O governo de centro-esquerda da Itália defendeu ontem suas realizações na economia, quatro dias antes das eleições legislativas, após a divulgação de um medíocre relatório mensal de nível de emprego, que mostrou que a taxa de desemprego subiu para 11,1%.
O governo de centro-esquerda da Itália defendeu ontem suas realizações na economia, quatro dias antes das eleições legislativas, após a divulgação de um medíocre relatório mensal de nível de emprego, que mostrou que a taxa de desemprego subiu para 11,1%. Crédito: Divulgação
Os dados, que contrariaram as previsões, estimularam ataques da oposição.

"Temos mais crescimento, um déficit menor, mais empregos e a dívida pública está caindo", escreveu o premiê italiano, Paolo Gentiloni, em mensagem divulgada pelo Twitter. "Agora temos de trabalhar para que esse crescimento da economia traga crescimento social. Assim, não sairemos do eixo nem poremos tudo a perder."

A insatisfação generalizada com o ritmo da recuperação da Itália - que se acelerou no ano passado para 1,5%, mas continua inferior à média da zona do euro - é um dos principais motivos da queda de popularidade do governo do Partido Democrático (PD).

No domingo, o governo de centro-esquerda corre o risco de ser desbancado por uma coligação de centro-direita capitaneada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi e que inclui a Liga Norte e o Irmãos da Itália, dois partidos eurocéticos de extrema-direita. O PD também tende a a ficar atrás do partido anti-establishment Movimento 5 Estrelas (M5S, na sigla em italiano).

Berlusconi e seus parceiros de coligação deram ontem em Roma a última entrevista coletiva antes das eleições. Eles criticaram o governo Gentiloni pela fragilidade da economia e pela escalada da imigração nos últimos anos. "Algumas pessoas dizem [querer] mais Europa; eu digo mais Itália", afirmou Matteo Salvini, líder da xenófoba Liga Norte.

Já o líder do M5S, Luigi Di Maio, divulgou os nomes dos membros de seu possível gabinete, entre os quais Andrea Roventini, professor de economia política da Universidade Sant'Anna de Pisa, como ministro das Finanças. "Não propomos ideias estranhas ou utópicas, mas vamos pôr maior ênfase no crescimento e nos investimentos públicos, mantendo, ao mesmo tempo, as finanças públicas sob controle", disse Roventini ao jornal econômico "Il Sole 24 Ore".

Di Maio divulgou suas escolhas ministeriais antes das eleições, a fim de tentar tranquilizar o eleitorado sobre a capacidade do 5 Estrelas de governar o país, mas críticos disseram que os nomes, pouco conhecidos, também são pouco empolgantes. "Isso não é Cartola FC", disse o ex-premiê Matteo Renzi, líder do PD e candidato do partido a presidir o próximo governo.

A lei italiana proíbe a divulgação de pesquisas de intenção de voto duas semanas antes das eleições. As últimas pesquisas indicavam que nenhum partido ou coligação deverá obter maioria no Parlamento, o que tornará necessária a negociação de uma coalizão de governo, que ainda não está clara. Assim, pode levar semanas até que seja definido o próximo premiê.
Autoridades do PD esperam que eleitores indecisos acabem optando pelo partido, que tirou o país de uma forte recessão. Se o PD evitar o colapso, poderá até mesmo formar uma grande coalizão de governo com Berlusconi, talvez até garantindo a Gentiloni um segundo mandato como premiê.

"O PD ainda pode ganhar. Acho que os italianos são inteligentes, e não bobos, e saberão escolher entre os que mostraram competência e seriedade, em comparação com os que vêm fazendo as mesmas promessas nos últimos 20 anos", disse ontem Graziano Delrio, o ministro dos Transportes, em entrevista a uma rádio.



O último dado do mercado de trabalho antes da eleição não favorece particularmente o PD.

O número de italianos empregados subiu em 25 mil em janeiro, somando-se à cerca de um milhão de vagas criadas nos últimos anos, mas o número de desempregados aumentou em 64 mil pessoas. A taxa de desemprego subiu pela primeira vez desde o terceiro trimestre do ano passado, para 11,1%.

Há sinais animadores entre os dados: o número de italianos inativos caiu em 83 mil, à medida que eles voltaram ao mercado de trabalho, à procura de empregos, enquanto o desemprego entre jovens caiu para 31,5%, o menor patamar desde 2011. A taxa de emprego feminino alcançou o maior patamar da história.
O governo de centro-esquerda da Itália defendeu ontem suas realizações na economia, quatro dias antes das eleições legislativas, após a divulgação de um medíocre relatório mensal de nível de emprego, que mostrou que a taxa de desemprego subiu para 11,1%. Crédito: Divulgação
Os dados, que contrariaram as previsões, estimularam ataques da oposição.

"Temos mais crescimento, um déficit menor, mais empregos e a dívida pública está caindo", escreveu o premiê italiano, Paolo Gentiloni, em mensagem divulgada pelo Twitter. "Agora temos de trabalhar para que esse crescimento da economia traga crescimento social. Assim, não sairemos do eixo nem poremos tudo a perder."

A insatisfação generalizada com o ritmo da recuperação da Itália - que se acelerou no ano passado para 1,5%, mas continua inferior à média da zona do euro - é um dos principais motivos da queda de popularidade do governo do Partido Democrático (PD).

No domingo, o governo de centro-esquerda corre o risco de ser desbancado por uma coligação de centro-direita capitaneada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi e que inclui a Liga Norte e o Irmãos da Itália, dois partidos eurocéticos de extrema-direita. O PD também tende a a ficar atrás do partido anti-establishment Movimento 5 Estrelas (M5S, na sigla em italiano).

Berlusconi e seus parceiros de coligação deram ontem em Roma a última entrevista coletiva antes das eleições. Eles criticaram o governo Gentiloni pela fragilidade da economia e pela escalada da imigração nos últimos anos. "Algumas pessoas dizem [querer] mais Europa; eu digo mais Itália", afirmou Matteo Salvini, líder da xenófoba Liga Norte.

Já o líder do M5S, Luigi Di Maio, divulgou os nomes dos membros de seu possível gabinete, entre os quais Andrea Roventini, professor de economia política da Universidade Sant'Anna de Pisa, como ministro das Finanças. "Não propomos ideias estranhas ou utópicas, mas vamos pôr maior ênfase no crescimento e nos investimentos públicos, mantendo, ao mesmo tempo, as finanças públicas sob controle", disse Roventini ao jornal econômico "Il Sole 24 Ore".

Di Maio divulgou suas escolhas ministeriais antes das eleições, a fim de tentar tranquilizar o eleitorado sobre a capacidade do 5 Estrelas de governar o país, mas críticos disseram que os nomes, pouco conhecidos, também são pouco empolgantes. "Isso não é Cartola FC", disse o ex-premiê Matteo Renzi, líder do PD e candidato do partido a presidir o próximo governo.

A lei italiana proíbe a divulgação de pesquisas de intenção de voto duas semanas antes das eleições. As últimas pesquisas indicavam que nenhum partido ou coligação deverá obter maioria no Parlamento, o que tornará necessária a negociação de uma coalizão de governo, que ainda não está clara. Assim, pode levar semanas até que seja definido o próximo premiê.
Autoridades do PD esperam que eleitores indecisos acabem optando pelo partido, que tirou o país de uma forte recessão. Se o PD evitar o colapso, poderá até mesmo formar uma grande coalizão de governo com Berlusconi, talvez até garantindo a Gentiloni um segundo mandato como premiê.

"O PD ainda pode ganhar. Acho que os italianos são inteligentes, e não bobos, e saberão escolher entre os que mostraram competência e seriedade, em comparação com os que vêm fazendo as mesmas promessas nos últimos 20 anos", disse ontem Graziano Delrio, o ministro dos Transportes, em entrevista a uma rádio.



O último dado do mercado de trabalho antes da eleição não favorece particularmente o PD.

O número de italianos empregados subiu em 25 mil em janeiro, somando-se à cerca de um milhão de vagas criadas nos últimos anos, mas o número de desempregados aumentou em 64 mil pessoas. A taxa de desemprego subiu pela primeira vez desde o terceiro trimestre do ano passado, para 11,1%.

Há sinais animadores entre os dados: o número de italianos inativos caiu em 83 mil, à medida que eles voltaram ao mercado de trabalho, à procura de empregos, enquanto o desemprego entre jovens caiu para 31,5%, o menor patamar desde 2011. A taxa de emprego feminino alcançou o maior patamar da história.