Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Pobreza e responsabilidade com cuidados limitam a participação das mulheres no mercado de trabalho

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Artigos

Pobreza e responsabilidade com cuidados limitam a participação das mulheres no mercado de trabalho

Por: Marilane Oliveira Teixeira

Recentemente a OIT publicou o relatório intitulado “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017” . Trata-se de um estudo que aborda vários aspectos relacionados as condições de inserção das mulheres no mercado de trabalho, por regiões, com destaque para a sua reduzida participação como uma ocorrência que permanece ao longo dos anos.
O relatório, organizado pela OIT tem o mérito de expor um tema complexo e pouco abordado pelas pesquisas sobre mercado de trabalho e gênero: quais são as razões da reduzida participação das mulheres na taxa de participação na comparação com o sexo masculino? E porque essa realidade pouco se alterou ao longa das décadas?  O relatório constata um gap de 27 pontos percentuais na taxa de participação entre os sexos, enquanto a taxa de participação das mulheres, dados globais, oscila em torno de 49%, entre os homens ela chega a 76%.
O curioso é que a condição de país se, mais ou menos, desenvolvido em pouco altera essa relação sinalizando que é necessário um conjunto abrangente de medidas que melhore a igualdade nas condições de trabalho.
No caso do Brasil, as informações disponíveis são mais favoráveis o gap é de 22 pontos percentuais. Mesmo assim, as diferenças persistem uma vez que a ampliação da taxa de participação das mulheres entre 1995 e 2015 deslocou-se apenas 2 pontos percentuais.
Portanto, para além dos impactos no desenvolvimento econômico e social que a ausência de uma parcela significativa da força de trabalho feminina representa é importante compreender quem são essas mulheres e quais as motivações que as afastam de um emprego remunerado.
A desigual participação entre mulheres e homens no mercado de trabalho  
Em 2015, conforme últimos dados disponíveis da PNAD e publicados pelo IPEA , a População Economicamente Ativa (PEA)  no Brasil com 16 anos ou mais totalizava 103.281.285 pessoas, sendo que as mulheres representavam 44% desse total. As pessoas negras representavam 54% e as mulheres negras 52% sobre o total de mulheres.
    A primeira constatação é de que a taxa de participação das mulheres evoluiu de forma muito lenta ao longo das duas últimas décadas: entre 1995 e 2015 evoluiu de 53,7% para 55,1%, enquanto que para os homens a taxa era de 77,5% em 2015.  
Entre a população ocupada tinha-se em 2015 um total de 93.539.333 pessoas. Destas, 54% eram pessoas negras e em torno de 43% mulheres. Já a população desempregada correspondia a 9.742.052 pessoas, sendo 54% de mulheres e 61% de pessoas negras. Se desagregarmos ainda mais os dados, veremos que as mulheres negras constituem maioria: 32% sobre o total de pessoas desempregadas. Ou seja, em cada dez desempregados no Brasil três são mulheres negras.
Na População Não Economicamente Ativa (PNEA)  temos mais de 56 milhões de pessoas, do qual as mulheres representam aproximadamente 68% desse total. Entre a PNEA surpreende o elevado percentual de mulheres entre 20 e 39 anos nessa condição, 24%, enquanto que entre os homens o percentual, para a mesma faixa etária, é de 15%. Portanto, primeiro registro importante a ser feito é o elevado número de mulheres que se afasta do mercado trabalho na idade reprodutiva, o que compromete de forma bastante intensa a sua trajetória profissional uma vez que, ao retornarem para o mercado de trabalho, essas mulheres passam a ocupar empregos mais precários e com menor proteção social.  
Relação entre pobreza e taxa de participação das mulheres
    A condição de maior pobreza tem sido um obstáculo à inclusão das mulheres no mercado de trabalho. Dependendo de sua situação de pobreza, a taxa de participação das mulheres pode variar entre 38,0% e 62,6%. Em 2015, apenas 38% das mulheres extremamente pobres estavam no mercado de trabalho, enquanto entre as não pobres o percentual chegava a 62,6%. Entre os homens nessa mesma condição os dados sofrem pouca alteração de maneira que a pobreza, sem dívida nenhuma afeta mais as mulheres.

Tabela 1 – Taxa de participação – PNAD – 2015
Situação de pobreza    Mulheres    Homens
Taxa de participação total    55,1%    77,5%
Extremamente pobres    38,0%    65,9%
Pobres    48,5%    76,8%
Vulneráveis    49,4%    74,1%
Não pobres    62,6%    81,5%
Fonte: IPEA – Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça – 2017

Estudos realizados por Vasquez (2016, p. 54)  indicam que a taxa de participação das mulheres varia de acordo com o seu nível socioeconômico, expresso pela renda domiciliar per capita. Assim, para renda de até ¼ de salário mínimo (SM) a diferença de taxa de participação entre os sexos é 37,1% na faixa entre 25 e 29 anos. Essa diferença chega a 40,6% entre os sexos para faixas de idade entre 25 a 29 anos e renda per capita entre 1/4 e 1/2 SM . No entanto, quando a renda é de mais de cinco SM, a diferença entre os sexos é de apenas 5,4%.  
Dito de outra maneira, o diferencial entre mulheres e homens diminui na medida em que a renda per capita cresce, evidenciando que a situação socioeconômica das mulheres é um fator decisivo para sua entrada e permanência no mercado de trabalho. Quanto mais pobres, mais tempo elas estarão afastadas do mercado de trabalho. Essa interrupção comprometerá de forma definitiva a trajetória profissional, as contribuições previdenciárias e com isso a maior parte das mulheres não alcançará o tempo de contribuição mínimo para requerer a sua aposentadoria.
As tarefas de cuidados são um grande limitador para as mulheres mais pobres. O afastamento das mulheres do mercado de trabalho, entre 25 e 29 anos, em parte, está associado à maternidade e à ausência de creches públicas, o que obriga as mais pobres a se afastarem temporariamente de alguma atividade remunerada para se dedicarem as tarefas de cuidados.
Os dados também indicam que o avanço da idade reduz a taxa de participação das mulheres de forma mais intensa do que a taxa masculina: para o ano de 2013, as mulheres alcançaram uma taxa de participação de 73,2% nas faixas entre 35 a 39 anos, reduzindo para 46,5% entre 55 a 59 anos.
O trabalho doméstico segue sendo de responsabilidade das mulheres
Jornadas parciais resultam da precariedade nas relações de trabalho e da lógica do mercado em imputar como natural às mulheres as atividades de âmbito reprodutivo, realidade semelhante nos demais países.
Contudo, a diferença na jornada de trabalho entre mulheres e homens diminuiu. Em 1995, a jornada semanal de trabalho das mulheres era 10,2hs menor que a dos homens. Em 2015, essa diferença diminuiu para 5,9hs (PNAD). Ou seja, as jornadas em trabalho remunerado, entre mulheres e homens, vêm se aproximando ao longo dos anos.

Tabela 2 – Jornada média semanal na ocupação principal
    1995    2005    2015
Mulheres    35,1 horas    35,0 horas    34,9 horas
Homens    45,3 horas    43,6 horas    40,8 horas
Fonte: IPEA – Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça – 2017

Entretanto, isso não se reflete em uma ampliação, por parte dos homens da jornada ligada aos trabalhos domésticos que segue praticamente intacta, em torno de 10 horas semanais, conforme dados da última década, considerando que apenas 52% dos homens declararam realizar algum tipo de afazeres domésticos enquanto que entre as mulheres o percentual foi de 90%. Para as que responderam positivamente a jornada dedicada aos afazeres domésticos oscila em torno de 21 horas semanais, mas dependendo da atividade em que estiver inserida pode ampliar para 30 horas, a exemplo das trabalhadoras da agricultura e da pesca
Conforme estudos do IPEA, a menor carga de trabalho de cuidados devido à redução da taxa de dependência de crianças será, a partir de 2023, contrabalançada pelo aumento expressivo da razão de dependência de idosos cujo trabalho tenderá a recair sobre as mulheres.
Nesse sentido, é um pressuposto da igualdade que se enfrente o déficit de políticas públicas que beneficiam as mulheres, a redução da pobreza e da vulnerabilidade social e que se aborde de forma responsável com o conjunto da sociedade o compartilhamento das responsabilidades familiares.

 Marilane Teixeira é economista do CESIT/UNICAMP

 

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição
Sérgio Luiz Leite, Serginho

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo
Eusébio Pinto Neto

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Diretores e dirigentes sindicais
João Guilherme Vargas Netto

Diretores e dirigentes sindicais

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!
Cláudio Magrão

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites
Márcio Ferreira

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites

Força Sindical debate valorização dos hoteleiros
Força 4 MAR 2026

Força Sindical debate valorização dos hoteleiros

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1
Força 4 MAR 2026

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso
Força 4 MAR 2026

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho
Imprensa 4 MAR 2026

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT
Força 3 MAR 2026

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente
Força 3 MAR 2026

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga
Força 3 MAR 2026

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga

Centrais alinham agenda e direitos no Congresso
Força 3 MAR 2026

Centrais alinham agenda e direitos no Congresso

Panfletagem marca abertura do Março Mulher em São Paulo
Força 2 MAR 2026

Panfletagem marca abertura do Março Mulher em São Paulo

Solenidade empossa Federação dos Metalúrgicos SP em Jundiaí
Força 2 MAR 2026

Solenidade empossa Federação dos Metalúrgicos SP em Jundiaí

Carta aberta aos Trabalhadores da Saúde de São Paulo
Força 2 MAR 2026

Carta aberta aos Trabalhadores da Saúde de São Paulo

Março Mulher: Sintrabor divulga Boletim Especial dedicado à luta das trabalhadoras
Força 2 MAR 2026

Março Mulher: Sintrabor divulga Boletim Especial dedicado à luta das trabalhadoras

Sinthoresp participa de SIPAT no Holiday Inn com ações de saúde e prevenção
Força 2 MAR 2026

Sinthoresp participa de SIPAT no Holiday Inn com ações de saúde e prevenção

Sintepav-BA reelege Irailson Gazo para mandato 2026–2030
Força 2 MAR 2026

Sintepav-BA reelege Irailson Gazo para mandato 2026–2030

Nota Oficial do Sindec
Força 27 FEV 2026

Nota Oficial do Sindec

Apoio e solidariedade aos trabalhadores pneumáticos da Argentina
Força 27 FEV 2026

Apoio e solidariedade aos trabalhadores pneumáticos da Argentina

Workshop na FTTRESP reforça voto consciente no movimento sindical
Força 27 FEV 2026

Workshop na FTTRESP reforça voto consciente no movimento sindical

Pesquisa da Unicamp rebate ataques à redução da jornada
Força 27 FEV 2026

Pesquisa da Unicamp rebate ataques à redução da jornada

Reunião esclarece prorrogação de mandato na Força Sindical
Força 26 FEV 2026

Reunião esclarece prorrogação de mandato na Força Sindical

Mobilização mira PEC contra escala 6×1 no Congresso
Força 26 FEV 2026

Mobilização mira PEC contra escala 6×1 no Congresso

Curso sobre Orçamento Municipal segue até sexta (27) no Sindnapi
Força 25 FEV 2026

Curso sobre Orçamento Municipal segue até sexta (27) no Sindnapi

Atletas 60+ disputam Jogos da Melhor Idade 2026 em Araçatuba
Força 25 FEV 2026

Atletas 60+ disputam Jogos da Melhor Idade 2026 em Araçatuba

Sincomerciários mobiliza comércio por escala 5×2 em São Carlos
Força 25 FEV 2026

Sincomerciários mobiliza comércio por escala 5×2 em São Carlos

Sindicalistas debatem conjuntura industrial no setor da borracha
Força 25 FEV 2026

Sindicalistas debatem conjuntura industrial no setor da borracha

Sindicalistas debatem agenda política e sindical
Força 25 FEV 2026

Sindicalistas debatem agenda política e sindical

Congresso Nacional em foco: mobilização pelo fim da escala 6×1
Força 25 FEV 2026

Congresso Nacional em foco: mobilização pelo fim da escala 6×1

94 anos do voto feminino: democracia, luta e compromisso
Artigos 24 FEV 2026

94 anos do voto feminino: democracia, luta e compromisso

Greve na Brose completa 28 dias por melhores condições
Força 24 FEV 2026

Greve na Brose completa 28 dias por melhores condições

Força reforça apoio à greve na Brose
Força 24 FEV 2026

Força reforça apoio à greve na Brose

Direitos e condições de trabalho no Brasil em pauta
Força 24 FEV 2026

Direitos e condições de trabalho no Brasil em pauta

Aguarde! Carregando mais artigos...