O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região promoveu, na quinta-feira (23), o 47º Ciclo de Debates. Além disso, a atividade celebrou os 63 anos da entidade.
Metalúrgicos e metalúrgicas participaram das discussões sobre Previdência Social, saúde ocupacional e excesso de jornada. Enquanto isso, especialistas apresentaram estudos e análises aos participantes presentes.
A professora Frida Fischer, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Vitor Pagani, diretor sindical do Dieese, conduziram palestras fundamentadas em pesquisas atualizadas.
Mortes por jornada exaustiva
De acordo com estudo da OMS e da OIT, apresentado por Frida Fischer, jornadas superiores a 55 horas semanais provocam, anualmente, 745 mil mortes no mundo.
Além disso, o levantamento revelou crescimento de 42% nas mortes por doenças cardíacas relacionadas ao excesso de jornada desde o início dos anos 2000.
Durante o debate, Frida Fischer explicou que novas formas de organização ampliaram a disponibilidade permanente dos trabalhadores. Consequentemente, o descanso perdeu espaço na rotina diária.
“Com o WhatsApp, o e-mail e as metas remotas, o trabalho invade a casa. O espaço de descanso torna-se uma extensão da empresa”, alertou.
A professora defendeu a redução da jornada como medida importante. Entretanto, ressaltou que “não podemos esquecer que existem outros problemas além da jornada, que podem persistir mesmo com jornadas reduzidas e também merecem nossa atenção”.
Entre os desafios apontados, Frida destacou baixos salários, exposição constante a ruídos, desconforto térmico intensificado pelas mudanças climáticas e precarização das relações trabalhistas atuais.
Na sequência, Vitor Pagani apresentou um panorama histórico da Previdência Social. Além disso, ressaltou que esse direito resultou da organização permanente da classe trabalhadora.
O dirigente recordou que reformas recentes enfraqueceram direitos trabalhistas. Assim, apontou o crescimento da informalidade, da pejotização e da fragilização da proteção social brasileira.
“A reforma de 2017 tornou o trabalho mais irregular, incentivou a pejotização, ampliou a contratação de trabalhadores como pessoa jurídica, enfraquecendo [assim] a proteção social”, observou.
Sobre a Reforma da Previdência de 2019, Pagani afirmou que:
“A Reforma de 2019 retirou direitos. Mas as greves gerais e a pressão social conseguiram evitar perdas ainda maiores para os trabalhadores”.
Previdência Social, conquista histórica
O dirigente reforçou que a Previdência Social representa uma conquista histórica construída pela mobilização coletiva. Portanto, defendeu vigilância permanente para preservar direitos e fortalecer garantias sociais.
Ao final, os participantes homenagearam os 63 anos do Sindicato com uma salva de palmas. Em seguida, celebraram sua trajetória de lutas e conquistas.
Durante o encerramento, o presidente Gilberto Almazan, o Ratinho, destacou a importância da participação coletiva e afirmou: “O Sindicato é de todos”.
Leia também: Sindicatos debatem futuro das concessões da Enel
















