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Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

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Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Por: Eduardo Annunciato, Chicão

No Dia do Eletricista, o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), celebra as conquistas da categoria e defende um futuro com energia limpa, pública e socialmente justa.No último 17 de outubro, celebramos o Dia do Eletricista — data que, para muitos, pode parecer apenas simbólica, mas que para nós, que vivemos a realidade do setor elétrico, representa algo muito maior: o reconhecimento de uma categoria que mantém o país de pé, mesmo quando tudo ao redor parece parar.

O eletricitário é aquele que enfrenta a chuva, o calor, a madrugada e o risco para garantir que a luz não falte nas casas, nos hospitais, nas escolas, nas cidades. É o trabalhador que carrega nas mãos a energia que move o Brasil. E é por isso que o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo se orgulha de representar essa categoria com tanta história, técnica e compromisso.

Nos últimos anos, conquistamos avanços concretos: aumentos reais, manutenção de direitos, benefícios sociais ampliados e melhores condições de trabalho. Cada uma dessas vitórias foi fruto da mobilização coletiva, da organização sindical e da consciência de que nada nos foi dado — tudo foi conquistado.

Mas se o 17 de outubro é dia de comemorar, é também um momento de reflexão. O setor elétrico, assim como o mundo do trabalho, vive um processo de transformação profunda. A digitalização, a automação, as mudanças climáticas e a transição energética estão redesenhando o mapa da economia e das relações de produção.

E a pergunta que não quer calar é: quem vai se beneficiar dessas transformações?

Será que a transição energética vai gerar empregos de qualidade e fortalecer a soberania nacional? Ou veremos o mesmo roteiro de sempre — lucros concentrados nas grandes corporações, tarifas mais altas e trabalhadores precarizados?

A energia elétrica é o coração da vida moderna. Está por trás da mobilidade elétrica, da indústria verde, da digitalização e da automação. Sem ela, não há futuro sustentável, não há revolução tecnológica nem desenvolvimento possível.

O Brasil, com sua matriz limpa e diversificada, tem condições de liderar a transição energética mundial. Temos sol, vento, biomassa, hidrogênio verde e uma base hidrelétrica sólida. Mas sem planejamento público, política industrial e visão estratégica, corremos o risco de entregar esse potencial às corporações privadas — e perder o controle sobre algo que é, antes de tudo, um bem público.

Tecnologia sem direitos é retrocesso

Muitos falam em modernização e produtividade, mas pouco se fala em quem ganha com isso. Vemos empresas do setor elétrico aumentando lucros, enquanto seus trabalhadores enfrentam sobrecarga, terceirização e insegurança.

A automação e a inteligência artificial podem ser ferramentas poderosas, desde que sirvam para melhorar a vida de quem trabalha, e não para substituir pessoas ou reduzir salários.
O progresso só é verdadeiro quando é coletivo.

Transição justa e trabalho digno

O mundo discute como reduzir emissões e abandonar o carbono. É uma pauta urgente e necessária. Mas a transição energética não pode repetir a lógica da exclusão. Se quisermos um futuro sustentável, ele precisa ser também socialmente justo.

Isso significa dialogar com os trabalhadores, garantir proteção ao emprego, investir em formação profissional e colocar o ser humano — e não apenas o lucro — no centro da agenda.

Energia e soberania

A energia não é uma mercadoria qualquer. Ela é um instrumento de soberania nacional e de inclusão social. Quando uma empresa pública é enfraquecida ou privatizada, o que está em jogo não é apenas o preço da conta de luz, mas o futuro do desenvolvimento brasileiro.

Por isso, defendemos o fortalecimento da Eletrobras pública e eficiente, o investimento em ciência, tecnologia e inovação, e uma política que coloque o Brasil no centro da economia verde — com empregos, direitos e renda para o nosso povo.

O papel do trabalhador

As grandes transições que vivemos não são neutras. Elas podem gerar prosperidade compartilhada ou aprofundar desigualdades. A diferença estará em quem participa das decisões.

Nós, trabalhadores, precisamos ocupar esse espaço. O futuro do setor elétrico não pode ser decidido sem ouvir quem o faz funcionar todos os dias.

Acredito que produtividade só tem sentido se vier acompanhada de empregos dignos, salários justos e qualidade de vida.
O trabalho deve estar no centro da equação — e não à margem dela.

Como presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, reafirmo: nossa luta é por uma transição energética com justiça social, por um setor elétrico que sirva ao povo, e por um país onde o progresso não deixe ninguém para trás.

O Brasil precisa de energia — mas precisa, acima de tudo, de trabalhadores valorizados e organizados para iluminarem o caminho do futuro.

Eduardo Annunciato – Chicão

Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA
Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)
Vice-presidente da Força Sindical

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