A drástica reversão na perspectiva econômica da Argentina, de um crescimento de 3% para uma contração de 2,6% neste ano, terá um significativo impacto no mercado de trabalho.
ArgentinaCrédito: Arquivo

Até o fim do quarto trimestre, o total de vagas de emprego formal pode cair 2,3% em comparação com o ano passado. Isso significaria 340.000 postos de trabalho a menos.

As previsões são da consultoria Orlando J. Ferreres & Asociados, de Buenos Aires. Segundo o sociólogo Rosendo Plana, a recessão deve levar 260.000 de um total de 14,2 milhões de assalariados formais para o setor informal. "Isso levaria a um crescimento de 5,2% da informalidade", afirma.

Esses maus indicadores no mercado de trabalho, diz, são explicados pela taxa básica de juros acima de 70%, que reduz o acesso ao crédito, e pela pressão tributária com o novo imposto às exportações, que "tende a minar a atividade".

Segundo a consultoria, o setor de construção deve ser o que mais sentirá as consequências da recessão, porque depende muito dos investimentos públicos em infraestrutura. O projeto de Orçamento para 2019 apresentado ao Congresso em setembro prevê corte de 0,7% em investimentos em infraestrutura, para ajudar a reduzir déficit primário de 2,7% do PIB a zero no ano que vem.

Estima-se que a área de construção desacelere de um crescimento de 20% no quarto trimestre de 2017 para 3% no último trimestre deste ano. Fontes ligadas ao setor preveem redução de 40.000 postos de trabalho - 10% do total que o setor emprega - até o fim do ano.

O setor de comércio e serviços, que expandiu 0,8% em junho, na comparação com junho de 2017, deve sofrer com diminuição da demanda. O governo prevê queda de 3,4% do consumo privado no ano, dada a inflação estimada em ao menos 45% para o ano.

O agronegócio pode ser o menos impactado. A produção no campo é a grande esperança do governo para a retomada da economia no ano que vem, após contração em 2018 por conta da pior seca em 50 anos. Ao Valor, um empresário produtor de soja disse que não há previsão de demissões para os próximos meses.

O setor industrial, que vem encolhendo desde 2015, deve aprofundar a tendência. De acordo com informe do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), das 32.118 demissões nos oito primeiros meses do ano, 37% foram na indústria.

Pablo Dragún, coordenador do centro de estudos da União Industrial Argentina (UIA), afirma que desde 2015 o setor industrial é o que mais vem perdendo postos de trabalho formal. "E em um cenário com taxa de juros elevada, aumentos dos custos, e perspectiva de queda da demanda, é difícil pensar que alguém irá contratar", diz.

Em julho, 23,7% dos empresários da indústria disseram que reduziriam o pessoal contratado, em comparação com 11,6% no mesmo mês do ano passado, segundo Informe de Conjuntura do Instituto Trabalho e Economia. Das empresas de construção que trabalham para o setor privado, 33% preveem redução do número de funcionários. Daquelas que prestam serviços para o setor público, 49% falam em redução nos próximos meses.

O desemprego cresceu para 9,6% no segundo trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Além da previsão de fechamento de mais de 300.000 postos de trabalho neste ano, outros indicadores também apontam para deterioração do mercado de trabalho. A consultoria Fundación Capital estima que o salário real terá o menor crescimento desde 2009.

"Frente à aceleração inflacionária dos próximos meses, a queda do poder de compra na segunda metade do ano poderia superar 10%, deixando o salário real abaixo do nível de 2009", diz a consultoria em Buenos Aires, ao observar que no caso dos trabalhadores não registrados, a perda poderia ser ainda maior.

Com isso, observa, a massa salarial real (quantidade de empregados por salário médio) do setor privado contrairia 5,3% neste ano e mais 1,7% no ano que vem.

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Até o fim do quarto trimestre, o total de vagas de emprego formal pode cair 2,3% em comparação com o ano passado. Isso significaria 340.000 postos de trabalho a menos.

As previsões são da consultoria Orlando J. Ferreres & Asociados, de Buenos Aires. Segundo o sociólogo Rosendo Plana, a recessão deve levar 260.000 de um total de 14,2 milhões de assalariados formais para o setor informal. "Isso levaria a um crescimento de 5,2% da informalidade", afirma.

Esses maus indicadores no mercado de trabalho, diz, são explicados pela taxa básica de juros acima de 70%, que reduz o acesso ao crédito, e pela pressão tributária com o novo imposto às exportações, que "tende a minar a atividade".

Segundo a consultoria, o setor de construção deve ser o que mais sentirá as consequências da recessão, porque depende muito dos investimentos públicos em infraestrutura. O projeto de Orçamento para 2019 apresentado ao Congresso em setembro prevê corte de 0,7% em investimentos em infraestrutura, para ajudar a reduzir déficit primário de 2,7% do PIB a zero no ano que vem.

Estima-se que a área de construção desacelere de um crescimento de 20% no quarto trimestre de 2017 para 3% no último trimestre deste ano. Fontes ligadas ao setor preveem redução de 40.000 postos de trabalho - 10% do total que o setor emprega - até o fim do ano.

O setor de comércio e serviços, que expandiu 0,8% em junho, na comparação com junho de 2017, deve sofrer com diminuição da demanda. O governo prevê queda de 3,4% do consumo privado no ano, dada a inflação estimada em ao menos 45% para o ano.

O agronegócio pode ser o menos impactado. A produção no campo é a grande esperança do governo para a retomada da economia no ano que vem, após contração em 2018 por conta da pior seca em 50 anos. Ao Valor, um empresário produtor de soja disse que não há previsão de demissões para os próximos meses.

O setor industrial, que vem encolhendo desde 2015, deve aprofundar a tendência. De acordo com informe do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), das 32.118 demissões nos oito primeiros meses do ano, 37% foram na indústria.

Pablo Dragún, coordenador do centro de estudos da União Industrial Argentina (UIA), afirma que desde 2015 o setor industrial é o que mais vem perdendo postos de trabalho formal. "E em um cenário com taxa de juros elevada, aumentos dos custos, e perspectiva de queda da demanda, é difícil pensar que alguém irá contratar", diz.

Em julho, 23,7% dos empresários da indústria disseram que reduziriam o pessoal contratado, em comparação com 11,6% no mesmo mês do ano passado, segundo Informe de Conjuntura do Instituto Trabalho e Economia. Das empresas de construção que trabalham para o setor privado, 33% preveem redução do número de funcionários. Daquelas que prestam serviços para o setor público, 49% falam em redução nos próximos meses.

O desemprego cresceu para 9,6% no segundo trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Além da previsão de fechamento de mais de 300.000 postos de trabalho neste ano, outros indicadores também apontam para deterioração do mercado de trabalho. A consultoria Fundación Capital estima que o salário real terá o menor crescimento desde 2009.

"Frente à aceleração inflacionária dos próximos meses, a queda do poder de compra na segunda metade do ano poderia superar 10%, deixando o salário real abaixo do nível de 2009", diz a consultoria em Buenos Aires, ao observar que no caso dos trabalhadores não registrados, a perda poderia ser ainda maior.

Com isso, observa, a massa salarial real (quantidade de empregados por salário médio) do setor privado contrairia 5,3% neste ano e mais 1,7% no ano que vem.