No lugar dos sindicatos independentes, o regime criou a Frente Alemã do Trabalho, submetida ao controle nazista. (Enciclopédia do Holocausto)
Na Itália fascista de Mussolini, a liberdade sindical também foi progressivamente suprimida e substituída por estruturas corporativas controladas pelo Estado.
A razão política é compreensível: sindicatos independentes representam trabalhadores organizados e constituem centros autônomos de poder social.
Onde existe liberdade sindical, trabalhadores podem reivindicar salários, condições dignas, segurança e limites ao poder econômico.
Onde essa liberdade desaparece, o trabalhador perde parte importante de sua capacidade coletiva de resistência.
Hitler e Mussolini compreenderam que controlar o mundo do trabalho era também uma maneira de controlar a sociedade.
Por isso, o ataque aos sindicatos caminhou junto com a destruição de outras liberdades democráticas.
Não significa que toda crítica aos sindicatos seja autoritária — sindicatos podem e devem ser fiscalizados, renovados e criticados.
Mas existe enorme diferença entre criticar uma entidade sindical e pretender retirar dos trabalhadores o direito de se organizar coletivamente.
A democracia pressupõe liberdade para empresários se organizarem e também liberdade para trabalhadores fazerem o mesmo.
Quando o trabalhador fica sozinho diante do poder econômico, a relação naturalmente se torna mais desigual.
A experiência histórica de regimes autoritários mostra por que a liberdade sindical merece ser protegida.
Trabalhador: antes de apoiar quem pretende enfraquecer sua organização coletiva, pergunte quem ficará mais forte quando você estiver sozinho.
São Paulo, 06 de outubro de 2026
César Augusto de Mello é Consultor Jurídico Sindical – OABSP 92.187































