Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Aspectos da dívida pública federal

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Artigos

Aspectos da dívida pública federal

Por: Paulo Kliass

Converteu-se em realidade uma frase que ficou famosa no início da década de 1980, quando o Brasil enfrentava uma grave crise de liquidez. À época, no auge da renegociação de nossa dívida externa em 1982, Delfim Netto, o todo-poderoso da área econômica do governo da ditadura, afirmou: “a dívida não se paga, a dívida se rola”.

Paulo Kliass

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), subordinada ao Ministério da Fazenda (MF), divulgou recentemente seu boletim periódico, contendo as informações relativas ao comportamento da dívida pública federal. O balanço refere-se à situação do endividamento da União até o final do mês de outubro de 2011. A leitura do documento nos informa que o volume total da dívida pública federal atingiu a cifra de R$ 1.807 bilhões, ou seja, R$ 1,8 trilhão. Isso significa que teria ocorrido uma elevação correspondente a R$ 162 bi no valor total da dívida ao longo dos últimos 12 meses, uma vez que o valor para outubro do ano passado havia sido de R$ 1.645 bi. Assim, não obstante o pagamento de mais de R$ 140 bi a título de juros da dívida pública no mesmo período, o Estado brasileiro ainda promoveu o crescimento do valor do principal da dívida da União em 10%. [1]

Antes de avançarmos um pouco mais na análise das informações ali contidas, talvez valha a pena discutirmos o próprio conceito de dívida pública e as diferentes aspectos metodológicos existentes para o caso brasileiro. Em uma abordagem mais básica, o processo de endividamento de qualquer Estado-Nação só se justificaria em situações onde o balanço de sua situação fiscal (receitas x despesas) esteja desequilibrado. Em tais condições, estando o governo sem condições financeiras de fazer face às suas obrigações, ele se vê obrigado a buscar recursos para além das fontes tradicionais de suas receitas, como é o caso dos tributos.

Valendo-se de sua condição – teórica, ao menos – de agente portador de elevado grau de credibilidade, o Estado lança títulos públicos, em que promete honrar os compromissos ali constantes. Por meio de tal operação, o setor privado adianta recursos líquidos aos cofres públicos (dinheiro à vista) e fica com um papel em suas mãos. Trata-se de uma promessa de pagamen to do montante emprestado, adicionado das cláusulas de rendimento financeiro previstas em cada caso. No jargão do “financês”, refere-se ao valor de face mais os juros.

No passado, a maior parte dos casos em que se operava o recurso ao endividamento público podiam ser resumidos a duas situações exemplares. De um lado, os quadros de descontrole fiscal básico, onde um aumento inesperado de despesas ou súbita redução de receitas traziam dificuldades para encerrar o exercício orçamentário. De outro lado, o aumento da dívida pública era quase sempre utilizado como mecanismo para assegurar ciclos de investimento estatal. Ou seja, antecipar recursos para viabilizar o crescimento econômico futuro. No primeiro caso, o endividamento já nasce com sintomas de dúvida, pois o ente que busca recursos passa por uma crise conjuntural e isso pode ser sinalizador de eventual dificuldade para honrar o compromisso mais à frente. No segundo caso, a leitura de quem empresta pode ser mais otimista, uma vez que o recurso vai para investimento e o Estado teria melhores condições de retornar o pagamento no futuro próximo. [2]

Além disso, existe outra importante modalidade de acesso ao endividamento público. Trata-se do Estado sair em busca de recursos junto a instituições financeiras ou governamentais no exterior. O país devedor emite promessas de dívida em moeda estrangeira e recebe os recursos nesse tipo de divisa. Porém, para fazer face ao seu compromisso, ele deverá acumular recursos dessa mesma natureza. Para tanto, passa a ser importante a análise e acompanhamento de seu desempenho no setor externo (balanço entre exportações e importações) – condição mais favorável para gerar excedentes externos e pagar os compromissos da dívida assumida.

No entanto, o próprio desenvolvimento do capitalismo, a sofisticação do mercado financeiro e o crescimento da importância do Estado na atividade econômica fizeram com que as condições objetivas do processo de endividamento público se tornassem muito mais complexas do que as situações acima expostas. Os mecanismos por meio dos quais os Estados passaram a arrecadar recursos junto ao setor privado – os títulos públicos – se autonomizaram no mercado mobiliário e passaram a ganhar vida econômico-financeira própria, quase independente. As instituições compram e vendem títulos inicialmente emitidos por governos como simples mercadorias no mercado secundário, terciário e por aí vai. Fonte de lucro e especulação pura. Quanto maior risco do governo não honrar o compromisso, maior é a chamada “taxa de desconto” sobre o valor de face do título. E esse é o início do caminho para a jogatina, para as revoadas avassaladoras de capitais, para as chantagens dos operadores do mercado internacional sobre governos impotentes.

Além disso, o volume total do endividamento público cresceu a níveis assustadores, para a grande maioria dos países do mundo. Tanto que, cada vez mais, se raciocina em termos da capacidade de honrar os compromissos da dívida (juros e serviços correlatos) e nem tanto em honrar os valores relativos ao chamado “principal” da dívida contraída. Converteu-se em realidade uma frase que ficou famosa no início da década de 1980, quando o Brasil enfrentava uma grave crise de liquidez e dificuldade para cumprir seus compromissos com a banca estrangeira. À época, no auge da renegociação de nossa dívida externa em 1982, Delfim Netto, o todo-poderoso da área econômica do governo da ditadura, disse que “a dívida não se paga, a dívida se rola”. Ou seja, o Ministro do General Figueiredo afirmava com todas as letras aquilo que todo mundo nos meios empresarial e governamental sabia e não tinha a coragem política de dizer: o Brasil não apresentava condições de pagar o total de sua dívida. E pleiteava condições de renegociação junto às instituições financeiras. O problema é que o acordo assinado com o FMI foi desastroso para nossa economia. Mas aí já é uma outra história…

O ponto a reter aqui é que passou a ganhar relevância um novo aspecto do endividamento. Aquilo que em economês se chama de diferença entre as variáveis “estoque” e as variáveis “fluxo”. No caso, o estoque sendo o volume total acumulado da dívida do Estado e o fluxo sendo os juros pagos periodicamente em função dos compromissos assumidos no momento do endividamento. O Japão é talvez o caso mais sintomático dos países desenvolvidos, uma vez que sua dívida corresponde a mais de 200% de seu PIB. Os Estados Unidos apresentam uma dívida equivalente a 100% de seu PIB. Canadá, Inglaterra, França e Alemanha, por sua vez, situam-se entre 75% e 85%. Para o Brasil, o coeficiente de endividamento em relação ao PIB é de aproximadamente 50%. Esse indicador foi criado como uma tentativa de medir a chamada “capacidade de pagamento” do Estado devedor. Ou seja, qual a porcentagem que o estoque de dívida pública representa sobre o total de bens e serviços gerados por um país num determinado ano. No limite, esse índice significa pouco. Mas oferece alguma idéia a respeito de eventual facilidade/dificuldade em honrar aquele compromisso no curto, médio e longo prazos.

Os impactos variam muito segundo o país considerado, é claro. A dívida pública norte-americana é claramente impagável. Mas nem por isso, aquele país sofre as pressões e conseqüências sociais e econômicas a que estão sendo submetidos outros que apresentam índices menores, como Grécia, Espanha e Itália, por exemplo. O que normalmente ocorre para o fenômeno descrito por Delfim Netto é que, uma vez chegado o momento do vencimento, o Estado não paga a dívida como previsto no título. E emite um novo papel para substituir o antigo, com vencimento mais à frente e nova promessa de pagamento. É a tal da rolagem da dívida. Uma ciranda financeira baseada na credibilidade, mas com alto grau de incerteza e especulação.

O fato é que a autonomização dos títulos das dívidas públicas como mercadorias específicas e o processo crescente de financeirização das atividades econômicas pelo mundo afora tornou mais importante a preocupação do ente emissor com a capacidade de honrar o fluxo de juros e serviços do que com o montante do principal. Para recuperar a frase do Delfim: a dívida a gente rola! Desde, é claro, que os demais agentes no mercado financeiro internacional estejam de acordo ou se sintam obrigados a aceitar tal condição. Além do mais, os níveis e valores são tão mastodonticamente elevados, que reduções nos “ativos a receber” passam a ser aceitas e incorporadas pelo próprio sistema. Em alguns casos, com a criação de novas dívidas para cobrir os rombos passados ou então apenas “acusando o golpe”, como se diz no boxe, e tocando a bola prá frente. A Argentina e o Equador, por exemplo, recentemente promoveram uma redução unilateral no valor de face das dívidas assumidas por governos anteriores e nem por isso perderam acesso ao crédito no mercado internacional. Ou seja, tudo se passa como se o sistema estivesse mesmo preparado para essa eventualidade: incorporar uma perda definitiva em seus balanços.

E agora, voltando ao boletim da STN. Outro elemento importante refere-se a um indicador destacado pela STN no relatório. É o chamado “custo da dívida pública federal”. O documento aponta que, entre setembro e outubro de 2011, teria havido uma “redução” no item de 13% para 12,5% ao ano. Uma loucura! Apesar da ligeira queda, o custo é elevadíssimo! Como a maior parte da dívida é composta por títulos indexados à SELIC, o custo que o Tesouro Nacional tem que pagar é muito elevado. E toda a sociedade acaba sendo obrigada a arcar com esse ônus, pois os recursos saem do Orçamento da União, que deixa de gastar com áreas essenciais como saúde, educação, previdência, saneamento, etc. Façamos a conta por baixo: 12,5% de R$ 1,8 tri resultam em R$ 225 bilhões. Esse seria o volume necessário apenas para pagar os juros da dívida pública com títulos da União durante 12 meses!

Caso houvesse disposição do governo para reduzir a taxa SELIC ou alterar a composição dos títulos da dívida, a economia obtida com as despesas financeiras seria significativa. Uma taxa oficial de juros de 6% ao ano, por exemplo, reduziria tais gastos parasitas a mais da metade, liberando recursos para compromissos orçamentários mais efetivos. A dívida continuaria a ser rolada e as despesas para tanto pesariam menos sobre os ombros da maioria da população.

NOTAS

[1] Ver: http://www.stn.fazenda.gov.br/hp/downloads/divida_publica/relatoriodpf2011/relatorio_out11.pdf

[2] Há também os casos em que o Estado simplesmente lança mão do recurso à emissão de moeda para gerar os recursos necessários. Em tese isso não provoca aumento da dívida, mas aí surge o problema da inflação causada pelo uso descontrolado desse subterfúgio.
 
Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo
Eusébio Pinto Neto

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Diretores e dirigentes sindicais
João Guilherme Vargas Netto

Diretores e dirigentes sindicais

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Mulheres por igualdade, democracia e trabalho decente
Maria Auxiliadora

Mulheres por igualdade, democracia e trabalho decente

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!
Cláudio Magrão

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites
Márcio Ferreira

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites

Boletim Repórter Sindical
Publicações 15 JAN 2026

Boletim Repórter Sindical

Artigos 15 JAN 2026

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Sintepav-BA realiza lançamento da Campanha Salarial 2026 em Salvador
Trabalho e Emprego 13 JAN 2026

Sintepav-BA realiza lançamento da Campanha Salarial 2026 em Salvador

Frentistas SP debatem pauta, aumento real  e benefícios sociais
Força 9 JAN 2026

Frentistas SP debatem pauta, aumento real  e benefícios sociais

As lições do 8 de Janeiro
Palavra do Presidente 8 JAN 2026

As lições do 8 de Janeiro

Manifestações em Brasília: 8/1 em defesa da democracia
Força 7 JAN 2026

Manifestações em Brasília: 8/1 em defesa da democracia

Projeto regulamenta trabalhadores de refeições coletivas
Força 7 JAN 2026

Projeto regulamenta trabalhadores de refeições coletivas

FEPOSPETRO aprova contas e orçamento em reunião estadual
Força 7 JAN 2026

FEPOSPETRO aprova contas e orçamento em reunião estadual

Contra o golpismo e a ingerência: em defesa da soberania da Venezuela
Força 3 JAN 2026

Contra o golpismo e a ingerência: em defesa da soberania da Venezuela

Abono salarial: veja seu direito no app Carteira de Trabalho Digital
Força 19 DEZ 2025

Abono salarial: veja seu direito no app Carteira de Trabalho Digital

Carta alerta riscos ao FAT e cobra medidas urgentes
Força 18 DEZ 2025

Carta alerta riscos ao FAT e cobra medidas urgentes

Todo apoio a Padre Júlio Lancellotti
Força 18 DEZ 2025

Todo apoio a Padre Júlio Lancellotti

Instituto Meu Futuro encerra ano com festa e certificados
Força 17 DEZ 2025

Instituto Meu Futuro encerra ano com festa e certificados

Guarulhos: Seminário metalúrgico avalia 2025 e planeja 2026
Força 17 DEZ 2025

Guarulhos: Seminário metalúrgico avalia 2025 e planeja 2026

Metalúrgicos da Deca aprovam Convenção Coletiva 2025
Força 17 DEZ 2025

Metalúrgicos da Deca aprovam Convenção Coletiva 2025

Sindicalistas criticam GT de aplicativos composto por Boulos
Imprensa 17 DEZ 2025

Sindicalistas criticam GT de aplicativos composto por Boulos

Confira o calendário de 2026 para pagamento do abono salarial
Imprensa 17 DEZ 2025

Confira o calendário de 2026 para pagamento do abono salarial

Sinpospetro-RJ celebra 40 anos do Cesteh em debate na Fiocruz
Força 16 DEZ 2025

Sinpospetro-RJ celebra 40 anos do Cesteh em debate na Fiocruz

Federação dos Químicos de Goiás filia-se à CNTQ
Força 16 DEZ 2025

Federação dos Químicos de Goiás filia-se à CNTQ

Brasil e Argentina fortalecem unidade no setor pneumático
Força 16 DEZ 2025

Brasil e Argentina fortalecem unidade no setor pneumático

Mobilização em Porto Alegre defende fim da escala 6×1
Força 15 DEZ 2025

Mobilização em Porto Alegre defende fim da escala 6×1

GM Mogi das Cruzes é acusada de coagir e intimidar trabalhadores
Força 15 DEZ 2025

GM Mogi das Cruzes é acusada de coagir e intimidar trabalhadores

Cofen inaugura espaço e celebra avanço pela unificação da Enfermagem
Força 15 DEZ 2025

Cofen inaugura espaço e celebra avanço pela unificação da Enfermagem

Colônias de Férias do Sindnapi reúnem idosos do programa Turismo 60+
Força 15 DEZ 2025

Colônias de Férias do Sindnapi reúnem idosos do programa Turismo 60+

Redução da jornada e fim da escala 6×1 no debate sindical
Imprensa 15 DEZ 2025

Redução da jornada e fim da escala 6×1 no debate sindical

Todo apoio à greve dos petroleiros!
Força 15 DEZ 2025

Todo apoio à greve dos petroleiros!

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
Artigos 15 DEZ 2025

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Força Sindical participa do lançamento do Brasil que Cuida
Força 15 DEZ 2025

Força Sindical participa do lançamento do Brasil que Cuida

Centrais e movimento sociais convocam atos nacionais em defesa da democracia
Força 12 DEZ 2025

Centrais e movimento sociais convocam atos nacionais em defesa da democracia

Força Sindical critica Portaria 204 e cobra diálogo
Força 11 DEZ 2025

Força Sindical critica Portaria 204 e cobra diálogo

Aguarde! Carregando mais artigos...