A taxa média de desemprego em 2019 pode ficar acima daquela de 2018, já acreditam alguns economistas. Para estes analistas, a discrepância entre o comportamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que antes levava a crer que uma melhora do mercado de trabalho formal estava em curso, agora sugere que as vagas com carteira que estão sendo geradas podem não ser suficientes.

A posição ainda é minoritária entre os economistas, mas era impensável até há pouco. A taxa de desocupação encerrou o primeiro trimestre em 12,7% e o país somava então 13,4 milhões de desempregados.

O Bradesco elevou sua estimativa para a taxa média de desemprego em 2019 de 12,3% para 12,7%, patamar que devolveria o indicador ao nível de 2017 e acima da média de 12,3% registrada em 2018. Segundo o banco, o desempenho pior do que o esperado para o Caged no primeiro trimestre foi a causa da revisão para cima.

Na semana passada, o banco piorou suas estimativas para o PIB de 2019 e do primeiro trimestre, para alta de 1,1% e queda de 0,2%, respectivamente. "Sem um ritmo claro de retomada, a confiança de empresários e consumidores para os próximos seis meses continuou cedendo, o que tem impacto em investimentos e emprego", observa a instituição em relatório.

A equipe do Bradesco destaca que os dados de emprego formal voltaram a registrar fechamento líquido de vagas em março (43,2 mil, segundo o Caged) e a média dos últimos três meses cedeu para 17 mil postos criados. "Para manter a taxa de desemprego estável, são necessárias 50 mil vagas formais abertas por mês", observam os economistas. "Com isso, elevamos nossa projeção para a taxa de desemprego para 12,7%."

O banco já havia alertado, por ocasião da divulgação da Pnad do primeiro trimestre, que a discrepância entre a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o registro administrativo do Ministério da Economia passou a jogar contra as expectativas para o mercado de trabalho.

Desde o ano passado, o Caged mostrava seguidos meses de saldos positivos de geração de vagas formais, enquanto o emprego com carteira assinada não dava nenhum sinal de melhora na Pnad. Economistas não conseguiam explicar a discrepância, mas apontavam para a defasagem entre os dados devido às diferentes metodologias, e diziam que a melhora do Caged provavelmente anunciava uma recuperação também na Pnad, que seria só questão de meses.

No trimestre encerrado em março, de fato, a população ocupada no setor privado com carteira teve seu primeiro crescimento na comparação interanual (0,25%) depois de uma sequência de 49 meses de quedas. O resultado foi comemorado por analistas, que também destacaram a aceleração da ocupação em geral, com alta de 1,8% no período, acima do avanço de 1,2% registrado até fevereiro, sempre na base anual.

O Bradesco avalia, porém, que ao olhar para a Pnad, talvez estejamos olhando para o passado. "Há um descasamento entre os dados do Caged e os da Pnad Contínua, sendo que os últimos começaram a reportar apenas agora a melhora do emprego formal observada no final de 2018", observam os economistas. "Caso essa defasagem se mantenha, há o risco de um novo aumento da taxa de desemprego nos próximos meses, visto que a geração de emprego formal perdeu tração no início deste ano."

A A.C. Pastore, consultoria do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, também destaca a discrepância entre os levantamentos, mas avalia que, como a série da Pnad Contínua é muito curta (a pesquisa teve início em 2012), não é possível estabelecer uma relação de precedência temporal entre as séries. Os economistas preferem então olhar para outros indicadores que ajudam a traçar a tendência do mercado de trabalho nos próximos meses.

Eles destacam que, no indicador de confiança empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu em abril o percentual de empresas que pretendem reduzir o seu quadro de funcionários (de 12% em janeiro para 14%) e caiu as que planejam contratar (de 19% no começo do ano para 16,5%). Na confiança do consumidor, cresceu o percentual de indivíduos que acreditam que é mais difícil encontrar emprego, e desde o último trimestre de 2015 este percentual se encontra acima de 90%.

"Com base nas informações das pesquisas de confiança não é possível apostar em uma tendência robusta de recuperação do emprego", escrevem os economistas, em relatório. Eles destacam que o ritmo de crescimento econômico também não parece compatível com uma aceleração do mercado de trabalho.

Apesar da estimativa do Bradesco representar uma novidade, ela ainda não é uma tendência entre os economistas. O Itaú, por exemplo, cortou sua projeção para o PIB em 2019 e 2020 para 1,0% e 2,0%, respectivamente, mas ainda espera uma queda gradativa da taxa média de desemprego de 12,3% em 2018 para 12,0% e 11,6% nos dois anos seguintes.

Mais otimista, a MCM Consultores espera uma taxa de desemprego média de 11,8% neste ano, com crescimento de 1,3% da população ocupada e de 0,5% da força de trabalho. Do crescimento da população ocupada, 0,4 ponto percentual deverá ser fruto do crescimento dos trabalhadores formais, cujo contingente deve apresentar crescimento de 0,7% no ano.

 

A posição ainda é minoritária entre os economistas, mas era impensável até há pouco. A taxa de desocupação encerrou o primeiro trimestre em 12,7% e o país somava então 13,4 milhões de desempregados.

O Bradesco elevou sua estimativa para a taxa média de desemprego em 2019 de 12,3% para 12,7%, patamar que devolveria o indicador ao nível de 2017 e acima da média de 12,3% registrada em 2018. Segundo o banco, o desempenho pior do que o esperado para o Caged no primeiro trimestre foi a causa da revisão para cima.

Na semana passada, o banco piorou suas estimativas para o PIB de 2019 e do primeiro trimestre, para alta de 1,1% e queda de 0,2%, respectivamente. "Sem um ritmo claro de retomada, a confiança de empresários e consumidores para os próximos seis meses continuou cedendo, o que tem impacto em investimentos e emprego", observa a instituição em relatório.

A equipe do Bradesco destaca que os dados de emprego formal voltaram a registrar fechamento líquido de vagas em março (43,2 mil, segundo o Caged) e a média dos últimos três meses cedeu para 17 mil postos criados. "Para manter a taxa de desemprego estável, são necessárias 50 mil vagas formais abertas por mês", observam os economistas. "Com isso, elevamos nossa projeção para a taxa de desemprego para 12,7%."

O banco já havia alertado, por ocasião da divulgação da Pnad do primeiro trimestre, que a discrepância entre a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o registro administrativo do Ministério da Economia passou a jogar contra as expectativas para o mercado de trabalho.

Desde o ano passado, o Caged mostrava seguidos meses de saldos positivos de geração de vagas formais, enquanto o emprego com carteira assinada não dava nenhum sinal de melhora na Pnad. Economistas não conseguiam explicar a discrepância, mas apontavam para a defasagem entre os dados devido às diferentes metodologias, e diziam que a melhora do Caged provavelmente anunciava uma recuperação também na Pnad, que seria só questão de meses.

No trimestre encerrado em março, de fato, a população ocupada no setor privado com carteira teve seu primeiro crescimento na comparação interanual (0,25%) depois de uma sequência de 49 meses de quedas. O resultado foi comemorado por analistas, que também destacaram a aceleração da ocupação em geral, com alta de 1,8% no período, acima do avanço de 1,2% registrado até fevereiro, sempre na base anual.

O Bradesco avalia, porém, que ao olhar para a Pnad, talvez estejamos olhando para o passado. "Há um descasamento entre os dados do Caged e os da Pnad Contínua, sendo que os últimos começaram a reportar apenas agora a melhora do emprego formal observada no final de 2018", observam os economistas. "Caso essa defasagem se mantenha, há o risco de um novo aumento da taxa de desemprego nos próximos meses, visto que a geração de emprego formal perdeu tração no início deste ano."

A A.C. Pastore, consultoria do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, também destaca a discrepância entre os levantamentos, mas avalia que, como a série da Pnad Contínua é muito curta (a pesquisa teve início em 2012), não é possível estabelecer uma relação de precedência temporal entre as séries. Os economistas preferem então olhar para outros indicadores que ajudam a traçar a tendência do mercado de trabalho nos próximos meses.

Eles destacam que, no indicador de confiança empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu em abril o percentual de empresas que pretendem reduzir o seu quadro de funcionários (de 12% em janeiro para 14%) e caiu as que planejam contratar (de 19% no começo do ano para 16,5%). Na confiança do consumidor, cresceu o percentual de indivíduos que acreditam que é mais difícil encontrar emprego, e desde o último trimestre de 2015 este percentual se encontra acima de 90%.

"Com base nas informações das pesquisas de confiança não é possível apostar em uma tendência robusta de recuperação do emprego", escrevem os economistas, em relatório. Eles destacam que o ritmo de crescimento econômico também não parece compatível com uma aceleração do mercado de trabalho.

Apesar da estimativa do Bradesco representar uma novidade, ela ainda não é uma tendência entre os economistas. O Itaú, por exemplo, cortou sua projeção para o PIB em 2019 e 2020 para 1,0% e 2,0%, respectivamente, mas ainda espera uma queda gradativa da taxa média de desemprego de 12,3% em 2018 para 12,0% e 11,6% nos dois anos seguintes.

Mais otimista, a MCM Consultores espera uma taxa de desemprego média de 11,8% neste ano, com crescimento de 1,3% da população ocupada e de 0,5% da força de trabalho. Do crescimento da população ocupada, 0,4 ponto percentual deverá ser fruto do crescimento dos trabalhadores formais, cujo contingente deve apresentar crescimento de 0,7% no ano.