Imagem do dia

Enviar link da notícia por e-mail
Força
Pesquisa da Unicamp rebate ataques à redução da jornada
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Força
Miguel Torres destaca estudo da Unicamp que desmonta mitos sobre trabalho no Brasil e reforça impactos positivos da redução da jornada e do fim da escala 6×1
Em vídeo gravado nesta sexta-feira, 27, Miguel Torres avaliou a semana no Congresso Nacional e afirmou que sindicatos atuam para barrar ataques à redução da jornada.
Segundo o dirigente, parte da imprensa tenta desqualificar trabalhadores, porém dados científicos desmentem a ideia de que brasileiros trabalham pouco ou rejeitam mudanças responsáveis coletivas.
Por isso, Torres destacou estudo da Unicamp e pediu ampla divulgação, pois a luta organizada permanece decisiva para garantir direitos, empregos e justiça social duradoura.
Um levantamento conduzido pela economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aponta que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e aumentar a produtividade em cerca de 4%.
O estudo integra o chamado Dossiê 6×1, documento composto por 37 artigos de um total de 63 autores — incluindo professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que analisam os impactos econômicos e sociais da mudança.
Principais conclusões da pesquisa
A proposta contraria projeções pessimistas de parte do mercado, segundo as quais reduzir a jornada poderia prejudicar o Produto Interno Bruto (PIB) e aumentar a insolvência de empresas.
Os dados utilizados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE.
Cerca de 21 milhões de trabalhadores no Brasil ultrapassam as atuais 44 horas semanais previstas na CLT, e 76,3% dos ocupados trabalham mais de 40 horas por semana.
Cenários de implementação
Redução para 36 horas com esquema de trabalho 4×3 (quatro dias de trabalho, três de folga) beneficiaria diretamente cerca de 76 milhões de trabalhadores.
Migração para 40 horas (escala 5×2) alcançaria cerca de 45 milhões de trabalhadores.
Produtividade e experiências internacionais
O estudo ressalta que experiências internacionais e empresariais mostram ganhos de produtividade com jornadas reduzidas:
Na Islândia, redução para 35 horas em 2023 resultou em crescimento econômico de 5% e aumento de 1,5% na produtividade.
No Japão, uma escala 4×3 implementada pela Microsoft aumentou a produtividade individual em 40%.
No Brasil, pesquisa da FGV com empresas que adotaram jornadas reduzidas mostrou que 72% registraram aumento de receita após a mudança.
Contexto político
A reforma da jornada tem sido tratada como prioridade pelo governo federal para 2026, com diálogo entre o Executivo, o Congresso, trabalhadores e empresários para encontrar consensos que aumentem qualidade de vida sem perdas salariais.
Histórico
A última redução formal da jornada no Brasil foi na Constituição de 1988, quando o limite passou de 48 para 44 horas semanais, apesar de um contexto econômico desfavorável na época, sem impactos negativos duradouros no emprego ou no PIB.
Leia também: Mobilização mira PEC contra escala 6×1 no Congresso





























