José Pereira dos Santos
José Pereira dos Santos
O Brasil estaria muito melhor, se o presidente da República mostrasse com relação à vacina a mesma disposição que demonstra pra facilitar acesso às armas.
 
Milito no movimento sindical desde os anos 80. Já viajei por todo o Brasil e vários países do mundo em eventos sindicais e nunca vi alguém pleitear armas.
 
Aqui, em Angola, na Bélgica, na Rússia, na Tailândia e em tantos outros lugares, sempre ouvi de dirigentes e trabalhadores demandas por emprego, condições de trabalho e direitos. Também vi muita reivindicação por saúde, educação, mobilidade urbana e outras questões concretas.
 
Vivo em Guarulhos há décadas. Tenho amizades em todos os círculos sociais, onde são tratados os mais variados assuntos. A preocupação é sempre com o bem-estar pessoal, da família e da coletividade. Nessas conversas surgem críticas à esquerda e à direita. Não me lembro, porém, de alguém cobrar armamento da população. O que eu verifico é um sentimento geral de que o Estado não controla o comércio clandestino de armas e mesmo o contrabando.
 
No Congresso Nacional, existem as tais bancadas temáticas. A mais famosa é a do “B”, ou seja, Bola, Bíblia, Boi e Bala. Já a bancada do “E”, de emprego, se existe, eu desconheço. Ao contrário. O que existe é um ódio de classe muito grande contra os trabalhadores e apoio àquilo que venha destruir direitos e conquistas.
 
Portanto, não faz sentido um presidente da República mobilizar esforços políticos pra facilitar o armamento das pessoas. Até porque só os abastados é que vão se armar. Uma pistola Glock, por exemplo, custa hoje em torno de R$ 10 mil – é a preferida de Bolsonaro. Além disso, tem o custo da papelada, da munição, da manutenção etc.
 
A Ford vai embora do Brasil. A Mercedes parou de fabricar carros aqui no País. No caso da Ford, o Dieese informa que perderemos cerca de 115 mil empregos, diretos ou indiretos. Pergunto: qual foi o empenho do governo federal em manter essas e outras empresas em operação? Nenhum. Se um governo não age diante de problemas dessa importância, então, ele serve pra quê?
 
Utilizo esse espaço para dizer o que penso e não tenho a presunção de estar sempre com a razão. Mas penso que o Brasil precisa hoje de vacina pra todos, rapidamente, e volta do Auxílio Emergencial de R$ 600,00 para os milhões de pobres e famintos. Cabe ao governo assegurar saúde e a alimentação dos desvalidos. Mais armas pra quê?
 
José Pereira dos Santos
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
O Brasil estaria muito melhor, se o presidente da República mostrasse com relação à vacina a mesma disposição que demonstra pra facilitar acesso às armas.
 
Milito no movimento sindical desde os anos 80. Já viajei por todo o Brasil e vários países do mundo em eventos sindicais e nunca vi alguém pleitear armas.
 
Aqui, em Angola, na Bélgica, na Rússia, na Tailândia e em tantos outros lugares, sempre ouvi de dirigentes e trabalhadores demandas por emprego, condições de trabalho e direitos. Também vi muita reivindicação por saúde, educação, mobilidade urbana e outras questões concretas.
 
Vivo em Guarulhos há décadas. Tenho amizades em todos os círculos sociais, onde são tratados os mais variados assuntos. A preocupação é sempre com o bem-estar pessoal, da família e da coletividade. Nessas conversas surgem críticas à esquerda e à direita. Não me lembro, porém, de alguém cobrar armamento da população. O que eu verifico é um sentimento geral de que o Estado não controla o comércio clandestino de armas e mesmo o contrabando.
 
No Congresso Nacional, existem as tais bancadas temáticas. A mais famosa é a do “B”, ou seja, Bola, Bíblia, Boi e Bala. Já a bancada do “E”, de emprego, se existe, eu desconheço. Ao contrário. O que existe é um ódio de classe muito grande contra os trabalhadores e apoio àquilo que venha destruir direitos e conquistas.
 
Portanto, não faz sentido um presidente da República mobilizar esforços políticos pra facilitar o armamento das pessoas. Até porque só os abastados é que vão se armar. Uma pistola Glock, por exemplo, custa hoje em torno de R$ 10 mil – é a preferida de Bolsonaro. Além disso, tem o custo da papelada, da munição, da manutenção etc.
 
A Ford vai embora do Brasil. A Mercedes parou de fabricar carros aqui no País. No caso da Ford, o Dieese informa que perderemos cerca de 115 mil empregos, diretos ou indiretos. Pergunto: qual foi o empenho do governo federal em manter essas e outras empresas em operação? Nenhum. Se um governo não age diante de problemas dessa importância, então, ele serve pra quê?
 
Utilizo esse espaço para dizer o que penso e não tenho a presunção de estar sempre com a razão. Mas penso que o Brasil precisa hoje de vacina pra todos, rapidamente, e volta do Auxílio Emergencial de R$ 600,00 para os milhões de pobres e famintos. Cabe ao governo assegurar saúde e a alimentação dos desvalidos. Mais armas pra quê?
 
José Pereira dos Santos
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região