Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Março de 1964: acontecimentos que antecederam o fatídico dia 31

terça-feira, 31 de março de 2020

Artigos

Março de 1964: acontecimentos que antecederam o fatídico dia 31

Por: Carolina Maria Ruy

Por Carolina Maria Ruy

Pelo segundo ano passamos pelo aniversário do golpe militar brasileiro, 31 de março, sob um governo favorável à ditadura de 1964. Isso é tão estranho que requer constante reflexão: por que o golpe ainda nos assombra após tantos anos de repúdio, denúncias e de construção da democracia?

A eleição de Jair Bolsonaro ascendeu o sinal de alerta mostrando que o que parecia sepultado está vivo e atuante.

No dia 15 de março de 2020, brasileiros foram às ruas – não muitos, e não se sabe se por causa do coronavírus, que já se espalhava por aqui, ou da popularidade do presidente – manifestarem apoio ao governo. Nas imagens e relatos divulgados na imprensa e nas redes sociais se viu algumas pessoas que ainda pediam uma nova intervenção militar.

Entretanto, a despeito da grande ebulição política e social que vivemos agora, marcada por incertezas e constantes reviravoltas, o março de 2020, para frustração do presidente, não parece vocacionado para o golpe como foi o março de 1964.

O irônico é que hoje, mesmo eleito presidente dentro dos parâmetros da democracia, Jair Bolsonaro flerte com um golpe que visa fechar o Parlamento e o Supremo Tribunal Federal. Ele não quer apenas frear a esquerda, mas sim liquidar qualquer possibilidade de vida política fora do seu raio de influência, seja de esquerda, de centro esquerda ou até mesmo de direita. Talvez sua postura reflita sua própria insegurança quanto a capacidade de se consolidar como um bom governante, mas aí é outra história.

O que interessa aqui é aprender com o golpe de 1964. Neste artigo, particularmente, a ideia é abordar alguns acontecimentos que antecederam o fatídico dia 31. 

Há 56 anos os acontecimentos de março representaram o acirramento de uma conspiração que se desdobrava desde 1954, com a pressão militar sobre Getúlio Vargas.

O Comício das Reformas de Base

No Comício das Reformas de Base, na Central do Brasil, Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964, o presidente Goulart anunciou as chamadas reformas de base, um programa que envolvia as reformas agrária, bancária, tributária, fiscal e administrativa. O evento reuniu de 150 a 200 mil pessoas. O projeto de Goulart era democrático, com medidas inéditas no país, entre elas desapropriações de terras à margem de rodovias federais e ferrovias; a estatização de refinarias de petróleo; uma reforma educacional, contra o analfabetismo; o controle da remessa de lucros de multinacionais para o exterior; imposto de renda proporcional; direito de voto aos analfabetos, soldados, marinheiros e cabos e a elegibilidade para todos os eleitores.

A reação da direita foi imediata. Houve manifestações oposicionistas em São Paulo e Belo Horizonte, a União Democrática Nacional (UDN) e partidos da direita pediram o impeachment de Goulart e Carlos Lacerda, governador da Guanabara, considerou o comício "um ataque à Constituição e à honra do povo" e o discurso do presidente "subversivo e provocativo".

Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade

Os atos que melhor ilustraram a insatisfação da elite conservadora foram as "Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade", mobilizando setores das classes médias e da burguesia, sob a bandeira do anticomunismo e da defesa da propriedade.

A primeira delas ocorreu em São Paulo, em 19 de março, e contou com a participação de cerca de trezentas mil pessoas, entre as quais Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, e Carlos Lacerda. As marchas se replicaram pelas principais capitais, estendendo-se até depois do golpe, quando passaram a ser chamadas de “Marchas da vitória”.

Revolta dos marinheiros

No dia 25 de março de 1964, a resistência dos marinheiros, reunidos na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, intensificou a disputa que dividia o país. Embora a entidade fosse considerada ilegal, dois mil marinheiros e fuzileiros navais liderados por José Anselmo dos Santos, o "cabo" Anselmo, transformaram a comemoração do segundo aniversário Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais em um ato político. Os marinheiros reivindicavam a legalização da Associação, a melhoria da alimentação a bordo dos navios e dos quartéis, a reformulação do regulamento disciplinar da Marinha e que nenhuma medida punitiva fosse tomada contra os manifestantes.

Em um discurso inflamado, o cabo Anselmo afirmou a disposição da Associação de lutar pelas Reformas de Base. O ato contou ainda com a presença de sindicalistas e líderes estudantis, e além do deputado Leonel Brizola e do marinheiro João Cândido, líder da Revolta dos Marinheiros de 1910.

Aquele evento deflagraria uma série de consequências. Provocado pela ousadia dos oficiais, o ministro da Marinha Sílvio Mota emitiu ordem de prisão contra seus principais organizadores e enviou um destacamento de fuzileiros navais ao local da reunião. Entretanto, segundo o historiador Augusto Buonicore “Os fuzileiros enviados se recusaram a prender os seus companheiros de farda e aderiram ao protesto”. A saída encontrada, três dias após o início da resistência, foi que os marinheiros seriam presos e logo em seguida anistiados pelo presidente. Isso agravou a animosidade que já existia entre a cúpula militar e o governo Jango: “os atos foram considerados humilhantes pela oficialidade, que reagiu com a demissão de Silvio Mota, logo substituído, por ordem de Jango, por um almirante próximo do PCB, Paulo Mário Rodrigues”.

Naquele contexto, Goulart foi convidado para a cerimônia de posse da Associação dos Sargentos na sede do Automóvel Clube, centro do Rio de Janeiro, no dia 30 de março. E ele não só compareceu ao evento como discursou voltando a defender as Reformas de Base. Aquele foi seu último discurso.

Sobre aquele evento vale ressaltar que há quem defenda que a Revolta dos Marinheiros foi inflada, na figura do Cabo Anselmo, por agentes da direita infiltrados para apressar a queda de Jango. 

O fato é que àquela altura o golpe já estava em curso.

Operação Brother Sam

Horas antes da fala presidencial, a Casa Branca recebera um telegrama do consulado americano em São Paulo, que informava: "Duas fontes ativas do movimento contra Goulart dizem que o golpe contra o governo do Brasil deverá vir nas próximas 48 horas".

Documentos já em domínio público (e o próprio embaixador Lincoln Gordon admitiu mais tarde) revelam que o governo americano orientou militares brasileiros a, caso houvesse resistência, promoverem uma intervenção. E, para isso, os EUA já haviam preparado o envio de esquadrilha de aviões, navio de transporte de helicópteros, armamentos e todo arsenal bélico em uma operação chamada Brother Sam.

De Juiz de Fora para o Rio de Janeiro

Em 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão Filho, Comandante do IV Exército, resolveu intempestivamente se antecipar ao golpe, marcado para quatro de abril, partindo com suas tropas de Juiz de Fora (MG) para o Rio de Janeiro às três horas da manhã.

Dada aquela precipitação, em 1º de abril de 1964 uma reunião entre Armando de Moraes Ancora, Comandante do I Exército e Amauri Kruel, Comandante do II Exército, com a presença do general de Emílio Garrastazu Médici, decidiu pela união das tropas na deflagração do golpe.

Apesar da ostensiva pressão do Exército, foi no Congresso Nacional que o golpe se efetivou. Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Senado, apesar de João Goulart estar no país em plena vigência do mandato, declarou vaga a presidência do Brasil, empossando novamente o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli , como presidente provisório.

No dia 9 de abril de 1964 o Ato Institucional Número Um, ou AI-1, suspendeu por dez anos os direitos políticos de todos aqueles que poderiam ser contrários ao regime, ameaçando com cassações, prisões, enquadramentos como subversivos e expulsões do país. Entre os opositores encontravam-se políticos, sindicalistas, jornalistas, intelectuais, estudantes etc.

O golpe militar impôs um regime alinhado politicamente aos Estados Unidos acarretando uma situação de atraso político, desigualdade social, censura aos meios de comunicação e de violenta repressão que duraria duas décadas.

Duro aprendizado de 20 anos de ditadura

Este é o horizonte de Jair Bolsonaro e contra isso precisamos usar o duro aprendizado de 20 anos de ditadura. Em 30 de março de 2020 o presidente ressuscitou a guerra fria alardeando sobre uma suposta "ameaça comunista”. Mais uma vez ele flertou com o golpe. Sua perspectiva é a de adquirir plenos poderes nacionalmente e subordinar o país aos EUA. E nesta projeção estão guardados aos brasileiros democratas a perseguição política, a censura, o arrocho salarial, o pau-de-arara, o choque elétrico, o afogamento, cadeira do dragão, os desaparecimentos inexplicados, os corpos desaparecidos.

Mas, embora o governo Bolsonaro seja um desastre para o país, a tendência de março de 2020 não foi a mesma de 1964. Hoje, quase um ano e meio depois, vemos que a eleição de outubro de 2018 não se traduz na defesa da ditadura militar e que aquele grupo de manifestantes que pede uma nova intervenção militar não deixou de ser uma macabra excentricidade. Bolsonaro encerra o mês com saldo político no vermelho.

Carolina Maria Ruy é jornalista e coordenadora do Centro de Memória Sindical

 

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo
Eusébio Pinto Neto

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Diretores e dirigentes sindicais
João Guilherme Vargas Netto

Diretores e dirigentes sindicais

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Mulheres por igualdade, democracia e trabalho decente
Maria Auxiliadora

Mulheres por igualdade, democracia e trabalho decente

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!
Cláudio Magrão

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites
Márcio Ferreira

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites

Servidores da Força preparam Encontro Nacional para abril
Força 29 JAN 2026

Servidores da Força preparam Encontro Nacional para abril

Isenção do IR até R$ 5 mil já impacta salários em janeiro
Força 29 JAN 2026

Isenção do IR até R$ 5 mil já impacta salários em janeiro

Trabalhadores e indústria defendem indústria química nacional
Força 29 JAN 2026

Trabalhadores e indústria defendem indústria química nacional

Sindnapi celebra o Dia Nacional do Aposentado com Café e Palestra
Força 29 JAN 2026

Sindnapi celebra o Dia Nacional do Aposentado com Café e Palestra

FEQUIMFAR planeja agenda sindical e desafios de 2026
Força 29 JAN 2026

FEQUIMFAR planeja agenda sindical e desafios de 2026

Manter os juros altos é uma irresponsabilidade social
Força 28 JAN 2026

Manter os juros altos é uma irresponsabilidade social

PLR da Lalupe tem aumento de 15% aprovado em assembleia
Força 28 JAN 2026

PLR da Lalupe tem aumento de 15% aprovado em assembleia

Diálogo fortalece campanha dos papeleiros em São Paulo
Força 28 JAN 2026

Diálogo fortalece campanha dos papeleiros em São Paulo

Sindicalistas debatem prioridades industriais para 2026
Força 28 JAN 2026

Sindicalistas debatem prioridades industriais para 2026

Atos destacam conquista da isenção do IR
Força 28 JAN 2026

Atos destacam conquista da isenção do IR

Força Sindical convoca reunião para organizar Março Mulher 2026
Força 28 JAN 2026

Força Sindical convoca reunião para organizar Março Mulher 2026

Nota de pesar: Maria Soler Costa
Força 28 JAN 2026

Nota de pesar: Maria Soler Costa

Basta de feminicídio e violência contra as mulheres!
Palavra do Presidente 27 JAN 2026

Basta de feminicídio e violência contra as mulheres!

Químicos de Botucatu elegem diretoria por unanimidade
Força 27 JAN 2026

Químicos de Botucatu elegem diretoria por unanimidade

Centrais sindicais cobram redução imediata da taxa Selic
Força 27 JAN 2026

Centrais sindicais cobram redução imediata da taxa Selic

Metalúrgicos debatem ações de 2026 em defesa dos direitos
Força 26 JAN 2026

Metalúrgicos debatem ações de 2026 em defesa dos direitos

Sindicalistas da Força debatem ações para 2026 e conjuntura nacional
Força 26 JAN 2026

Sindicalistas da Força debatem ações para 2026 e conjuntura nacional

Centrais sindicais se reúnem com PM para ato contra juros altos
Força 26 JAN 2026

Centrais sindicais se reúnem com PM para ato contra juros altos

Diálogo institucional fortalece o Fisco no Tocantins
Força 26 JAN 2026

Diálogo institucional fortalece o Fisco no Tocantins

Mobilização cobra PLR e reforça unidade em Ribeirão Preto
Força 26 JAN 2026

Mobilização cobra PLR e reforça unidade em Ribeirão Preto

Centrais convocam ato contra juros altos na Avenida Paulista
Força 26 JAN 2026

Centrais convocam ato contra juros altos na Avenida Paulista

Chicão, vice-presidente da Força Sindical, participa de celebração dos 90 anos do Salário Mínimo
Força 16 JAN 2026

Chicão, vice-presidente da Força Sindical, participa de celebração dos 90 anos do Salário Mínimo

Metalúrgicos de Marília reelegem Chapa 1 com ampla maioria
Força 16 JAN 2026

Metalúrgicos de Marília reelegem Chapa 1 com ampla maioria

A importância do Salário Mínimo
Palavra do Presidente 16 JAN 2026

A importância do Salário Mínimo

Boletim Repórter Sindical
Publicações 15 JAN 2026

Boletim Repórter Sindical

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
Artigos 15 JAN 2026

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Sintepav-BA realiza lançamento da Campanha Salarial 2026 em Salvador
Trabalho e Emprego 13 JAN 2026

Sintepav-BA realiza lançamento da Campanha Salarial 2026 em Salvador

Frentistas SP debatem pauta, aumento real  e benefícios sociais
Força 9 JAN 2026

Frentistas SP debatem pauta, aumento real  e benefícios sociais

As lições do 8 de Janeiro
Palavra do Presidente 8 JAN 2026

As lições do 8 de Janeiro

Manifestações em Brasília: 8/1 em defesa da democracia
Força 7 JAN 2026

Manifestações em Brasília: 8/1 em defesa da democracia

Aguarde! Carregando mais artigos...