE, cinco venderam menos no mês. As principais pressões negativas vieram de combustíveis e lubrificantes (-0,8%) e de hiper e supermercados (-0,4%). Em ambos os casos, a queda estaria relacionada ao aumento de preços, de gasolina e alimentos, respectivamente, disse a técnica do IBGE.

Já o varejo ampliado - que inclui veículos e material de construção, além dos demais oito ramos - avançou 1,1% em março, frente a fevereiro, e acumulou alta de 0,3% no primeiro trimestre ante os três últimos meses de 2018.

Após frustrar as expectativas em março, com vendas abaixo do esperado, o varejo deverá recuar 1,6% pelo conceito restrito em abril, na comparação com o mês anterior, segundo estimativas da MCM Consultores. Para o Itaú Unibanco, com base em indicadores coincidentes disponíveis, o varejo restrito deverá recuar 0,7% em abril, e o varejo ampliado deverá mostrar baixa de 0,1%.

Isabela Tavares, analista da Tendências Consultoria Integrada, acredita que a recuperação seguirá lenta nos próximos meses, até que haja sinais contundentes de que a reforma da Previdência será aprovada no Congresso. "O nosso cenário coloca a aprovação da reforma em outubro, mas é possível que no terceiro trimestre, com sinais de concretização da aprovação, a confiança comece a melhorar."

Christian Thorgaard, analista da Parallaxis, avalia que o consumo voltará a ganhar "tração" no momento em que as atividades mais ligadas ao crédito voltarem ao terreno positivo. "As condições conjunturais estão ambíguas, com inflação sob controle e juros mais baixos de um lado, e mercado de trabalho desaquecido de outro, o que pode retardar o crescimento das vendas do varejo."

 

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Essa perda de fôlego reforçou a percepção dos analistas sobre uma moderação do consumo no primeiro trimestre. Com o quadro de elevado desemprego e de pouca confiança com o futuro, o Itaú prevê que o consumo das famílias crescerá 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, frente aos três meses anteriores. Se confirmado, será o resultado mais fraco desde a greve dos caminhoneiros de 2018.

"O motivo real é que o consumo não tem como crescer exibindo taxas elevadas com o nível de desemprego que temos e sem ganho real de renda", disse Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco. "Para o emprego e a renda crescerem, precisamos da retomada do investimento, o que gera contratações."

Desta forma, o consumo das famílias deverá apenas atenuar a contribuição negativa de investimentos, do governo e do setor externo na atividade. O banco prevê retração de 0,2% do PIB neste primeiro trimestre ante os últimos três meses de 2018.

Na passagem de fevereiro para março, as vendas do varejo cresceram 0,3%. O resultado ficou abaixo da média das projeções de 30 analistas ouvidos pelo Valor Data, de alta de 1%. Segundo o IBGE, o varejo foi basicamente salvo pelas vendas de produtos farmacêuticos, que aumentaram 1,4% em comparação a fevereiro, refletindo um movimento inesperado de antecipação de aquisição de remédios.

"Foi amplamente divulgado nas farmácias que haveria um reajuste oficial a partir de abril. Como é um produto de uso contínuo e uma necessidade básica, é possível que o anúncio tenha relação com uma antecipação de consumo", disse Isabella Nunes Pereira, gerente da pesquisa do IBGE.

Dos oito ramos do varejo acompanhados pelo IBGE, cinco venderam menos no mês. As principais pressões negativas vieram de combustíveis e lubrificantes (-0,8%) e de hiper e supermercados (-0,4%). Em ambos os casos, a queda estaria relacionada ao aumento de preços, de gasolina e alimentos, respectivamente, disse a técnica do IBGE.

Já o varejo ampliado - que inclui veículos e material de construção, além dos demais oito ramos - avançou 1,1% em março, frente a fevereiro, e acumulou alta de 0,3% no primeiro trimestre ante os três últimos meses de 2018.

Após frustrar as expectativas em março, com vendas abaixo do esperado, o varejo deverá recuar 1,6% pelo conceito restrito em abril, na comparação com o mês anterior, segundo estimativas da MCM Consultores. Para o Itaú Unibanco, com base em indicadores coincidentes disponíveis, o varejo restrito deverá recuar 0,7% em abril, e o varejo ampliado deverá mostrar baixa de 0,1%.

Isabela Tavares, analista da Tendências Consultoria Integrada, acredita que a recuperação seguirá lenta nos próximos meses, até que haja sinais contundentes de que a reforma da Previdência será aprovada no Congresso. "O nosso cenário coloca a aprovação da reforma em outubro, mas é possível que no terceiro trimestre, com sinais de concretização da aprovação, a confiança comece a melhorar."

Christian Thorgaard, analista da Parallaxis, avalia que o consumo voltará a ganhar "tração" no momento em que as atividades mais ligadas ao crédito voltarem ao terreno positivo. "As condições conjunturais estão ambíguas, com inflação sob controle e juros mais baixos de um lado, e mercado de trabalho desaquecido de outro, o que pode retardar o crescimento das vendas do varejo."