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ANO VIII - Nº 403 09.MAI.2013

 
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1º DE MAIO
Movimento sindical critica
governo por causa da inflação 

As comemorações do 1º de Maio das Centrais Sindicais unificaram o discurso do movimento sindical brasileiro nas críticas ao governo federal que, na visão dos dirigentes, tem se mostrado leniente no combate à inflação. Eles também mantiveram o mesmo discurso na defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que fez exatos 70 anos no Dia do Trabalhador.  Foto: Jaélcio Santana
Paulinho: Sugerimos reposição aos salários toda a vez que
a inflação atingir 3%

A aceleração dos preços verificada nos últimos meses — principalmente no item alimentação — tem tirado o sono dos trabalhadores, temerosos que a pressão inflacionária corroa os salários, jogando por terra as conquistas sociais obtidas principalmente a partir do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gatilho salarial
Por isso, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, sugeriu a volta do gatilho salarial, instrumento por meio do qual os salários são reajustados automaticamente quando a inflação atingir um patamar predeterminado. “No caso em pauta, sugerimos reposição aos salários toda a vez que a inflação atingir 3%”, apontou Paulinho.Foto: Tiago Santana

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário geral da Força Sindical

“Os trabalhadores têm sentido na pela a alta dos preços dos alimentos. “A inflação está subindo; é uma praga que corroi os salários”, complementou o secretário-geral da Central, João Carlos Gonçalves, o Juruna. A situação é tão preocupante que o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo reabriu a campanha salarial.

Metalúrgicos
A proposta de reposição será submetida à votação dos metalúrgicos em assembleia geral marcada para o próximo dia 25. Segundo o presidente do sindicato, Miguel Torres, o reajuste de 8% conquistado no ano passado já foi corroído pela inflação.

O presidente da Fecomerciários, Luiz Carlos Motta, destacou a vitória da categoria pela conquista da regulamentação da profissão comerciária que beneficia cerca de 12 milhões de trabalhadores no País. Foto: Arquivo Força Sindical

Eunice Cabral, presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo

Bangladesh
Ao lembrar o terrível acidente num prédio que abrigava cinco confecções, em Bangladesh, e que matou mais de 600 trabalhadores, a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, Eunice Cabral, disse que a segurança nos locais de trabalho também é um item importante da pauta de reivindicação do movimento sindical.

João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical, explicou que os trabalhadores estão revoltados com a presidenta Dilma Rousseff, que, na visão dele, tem tratado o movimento sindical com descaso.

Revolta
“Dilma, não agüentamos mais o tratamento recebido nos últimos tempos,” reclamou ele, ao acrescentar que defende a extinção do fator previdenciário e a valorização das aposentadorias.

As centrais sindicais têm que manter a luta pela manutenção dos direitos já conquistados, pois setores mais conservadores da sociedade (patrões, banqueiros e parte dos meios de comunicação) querem acabar com as conquistas trabalhistas, aconselhou o presidente da Força Sindical-São Paulo, Danilo Pereira da Silva. 

 


Foto: Jaélcio SantanaPaulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical

Lutar para repor o poder
de compra dos salários

Nos 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho, o movimento sindical precisa orientar os trabalhadores sobre os riscos que eles correm de perder direitos conquistados ao longo de décadas de lutas.

O espectro da flexibilização da CLT ronda as relações capital e trabalho, pois parte do governo, patrões e alguns setores vinculados aos empregados pretendem cortar direitos e outros querem até acabar com a CLT.

Esta luta é prioritária. Mas precisamos avançar. Em 2010, a Força Sindical e as demais centrais elaboraram uma pauta de reivindicações, que foi entregue ao governo federal e a então candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff.

No encontro que mantivemos com ela, destacamos nossas principais bandeiras, entre as quais redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, valorização das aposentadorias, reforma agrária e recursos para a saúde e educação. Ela se mostrou muito solícita.

Qual não foi nossa decepção quando Dilma já presidente passou a nos evitar, a tratar os trabalhadores e seus representantes como um segmento social sem importância. Recebeu a Força Sindical apenas duas vezes, enquanto manteve quase uma centena de reuniões com os patrões.

Ela recebe empresários, e parece detestar trabalhador. Para nós, ela manda os agentes da Abin nos espionar. Ataca também o Judiciário. Na administração do País têm sido vacilante. Perdeu o controle da inflação.

Os trabalhadores têm sentido na pele o aumento dos preços dos alimentos. Por isso, a Força Sindical sugere aos sindicatos filiados e à sociedade em geral a luta pela reposição salarial toda a vez que a inflação atingir 3%. O objetivo é manter o poder de compra dos salários.


Foto: ArquivoJaime Porto, presidente do Sindicato dos Práticos de Farmácia de Santos e Região - Sinprafarmas

 

1º de Maio no País
Central discute manutenção
e  ampliação de direitos

No Interior de São Paulo e nos estados brasileiros, a Força Sindical, sindicatos filiados e as demais centrais centraram fogo na luta pela preservação de direitos, nos embates por novas conquistas e na comemoração pelos 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para o presidente da Força Sindical-São Paulo, Danilo Pereira da Silva, o desafio para o movimento sindical é manter uma rede de proteção para os trabalhadores e fazer cursos de requalificação. “Precisamos estar sempre atualizados para agirmos de forma rápida e efetiva quando for necessário para defender os  trabalhadores”, disse ele.Foto: Arquivo
Em Curitiba milhares de trabalhadores foram a festa

Curitiba
Em Curitiba, mais de 100 mil pessoas compareceram ao 1º de Maio da Força Sindical-PR, e em mais 18 Municípios. “Também lutamos pela criação de uma política permanente de valorização do salário mínimo regional”, afirmou o presidente da Central-PR, Sérgio Butka.Foto: Daiana Rodrigues

Cláudio Guimarães Silva, o Janta, presidente da Força-RS

Por causa do aumento da inflação, o presidente da Força-RS, Cláudio Guimarães Silva, o Janta, defendeu a criação de um gatilho salarial. “Não podemos conviver mais com defasagem salarial”, lamentou ele.

Outras bandeiras
“Precisamos lutar pela redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário e denunciar que recursos têm saído da Previdência Social para facilitar a vida dos banqueiros e empresários”, denunciou, Osvaldo Mafra, presidente da Central-SC.

“Além do lazer, é de extrema importância nesta data histórica refletirmos sobre as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores”, observou Nair Goulart, presidente da Força Sindical-BA, nas comemorações na cidade de Ilhéus.

Respeito
Já o presidente em exercício da central em Minas Gerais, Carlos Malaquias, destacou que a data é um dia especial para os trabalhadores. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Rio de janeiro e vice-presidente da Força RJ, Carlos Antônio de Souza, garantiu: “Não abrimos mão das garantias trabalhistas”.

“O governo precisa respeitar mais o trabalhador”, disse Francisco Dal Prá, presidente da Central-RJ, ao defender o fim do fator previdenciário.

Dica de leitura

imagem ilustrativaOrganização Sindical no Brasil
Autor: José Carlos Arouca

Organização Sindical no Brasil. Passado-Presente-Futuro(?)’, de autoria de José Carlos Arouca, é um livro indispensável para conhecer a história do sindicalismo no Brasil, o momento presente e o futuro. Mesmo diante de tantas mudanças nos processos de produção, com as grandes corporações definindo as regras do mercado, o movimento sindical continuará. Caso contrário voltaríamos à situação de escravidão”, declarou o autor do livro.

Mais informações:
www.ltr.com.br

CLT sempre ameaçada!

Passados setenta anos de sua criação, a Consolidação da Leis do Trabalho (CLT) continua sendo uma legislação atual, porque os valores que consagra, não saem de moda, ou  seja, o trabalhador é valorizado. Ele é a razão deste conjunto de leis, que lhe assegura os direitos mínimos para uma relação equilibrada com o “capital”.

Por isso, temos que pensar nesses direitos para os dias de hoje, não como um empecilho à modernização das relações de trabalho no país, mas como um conjunto de leis, que protege o trabalhador e permite às empresas competir de igual para igual.

Cada conquista social que o trabalhador conseguiu através da CLT tem ajudado a combater os desmandos na procura do lucro, o trabalho infantil, o trabalho escravo e toda espécie de exploração agressora da dignidade da pessoa humana.

Desde sua criação, a CLT tem recebido emendas e críticas, novos direitos foram conquistados pelos trabalhadores, mas, com recorrência, aparecem defensores de sua extinção, acusando a lei de retrógrada e “engessada”.

A extinção ou a flexibilização das leis do trabalho são uma ameaça permanente, que obriga o trabalhador estar sempre em estado de alerta. O movimento sindical brasileiro têm no que fundamentar seus receios pois, no Congresso Nacional, ainda existem “burgueses e escravocratas” com várias iniciativas, em andamento, que vão desde pequenas alterações até a desregulamentação completa das leis trabalhistas.

Revisões que contemplem novos desafios que a cada dia aparecem são bem vindas, mas devem ser analisadas com cautela, sem jamais suprimir a maior as conquistas dos trabalhadores. A CLT depois de 70 anos ainda é um excelente marco regulatório nas relações modernas entre capital e trabalho,  que deve ser preservada.

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semana

Centrais mantêm bandeiras em reunião com governo ...
Na reunião agendada para a próxima terça-feira (14 de maio) com o ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, dirigentes das Centrais Sindicais prometem não retirar nenhuma reivindicação que consta da pauta trabalhista entregue à presidente Dilma Rousseff, em março, durante a 7ª Marcha da Classe Trabalhadora. Redução da jornada de trabalho sem o corte nos salários, revogação do fator previdenciário e valorização das aposentadorias são as principais bandeiras do movimento sindical.

...Trabalhador quer ouvir o que o Executivo tem a dizer ...
Dirigentes da Força Sindical, UGT,  CTB, CGTB, NCST e CUT afirmaram em reunião realizada dias atrás que não vão aceitar uma pauta do governo federal como chegou a ser noticiada pela imprensa. Os representantes dos trabalhadores lembraram que suas reivindicações já foram apresentadas à presidenta Dilma. Agora, explicaram em entrevista coletiva, o momento é de os trabalhadores ouvirem a posição do governo sobre a pauta. A partir daí pode-se dar início ao processo de negociação.

... Centrais Sindicais prometem intensificar mobilização
O movimento sindical definiu que está disposto a negociar com o representante do governo federal, porém espera sinais claros de que o Planalto também está inclinado a debater a pauta trabalhista, sem excluir nenhuma bandeira. Ao mesmo tempo, o recado aos sindicatos é de intensificarem o processo de mobilização das bases, essencial para pressionar o Executivo a atender às reivindicações. Além da jornada, do fator e das aposentadorias, os trabalhadores defendem a volta do investimento do Estado, mais investimentos na saúde e educação, reforma agrária, igualdade, regulamentação e ratificação das  Convenções 151 e 158 da OIT.

Força Mail é uma publicação da Força Sindical/Brasil - filiada à CSI/CSA
Redação: Antônio Diniz
Tradução para o inglês: Luciana Ruy
Tradução para o espanhol: Júlio César dos Santos Guimarães
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