O pagamento do 13º salário dos aposentados e pensionistas da região irá injetar na economia local cerca de R$ 497,45 milhões.

Divulgação

Não fosse o desconto do Imposto de Renda na segunda parcela da gratificação natalina – paga entre novembro e dezembro –, o montante seria ainda maior: R$ 523,65 milhões. A primeira parcela já foi depositada entre agosto e setembro.

Os cálculos foram feitos com base nos valores médios dos benefícios da região. Nas sete cidades existem, de acordo com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 392.679 aposentados e pensionistas, com média salarial de R$ 1.333. Segundo o diretor de políticas públicas da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, Luís Antonio Ferreira Rodrigues, cerca de 10% da segunda parcela é destinada ao pagamento do Imposto de Renda.

Ainda de acordo com ele, 40% dos beneficiários que vivem nas sete cidades utilizam o bônus de fim de ano para quitar dívidas de cartões, como os de redes supermercadistas, bastante utilizados pela categoria para compra de remédios, inclusive.

Outros 32% investem a gratificação na compra de presentes e arcando com os gastos de fim de ano. Já 20% reservam o salário adicional para amortizar as prestações construídas com o crédito consignado (aquele que é descontado direto da folha de pagamento). “Apenas 8% conseguem investir em viagens e lazer nesta época do ano”, afirma o diretor da entidade.

Vale lembrar que, na região, 70% dos aposentados e pensionistas do INSS estão endividados. “Muitos recebem apenas um salário-mínimo (atuais R$ 678). Não tem como não contraírem dívidas. Não é o suficiente para viver em tempos como esses”, explica Rodrigues.

COBERTOR CURTO

Poupar o valor do 13º salário foi a solução encontrada pelo aposentado Osmar Soares de Oliveira, de 77 anos. O morador de Santo André não irá gastar R$ 1 da gratificação. O montante será depositado na poupança. Ele mora sozinho e, mesmo assim, se preocupa com o futuro. “Tenho guardado dinheiro desde novo. Sempre separei cerca de R$ 200 por mês. Hoje, essa reserva é o que me salva.”

 “Desde que me aposentei, há dez anos, não consigo sobreviver com o benefício mensal. Então, retiro cerca de R$ 1.000 (da poupança) ao mês para pagar minhas contas. Ganho apenas um salário-mínimo, além de pagar aluguel (R$ 700), todas as despesas da casa, convênio e remédios. Por isso, no Natal não gasto com artigos da época. Como o básico e preservo meu benefício.”

Se por um lado a preocupação é garantir dias tranquilos, por outro, a prioridade é diminuir, nem que seja um pouco, o volume de dívidas. A aposentada Maria Aparecida Correia Rodrigues, 56, de Diadema, vai quitar parte de seu empréstimo. “O que ganho mal dá para viver. O jeito foi fazer um consignado.” O salário que recebe (pouco menos de R$ 1.000) precisa se multiplicar diante do aluguel (R$ 800), gastos com medicamentos (R$ 400), e demais despesas. “Moro com minha filha e dividimos algumas contas, mas, mesmo assim, fica muito pesado. O 13º virá em boa hora, pena é que pouquinho”, brinca.

Já os aposentados que possuem casa própria e recebem um pouco mais que um salário-mínimo conseguem usufruir, de fato, da gratificação. A aposentada Nilda Vivan Trazzi, 73, de Santo André, vai gastar seu benefício extra com uma viagem à sua cidade natal: Getulina, no Interior Paulista. “Vou ver minha irmã, passear um pouco por lá, rever as amigas. É um privilégio poder gastar boa parte do 13º com lazer e com a compra de presentes para netos e bisnetos”, pontua.

Mesmo assim, a professora aposentada, que recebe em torno de R$ 2.800, irá deixar uma pequena parte na conta. “Já separei a quantia que vou gastar com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e nas ceias do Natal e Ano-Novo. Apesar de estar com uma vida confortável, sempre é bom ter uma quantia para imprevistos”, disse Nilda, ao contar que, quando tinha o marido vivo já precisou pegar consignado, mas hoje preza pelas contas em dia. “Coloco tudo na ponta do lápis.”


 

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Não fosse o desconto do Imposto de Renda na segunda parcela da gratificação natalina – paga entre novembro e dezembro –, o montante seria ainda maior: R$ 523,65 milhões. A primeira parcela já foi depositada entre agosto e setembro.

Os cálculos foram feitos com base nos valores médios dos benefícios da região. Nas sete cidades existem, de acordo com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 392.679 aposentados e pensionistas, com média salarial de R$ 1.333. Segundo o diretor de políticas públicas da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, Luís Antonio Ferreira Rodrigues, cerca de 10% da segunda parcela é destinada ao pagamento do Imposto de Renda.

Ainda de acordo com ele, 40% dos beneficiários que vivem nas sete cidades utilizam o bônus de fim de ano para quitar dívidas de cartões, como os de redes supermercadistas, bastante utilizados pela categoria para compra de remédios, inclusive.

Outros 32% investem a gratificação na compra de presentes e arcando com os gastos de fim de ano. Já 20% reservam o salário adicional para amortizar as prestações construídas com o crédito consignado (aquele que é descontado direto da folha de pagamento). “Apenas 8% conseguem investir em viagens e lazer nesta época do ano”, afirma o diretor da entidade.

Vale lembrar que, na região, 70% dos aposentados e pensionistas do INSS estão endividados. “Muitos recebem apenas um salário-mínimo (atuais R$ 678). Não tem como não contraírem dívidas. Não é o suficiente para viver em tempos como esses”, explica Rodrigues.

COBERTOR CURTO

Poupar o valor do 13º salário foi a solução encontrada pelo aposentado Osmar Soares de Oliveira, de 77 anos. O morador de Santo André não irá gastar R$ 1 da gratificação. O montante será depositado na poupança. Ele mora sozinho e, mesmo assim, se preocupa com o futuro. “Tenho guardado dinheiro desde novo. Sempre separei cerca de R$ 200 por mês. Hoje, essa reserva é o que me salva.”

 “Desde que me aposentei, há dez anos, não consigo sobreviver com o benefício mensal. Então, retiro cerca de R$ 1.000 (da poupança) ao mês para pagar minhas contas. Ganho apenas um salário-mínimo, além de pagar aluguel (R$ 700), todas as despesas da casa, convênio e remédios. Por isso, no Natal não gasto com artigos da época. Como o básico e preservo meu benefício.”

Se por um lado a preocupação é garantir dias tranquilos, por outro, a prioridade é diminuir, nem que seja um pouco, o volume de dívidas. A aposentada Maria Aparecida Correia Rodrigues, 56, de Diadema, vai quitar parte de seu empréstimo. “O que ganho mal dá para viver. O jeito foi fazer um consignado.” O salário que recebe (pouco menos de R$ 1.000) precisa se multiplicar diante do aluguel (R$ 800), gastos com medicamentos (R$ 400), e demais despesas. “Moro com minha filha e dividimos algumas contas, mas, mesmo assim, fica muito pesado. O 13º virá em boa hora, pena é que pouquinho”, brinca.

Já os aposentados que possuem casa própria e recebem um pouco mais que um salário-mínimo conseguem usufruir, de fato, da gratificação. A aposentada Nilda Vivan Trazzi, 73, de Santo André, vai gastar seu benefício extra com uma viagem à sua cidade natal: Getulina, no Interior Paulista. “Vou ver minha irmã, passear um pouco por lá, rever as amigas. É um privilégio poder gastar boa parte do 13º com lazer e com a compra de presentes para netos e bisnetos”, pontua.

Mesmo assim, a professora aposentada, que recebe em torno de R$ 2.800, irá deixar uma pequena parte na conta. “Já separei a quantia que vou gastar com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e nas ceias do Natal e Ano-Novo. Apesar de estar com uma vida confortável, sempre é bom ter uma quantia para imprevistos”, disse Nilda, ao contar que, quando tinha o marido vivo já precisou pegar consignado, mas hoje preza pelas contas em dia. “Coloco tudo na ponta do lápis.”