downtown

Downton Abbey
Reino Unido, 2010
Criador: Julian Fellowes
Com: Maggie Smith, Hugh Bonneville, Allen Leech, Michelle Dockery

Downton Abbey pretende ser um retrato do cotidiano de uma família aristocrática do interior da Inglaterra de George V, no início do século XX.

Mas foge da realidade ao se aprofundar no preciosismo e na composição profundamente idealizada da nobreza britânica. A educação fina e os sentimentos e moral elevada da família e dos empregados de Robert Crawley, o Conde de Grantham, lembram mais os mocinhos e mocinhas dos castelos de Walt Disney do que a realidade da Inglaterra naquele momento.

Tal irrealismo, entretanto, não prejudica a série. Assim como os contos de fadas adaptados dos irmãos Grimm para um formato mais agradável, a boa vida da família Crawley, suprida de riqueza, beleza, afeto, cultura, e servida por uma criadagem agradecida pela posição que ocupa, funciona como um ilusionismo sedutor.

A história se passa no magnifico castelo em Downton Abbey, fictícia propriedade rural da família Crawley.

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CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO TRAILER

Na parte superior do castelo a nobreza desfruta de suas regalias e privilégios, herdados de seus antepassados. No subsolo vivem os inúmeros empregados, organizados em um elaborado sistema hierárquico.

A série começa com a notícia do naufrágio do Titanic (1912) e termina no ano de 1924. A 1ª Guerra Mundial, a Revolução Russa, o fortalecimento do capitalismo e a necessidade de tornar a propriedade mais produtiva impactam a vida da família, ilustrando as transformações da época.  Mas, como ingleses exemplares, eles resistem bravamente à tudo que possa abalar seus costumes e tradições.

Embora idealista, a história é sensível e amarrada de forma inteligente e interessante. Sua produção impecável, em nenhum momento cai na vulgaridade ou no apelo por uma plateia abundante. Com uma fotografia ora bucólica e verdejante, ora glamourosa e Art déco Downton Abbey é um presente para os sentidos. Um luxo que passa ao largo da brutalidade das relações de classe e do sistema de produção que se impunha à época.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical

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Downton Abbey
Reino Unido, 2010
Criador: Julian Fellowes
Com: Maggie Smith, Hugh Bonneville, Allen Leech, Michelle Dockery

Downton Abbey pretende ser um retrato do cotidiano de uma família aristocrática do interior da Inglaterra de George V, no início do século XX.

Mas foge da realidade ao se aprofundar no preciosismo e na composição profundamente idealizada da nobreza britânica. A educação fina e os sentimentos e moral elevada da família e dos empregados de Robert Crawley, o Conde de Grantham, lembram mais os mocinhos e mocinhas dos castelos de Walt Disney do que a realidade da Inglaterra naquele momento.

Tal irrealismo, entretanto, não prejudica a série. Assim como os contos de fadas adaptados dos irmãos Grimm para um formato mais agradável, a boa vida da família Crawley, suprida de riqueza, beleza, afeto, cultura, e servida por uma criadagem agradecida pela posição que ocupa, funciona como um ilusionismo sedutor.

A história se passa no magnifico castelo em Downton Abbey, fictícia propriedade rural da família Crawley.

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Na parte superior do castelo a nobreza desfruta de suas regalias e privilégios, herdados de seus antepassados. No subsolo vivem os inúmeros empregados, organizados em um elaborado sistema hierárquico.

A série começa com a notícia do naufrágio do Titanic (1912) e termina no ano de 1924. A 1ª Guerra Mundial, a Revolução Russa, o fortalecimento do capitalismo e a necessidade de tornar a propriedade mais produtiva impactam a vida da família, ilustrando as transformações da época.  Mas, como ingleses exemplares, eles resistem bravamente à tudo que possa abalar seus costumes e tradições.

Embora idealista, a história é sensível e amarrada de forma inteligente e interessante. Sua produção impecável, em nenhum momento cai na vulgaridade ou no apelo por uma plateia abundante. Com uma fotografia ora bucólica e verdejante, ora glamourosa e Art déco Downton Abbey é um presente para os sentidos. Um luxo que passa ao largo da brutalidade das relações de classe e do sistema de produção que se impunha à época.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical