Os preços no curto prazo continuam pressionados por fatores pontuais, que devem se dissipar rapidamente, avaliam economistas. Segundo a estimativa média de 41 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses alcançou 4,99% em abril, taxa que, se confirmada, será a maior desde janeiro de 2017. A percepção, no entanto, é que o nível mais elevado é passageiro e, por isso, não preocupará o Banco Central.
Reajuste do INSS menor que inflação deixa aposentados no vermelho Crédito: Divulgação

Na passagem mensal, o indicador oficial de inflação cedeu pouco de acordo com a média dos analistas, de 0,75% em março para 0,62%. As projeções para o dado, que será divulgado hoje pelo IBGE, variam de alta de 0,53% a 0,68%.

Alimentos e combustíveis mantiveram a inflação relativamente elevada em abril, diz Fabio Romão, da LCA Consultores, para quem o IPCA subiu 0,63% no mês, ou 5% em 12 meses. Esta deve ser a maior variação anual em 2019, aponta. Em seus cálculos, a inflação acumulada nessa medida vai ceder a 4,76% em maio, e recuar ainda mais, para 3,8%, em junho.

A descompressão será forte no sexto mês do ano porque vai sair da conta de 12 meses o dado de junho de 2018, que ficou em 1,26%, lembra o economista, afetado pela greve dos caminhoneiros. Além da ajuda estatística, já há sinais de que a inflação de alimentos e combustíveis está perdendo força, observou.

A parte de alimentação e bebidas desacelerou de 1,37% em março para 0,72% no mês passado, estima Romão. Esses preços estão em um momento de transição, diz ele. Em maio, a tendência é que mais alimentos entrem no terreno negativo, o que deve levar o grupo como um todo a recuar também, avalia. "Os alimentos estão transitando para uma deflação que vai aparecer em maio e junho", disse.

Nos transportes - que, para a consultoria, desaceleraram de 1,44% para 1,03% -, Romão ressalta que o etanol deve ter mostrado descompressão expressiva, mas a gasolina subiu 2,71%, muito perto da taxa de 2,88% de março. Neste item, os reajustes já atingiram seu ápice, afirma o economista, uma vez que a escalada do petróleo no mercado internacional se estabilizou, assim como a taxa de câmbio.

Flávio Serrano, economista-sênior do Haitong, também projeta que o IPCA subiu 5% nos 12 meses até abril. A inflação acumulada acima da meta anual, de 4,25%, poderia indicar alguma preocupação à primeira vista, segundo ele, mas dois fatores apontam que a dinâmica inflacionária seguirá contida.

O comportamento dos núcleos de inflação, que reduzem ou excluem o impacto de itens voláteis sobre o IPCA, segue sob controle, nota o economista. No cenário do banco chinês, a média dos núcleos subiu 0,40% em abril, menos do que a "inflação cheia". Além disso, boa parte da inflação mais alta em 12 meses é causada por junho do ano passado, quando a paralisação do setor de transportes provocou choques de oferta, aponta ele.

Reajuste do INSS menor que inflação deixa aposentados no vermelho Crédito: Divulgação

Na passagem mensal, o indicador oficial de inflação cedeu pouco de acordo com a média dos analistas, de 0,75% em março para 0,62%. As projeções para o dado, que será divulgado hoje pelo IBGE, variam de alta de 0,53% a 0,68%.

Alimentos e combustíveis mantiveram a inflação relativamente elevada em abril, diz Fabio Romão, da LCA Consultores, para quem o IPCA subiu 0,63% no mês, ou 5% em 12 meses. Esta deve ser a maior variação anual em 2019, aponta. Em seus cálculos, a inflação acumulada nessa medida vai ceder a 4,76% em maio, e recuar ainda mais, para 3,8%, em junho.

A descompressão será forte no sexto mês do ano porque vai sair da conta de 12 meses o dado de junho de 2018, que ficou em 1,26%, lembra o economista, afetado pela greve dos caminhoneiros. Além da ajuda estatística, já há sinais de que a inflação de alimentos e combustíveis está perdendo força, observou.

A parte de alimentação e bebidas desacelerou de 1,37% em março para 0,72% no mês passado, estima Romão. Esses preços estão em um momento de transição, diz ele. Em maio, a tendência é que mais alimentos entrem no terreno negativo, o que deve levar o grupo como um todo a recuar também, avalia. "Os alimentos estão transitando para uma deflação que vai aparecer em maio e junho", disse.

Nos transportes - que, para a consultoria, desaceleraram de 1,44% para 1,03% -, Romão ressalta que o etanol deve ter mostrado descompressão expressiva, mas a gasolina subiu 2,71%, muito perto da taxa de 2,88% de março. Neste item, os reajustes já atingiram seu ápice, afirma o economista, uma vez que a escalada do petróleo no mercado internacional se estabilizou, assim como a taxa de câmbio.

Flávio Serrano, economista-sênior do Haitong, também projeta que o IPCA subiu 5% nos 12 meses até abril. A inflação acumulada acima da meta anual, de 4,25%, poderia indicar alguma preocupação à primeira vista, segundo ele, mas dois fatores apontam que a dinâmica inflacionária seguirá contida.

O comportamento dos núcleos de inflação, que reduzem ou excluem o impacto de itens voláteis sobre o IPCA, segue sob controle, nota o economista. No cenário do banco chinês, a média dos núcleos subiu 0,40% em abril, menos do que a "inflação cheia". Além disso, boa parte da inflação mais alta em 12 meses é causada por junho do ano passado, quando a paralisação do setor de transportes provocou choques de oferta, aponta ele.