fabio mesquita
Epidemiologista Fábio Mesquita diz que as pessoas finalmente entendem a importância do sistema único de saúde e seus profissionais
A pandemia do novo coronavírus fez as pessoas finalmente entenderem a importância do SUS (sistema único de saúde), apesar de bastante sucateado, e dos seus profissionais.
A ponderação é do epidemiologista Fábio Mesquita, funcionário de carreira da OMS (organização mundial de saúde), que esteve na ‘live’ do Sindest, na noite de terça-feira (6).
Sindest é o sindicato dos 12 mil servidores municipais estatutários de Santos e 4 mil aposentados, cuja ‘live’ semanal está se tornando tradicional na região, com repercussão estadual e nacional.
“Demorou muito para as pessoas entenderem que tudo que elas têm em matéria de saúde, como o Samu (serviço de atendimento móvel de urgência) e as vacinas, está relacionado ao SUS”, disse o médico.
O presidente do sindicato, Fábio Marcelo Pimentel, aproveita para reforçar que os profissionais de saúde à frente da luta contra a pandemia são servidores públicos.
“Ou seja”, diz o sindicalista, “a presença do estado na vida dos brasileiros é uma necessidade básica e não pode ser tratada com desleixo, desinvestimento e descaso”.
Fábio Mesquita, que está em atividade no país asiático Mianmar, onde atua desde o final de 2019, na coordenação de um trabalho sobre ‘aids’ e hepatites virais, deixou claro não falar em nome da OMS.
Veja abaixo, entre aspas, as principais colocações do reconhecido médico na ‘live’, onde falou também sobre vacinas e a imagem negativa do Brasil no exterior, por causa dos erros diante da pandemia.
 
Vacinas sem planejamento
 
“É importante que o Brasil tenha uma capacidade produtiva de vacinas e medicamentos. E ele tem. Inclusive para várias outras doenças, com boa incorporação de tecnologia.
Isso é importante, mas, no momento, infelizmente, não é suficiente. O principal erro do Brasil na estratégia de vacina foi achar que a produção da Fiocruz seria suficiente.
Depois de muita pressão, acharam que, com o acréscimo da coronavac, conseguiriam vacinar o Brasil inteiro. E deixaram de negociar com a indústria farmacêutica.
Essa indústria tem uma capacidade produtiva muito maior que a nossa, até por causa do desinvestimento em ciência no país, no Butantã, na Fiocruz.
Tínhamos que ter conversado com a Pfizer, a Sputnik e outras há muito tempo. E não agora, no desespero, quando não há vacina porque o mundo inteiro está comprando. Não houve planejamento”.
 
Mundo vê Brasil como um desastre
 
“O Brasil era tido como um exemplo para o mundo. A gente fazia o que poucos países tinham capacidade de fazer. Por exemplo, respondemos à aids com muita eficiência.
Hoje é exatamente o contrário. O Brasil é tido como um desastre, um péssimo exemplo. Foi feito com o nosso programa de imunização o que não poderia ter sido feito.
Hoje o que acontece é tomarmos pito o tempo todo das nações e da imprensa mundial, inclusive das publicações especializadas em medicina. O brasileiro que mora fora do Brasil hoje passa vergonha.
Passamos a ser uma ameaça para mundo, que começa a ter medo do Brasil porque não combatemos a pandemia como deveríamos, propiciando o surgimento de uma variante do vírus específica da Amazônia.
Esse vírus já se espalhou por todo o Brasil e pode se espalhar pelo mundo, como aconteceu com as variantes surgidas na Grã-Bretanha e na África do Sul.
 
Negacionismo
 
Hoje, com um passaporte brasileiro, você consegue viajar para pouquíssimos países. Quase ninguém nos aceita por causa da disseminação fora de controle de uma pandemia que ninguém quer ter de novo.
Muitos países já controlaram a primeira e a segunda onda da covid-19. Alguns já controlaram a terceira. Quem vai querer receber aviões com brasileiros, para espalhar mais um vírus?
Isso tem um impacto grande no turismo porque as pessoas não querem mais vir aqui. Para quê? Para pegar a covid? Nós, que já fomos referência, hoje somos mau exemplo.
Aquele discurso de que nós precisamos trabalhar, dane-se a circulação do vírus, junta todo mundo, tanto faz, porque a economia é mais importante que a vida, deu errado.
Nunca, antes desse negacionismo terrível, perdemos tantas vidas no Brasil. E a economia vai piorar, a menos que a gente resolva o problema com distanciamento social e vacinação”.
 
Outras doenças
 
“Quero expressar minha solidariedade a todos os colegas da saúde no Brasil, de Santos em particular, que têm trabalhado incansavelmente neste momento de agravamento da pandemia.
Continuamos tendo doenças cardiovasculares, cirurgias de emergência, câncer, dengue, chicungunha, tuberculose, aids, malária em algumas regiões do país e enormes desafios de saúde.
O problema é que o atendimento à saúde já vinha sendo sucateado, desaparelhado, subestimado em recursos humanos. Agora, diante da pandemia, tudo fica mais difícil.
Quando imaginaríamos que as ‘upas’ atenderiam pacientes de covid-19? Ou que os hospitais tivessem duas portas de entrada? Tudo se tornou muito difícil.
Isso veio comprovar que não se pode negligenciar no sistema de saúde. Além dessas doenças citadas, há as psicológicas, mentais, emocionais, resultantes do ‘fique em casa’.
As crianças não podem ir para escola, os pais têm que tomar conta delas, muitas vezes trabalhando em casa, e esse impacto é extraordinário num sistema de saúde bombardeado”.
fabio mesquita
Epidemiologista Fábio Mesquita diz que as pessoas finalmente entendem a importância do sistema único de saúde e seus profissionais
A pandemia do novo coronavírus fez as pessoas finalmente entenderem a importância do SUS (sistema único de saúde), apesar de bastante sucateado, e dos seus profissionais.
A ponderação é do epidemiologista Fábio Mesquita, funcionário de carreira da OMS (organização mundial de saúde), que esteve na ‘live’ do Sindest, na noite de terça-feira (6).
Sindest é o sindicato dos 12 mil servidores municipais estatutários de Santos e 4 mil aposentados, cuja ‘live’ semanal está se tornando tradicional na região, com repercussão estadual e nacional.
“Demorou muito para as pessoas entenderem que tudo que elas têm em matéria de saúde, como o Samu (serviço de atendimento móvel de urgência) e as vacinas, está relacionado ao SUS”, disse o médico.
O presidente do sindicato, Fábio Marcelo Pimentel, aproveita para reforçar que os profissionais de saúde à frente da luta contra a pandemia são servidores públicos.
“Ou seja”, diz o sindicalista, “a presença do estado na vida dos brasileiros é uma necessidade básica e não pode ser tratada com desleixo, desinvestimento e descaso”.
Fábio Mesquita, que está em atividade no país asiático Mianmar, onde atua desde o final de 2019, na coordenação de um trabalho sobre ‘aids’ e hepatites virais, deixou claro não falar em nome da OMS.
Veja abaixo, entre aspas, as principais colocações do reconhecido médico na ‘live’, onde falou também sobre vacinas e a imagem negativa do Brasil no exterior, por causa dos erros diante da pandemia.
 
Vacinas sem planejamento
 
“É importante que o Brasil tenha uma capacidade produtiva de vacinas e medicamentos. E ele tem. Inclusive para várias outras doenças, com boa incorporação de tecnologia.
Isso é importante, mas, no momento, infelizmente, não é suficiente. O principal erro do Brasil na estratégia de vacina foi achar que a produção da Fiocruz seria suficiente.
Depois de muita pressão, acharam que, com o acréscimo da coronavac, conseguiriam vacinar o Brasil inteiro. E deixaram de negociar com a indústria farmacêutica.
Essa indústria tem uma capacidade produtiva muito maior que a nossa, até por causa do desinvestimento em ciência no país, no Butantã, na Fiocruz.
Tínhamos que ter conversado com a Pfizer, a Sputnik e outras há muito tempo. E não agora, no desespero, quando não há vacina porque o mundo inteiro está comprando. Não houve planejamento”.
 
Mundo vê Brasil como um desastre
 
“O Brasil era tido como um exemplo para o mundo. A gente fazia o que poucos países tinham capacidade de fazer. Por exemplo, respondemos à aids com muita eficiência.
Hoje é exatamente o contrário. O Brasil é tido como um desastre, um péssimo exemplo. Foi feito com o nosso programa de imunização o que não poderia ter sido feito.
Hoje o que acontece é tomarmos pito o tempo todo das nações e da imprensa mundial, inclusive das publicações especializadas em medicina. O brasileiro que mora fora do Brasil hoje passa vergonha.
Passamos a ser uma ameaça para mundo, que começa a ter medo do Brasil porque não combatemos a pandemia como deveríamos, propiciando o surgimento de uma variante do vírus específica da Amazônia.
Esse vírus já se espalhou por todo o Brasil e pode se espalhar pelo mundo, como aconteceu com as variantes surgidas na Grã-Bretanha e na África do Sul.
 
Negacionismo
 
Hoje, com um passaporte brasileiro, você consegue viajar para pouquíssimos países. Quase ninguém nos aceita por causa da disseminação fora de controle de uma pandemia que ninguém quer ter de novo.
Muitos países já controlaram a primeira e a segunda onda da covid-19. Alguns já controlaram a terceira. Quem vai querer receber aviões com brasileiros, para espalhar mais um vírus?
Isso tem um impacto grande no turismo porque as pessoas não querem mais vir aqui. Para quê? Para pegar a covid? Nós, que já fomos referência, hoje somos mau exemplo.
Aquele discurso de que nós precisamos trabalhar, dane-se a circulação do vírus, junta todo mundo, tanto faz, porque a economia é mais importante que a vida, deu errado.
Nunca, antes desse negacionismo terrível, perdemos tantas vidas no Brasil. E a economia vai piorar, a menos que a gente resolva o problema com distanciamento social e vacinação”.
 
Outras doenças
 
“Quero expressar minha solidariedade a todos os colegas da saúde no Brasil, de Santos em particular, que têm trabalhado incansavelmente neste momento de agravamento da pandemia.
Continuamos tendo doenças cardiovasculares, cirurgias de emergência, câncer, dengue, chicungunha, tuberculose, aids, malária em algumas regiões do país e enormes desafios de saúde.
O problema é que o atendimento à saúde já vinha sendo sucateado, desaparelhado, subestimado em recursos humanos. Agora, diante da pandemia, tudo fica mais difícil.
Quando imaginaríamos que as ‘upas’ atenderiam pacientes de covid-19? Ou que os hospitais tivessem duas portas de entrada? Tudo se tornou muito difícil.
Isso veio comprovar que não se pode negligenciar no sistema de saúde. Além dessas doenças citadas, há as psicológicas, mentais, emocionais, resultantes do ‘fique em casa’.
As crianças não podem ir para escola, os pais têm que tomar conta delas, muitas vezes trabalhando em casa, e esse impacto é extraordinário num sistema de saúde bombardeado”.