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“As demissões são injustas, o país tem meios de garantir emprego e renda, destacou Miguel Torres, presidente da Força Sindical

terça-feira, 30 de junho de 2020

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“As demissões são injustas, o país tem meios de garantir emprego e renda, destacou Miguel Torres, presidente da Força Sindical

O movimento sindical sempre foi essencial para a classe trabalhadora, para a sociedade brasileira e para a democracia. E continuamos sendo essenciais nas lutas de resistência pelos direitos e pela a retomada do desenvolvimento.
miguel

O dirigente sindical falou ainda, sobre a necessidade de mobilização dos trabalhadores juntos às entidades sindicais e sobre os impactos das medidas que mexeram nos direitos trabalhistas históricos. Leia a entrevista na íntegra:

Fenepospetro: Os trabalhadores brasileiros sofreram diversos ataques recentemente, no que diz respeito à garantia e manutenção de direitos historicamente conquistados. Como você avalia o atual cenário e suas fragilidades em relação à garantia de desenvolvimento, emprego e renda?

Miguel Torres – Sempre fomos muito críticos à terceirização sem limites e à reforma trabalhista, que foi um verdadeiro fakenews, pois não gerou os empregos prometidos e só serviu para precarizar ainda mais as relações do trabalho.

Neste período de pandemia, ficou muito mais evidente que estávamos certos e que ainda estamos do lado certo da história, em defesa do trabalho decente, da carteira de trabalho tradicional, a azul, com direitos, e de uma justa distribuição de renda: para fazer o País se desenvolver, a economia girar, gerar empregos de qualidade com direitos e renda digna e evitar o caos social.

Fenepospetro – Na categoria de trabalhadores de postos de combustíveis – considerado serviço essencial na pandemia -, ocorreram muitas demissões, reafirmando a dificuldade de enfrentamento da manutenção dos empregos. O que você considera uma saída para a retomada do crescimento econômico do Brasil, após a crise sanitária do Covid19, preservando relações justas de trabalho?

Miguel Torres – As demissões são injustas, pois o País tem meios de garantir as atividades econômicas, os empregos e a renda dos trabalhadores. Falta vontade política, sensibilidade social, competência para governar e um projeto de desenvolvimento, que é possível fomentar e tocar em frente, mesmo neste período de pandemia.

Lançamos em março um importante documento assinado pelas centrais sindicais, que continua sendo divulgado, com “Medidas de proteção à vida, à saúde, ao emprego e à renda dos trabalhadores e trabalhadoras”.  Neste sentido, estamos articulados no Congresso pelo prolongamento do auxílio emergencial de R$ 600 até dezembro, com o mote “Nenhum real a menos – que ninguém fique sem receber”.

Defendemos também o crédito sem burocracia às micro e pequenas empresas, para garantir que elas mantenham suas atividades econômicas, os empregos e a renda dos trabalhadores. Somos favoráveis ainda à reconversão industrial contra a crise do coronavírus e ao diálogo social com os empresários que não querem demitir e estão abertos a um pacto produtivo pela retomada do desenvolvimento, agora e pós-pandemia, com respeito aos direitos e alto nível nas relações de trabalho.

Fenepospetro – As recentes Medidas Provisórias são defendidas pelo Governo Federal como a alternativa encontrada para preservar empregos, diante da crise econômica. Porém, alguns questionamentos são apresentados acerca da manutenção dos direitos trabalhistas. Mexer nesses direitos históricos – mesmo que em caráter emergencial -, não abre precedentes para que, futuramente, isso se torne uma fragilidade? Como você avalia o impacto dessas mudanças na garantia de direitos trabalhistas?

Miguel Torres – Devemos estar permanentemente mobilizados para impedir que avancem no Congresso Nacional as medidas provisórias deste “desgoverno” que atacam ainda mais os direitos da classe trabalhadora e impedem a participação dos sindicatos nas negociações entre patrões e empregados. São medidas muito ruins, que deveriam caducar ou ser modificadas para melhor pelos parlamentares. Ocorre também que os maus empresários, que sempre usaram o argumento da “crise” para enfraquecer os sindicatos e tirar direitos da classe trabalhadora, e que contam com os votos dos políticos ligados a seus interesses, se aproveitam agora da tragédia da pandemia para ameaçar com mais ataques aos direitos e demissões em massa. Nosso contraponto é dialogar com os parlamentares e sensibilizá-los para que não votem contra os direitos e impeçam as medidas impopulares do governo Bolsonaro-Guedes e Cia. É uma questão de humanidade, de solidariedade e de compromisso com o futuro do País.   

Fenepospetro – Qual o principal papel dos sindicatos, federações e centrais na atual conjuntura?

Miguel Torres – Tenho dito que o movimento sindical sempre foi essencial para a classe trabalhadora, para a sociedade brasileira e para a democracia. E continuamos sendo essenciais nas lutas de resistência pelos direitos e pela a retomada do desenvolvimento.

Nosso principal papel na atual conjuntura, vale reafirmar, é defender o distanciamento social, a ampliação do auxílio emergencial de R$ 600 até dezembro, o crédito sem burocracia às micro e pequenas empresas, aos estados e municípios e o fortalecimento do SUS com valorização dos profissionais da saúde.

Miguel Torres é presidente da Força Sindical, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

Fonte: Fenepospetro

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