Edson Dias Bicalho
Edson Dias Bicalho

É sem precedente o que o coronavírus está causando no mundo e no Brasil. A epidemia avança no País, no Estado de São Paulo e na nossa cidade de forma inacreditável. Vidas estão sendo ceifadas, pessoas estão apavoradas porque apresentam os sintomas da doença Covid-19 ou com o risco de contrair o vírus. O distanciamento social, necessário neste momento, coloca muitos trabalhadores, principalmente os informais, que são cerca de 40% da força de trabalho no Brasil, na encruzilhada: se proteger ou deixar de comer.

Mas não só eles. Também o trabalhador atualmente empregado, que o Governo Federal quer que pague a conta. Inicialmente, a Medida Provisória (MP) suspendia o contrato de trabalho por até quatro meses, deixando 60% dos brasileiros e brasileiras sem salário, sem dinheiro para comprar comida. Ao ser pressionado, mudou o discurso e agora fala em reduzir os salários pela metade. É isso mesmo? A parte mais fraca no elo vai pagar sozinha metade da conta?  Isso é uma perversidade sem tamanho. Corremos o risco de vivermos uma onda de convulsão social no rastro da epidemia de coronavírus.

Tudo está muito conturbado, mas precisamos juntos buscar soluções consensuais: governos de todas as esferas, empresas e trabalhadores. É hora de encontrar alternativas para, além de proteger a saúde, manter empregos e salário de quem tem carteira assinada. E uma renda mínima digna para os informais. Problemas complexos não têm soluções simples. É certo que todos nós vamos perder. Mas vamos achar soluções em conjunto e dividir essa conta proporcionalmente à capacidade de cada um.

Na nossa área de atuação, já conseguimos, em conjunto com empresas, soluções importantes: empregados acima de 60 anos são colocados em férias, parte administrativa em home office e para manter a produção, álcool em gel, orientação de como se prevenir e mudança nas escalas de para evitar aglomerações no transporte, no local de trabalho e no refeitório. Estamos vivendo uma guerra. E para vencer uma guerra é preciso união. É preciso pensar – e agir – para proteger o mais fraco, que são os trabalhadores. Ao contrário, podemos ganhar a batalha contra o coronavírus, mas vamos perder a guerra para o caos social.

É preciso buscar dinheiro para manter trabalhadores, os com carteira assinada e os informais, com renda. Um caminho é a decisão do Supremo Tribunal Federal, que liberou o Estado de São Paulo, por seis meses, de pagar sua dívida para permitir que o dinheiro economizado – R$ 1,2 bilhão por mês – seja utilizado no combate ao coronavírus. Agora, é preciso que o Brasil também suspenda, temporariamente, o pagamento de sua dívida e o dinheiro seja usado para sustentar os brasileiros.  Dinheiro existe. São R$ 451 bilhões de juros e R$ 273 bilhões de outras despesas financeiras. E é medida para ser tomada agora.

Edson Dias Bicalho é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região (Sindquimbru) e secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar)

É sem precedente o que o coronavírus está causando no mundo e no Brasil. A epidemia avança no País, no Estado de São Paulo e na nossa cidade de forma inacreditável. Vidas estão sendo ceifadas, pessoas estão apavoradas porque apresentam os sintomas da doença Covid-19 ou com o risco de contrair o vírus. O distanciamento social, necessário neste momento, coloca muitos trabalhadores, principalmente os informais, que são cerca de 40% da força de trabalho no Brasil, na encruzilhada: se proteger ou deixar de comer.

Mas não só eles. Também o trabalhador atualmente empregado, que o Governo Federal quer que pague a conta. Inicialmente, a Medida Provisória (MP) suspendia o contrato de trabalho por até quatro meses, deixando 60% dos brasileiros e brasileiras sem salário, sem dinheiro para comprar comida. Ao ser pressionado, mudou o discurso e agora fala em reduzir os salários pela metade. É isso mesmo? A parte mais fraca no elo vai pagar sozinha metade da conta?  Isso é uma perversidade sem tamanho. Corremos o risco de vivermos uma onda de convulsão social no rastro da epidemia de coronavírus.

Tudo está muito conturbado, mas precisamos juntos buscar soluções consensuais: governos de todas as esferas, empresas e trabalhadores. É hora de encontrar alternativas para, além de proteger a saúde, manter empregos e salário de quem tem carteira assinada. E uma renda mínima digna para os informais. Problemas complexos não têm soluções simples. É certo que todos nós vamos perder. Mas vamos achar soluções em conjunto e dividir essa conta proporcionalmente à capacidade de cada um.

Na nossa área de atuação, já conseguimos, em conjunto com empresas, soluções importantes: empregados acima de 60 anos são colocados em férias, parte administrativa em home office e para manter a produção, álcool em gel, orientação de como se prevenir e mudança nas escalas de para evitar aglomerações no transporte, no local de trabalho e no refeitório. Estamos vivendo uma guerra. E para vencer uma guerra é preciso união. É preciso pensar – e agir – para proteger o mais fraco, que são os trabalhadores. Ao contrário, podemos ganhar a batalha contra o coronavírus, mas vamos perder a guerra para o caos social.

É preciso buscar dinheiro para manter trabalhadores, os com carteira assinada e os informais, com renda. Um caminho é a decisão do Supremo Tribunal Federal, que liberou o Estado de São Paulo, por seis meses, de pagar sua dívida para permitir que o dinheiro economizado – R$ 1,2 bilhão por mês – seja utilizado no combate ao coronavírus. Agora, é preciso que o Brasil também suspenda, temporariamente, o pagamento de sua dívida e o dinheiro seja usado para sustentar os brasileiros.  Dinheiro existe. São R$ 451 bilhões de juros e R$ 273 bilhões de outras despesas financeiras. E é medida para ser tomada agora.

Edson Dias Bicalho é presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Bauru e Região (Sindquimbru) e secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar)