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Educação

Base Nacional Curricular de Português avança e inclui tecnologia

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Educação

Base Nacional Curricular de Português avança e inclui tecnologia

Educadores apoiam abordagem com uso de vários formatos; ensino infantil também é elogiado, mas há críticas na parte de Matemática

 

Base Nacional Curricular de Português avança e inclui tecnologiaCrédito: Divulgação

A nova versão da parte de Língua Portuguesa da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), em fase final de discussão, avançou muito em relação à anterior. Ao lerem o texto que deve ser votado nesta quinta-feira, 7, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), educadores elogiaram o fato de ele incluir a tecnologia, abordando o trabalho com textos digitais, e dar ênfase ao uso da linguagem em vários campos, incluindo literatura e jornalismo.  

O documento, que vai traçar objetivos de aprendizagem para todas as escolas do País nos níveis infantil e fundamental, foi revisado pelo Ministério da Educação (MEC) pela quarta vez. O Estado teve acesso ao texto, apesar de o governo anunciar que não divulgaria a BNCC antes de ela passar por votação. O texto está sendo analisado pelo CNE desde segunda-feira.

“Sinaliza que a escola deve estar atenta aos usos que o texto tem, às práticas reais”, diz a professora do Instituto Vera Cruz, Maria José Nóbrega. Para ela, a versão anterior da base curricular dava pouca importância aos textos literários, por exemplo, e ainda não tinha rigor técnico. Agora, acredita, o novo texto ajuda o professor a entender como deve trabalhar. “Ele vê que não se deve ler textos jornalísticos como se lê literatura.”

Para a diretora pedagógica da Escola da Vila, Fernanda Flores, essas novas considerações mostram que “escrever e ler são práticas sociais”. No entanto, acredita que a visão não é a mesma na parte de alfabetização, que não mudou após as críticas de especialistas. “Continuam dizendo que alunos têm de aprender as letras, os sons e depois juntar e ler. Isso é lastimável e contraditório com relação ao restante do documento.”  

Um exemplo (de como o texto melhorou) é estimular os alunos a comparar informações sobre o mesmo fato em diferentes mídias, aprender a checar a confiabilidade da fonte.
Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho do Cenpec

“Essa versão promove a ampliação do letramento, incluindo não só a linguagem escrita, mas todos os textos relacionados a novas tecnologias, como vídeos, áudios e podcasts”, afirma a presidente do conselho do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Anna Helena Altenfelder. A especialista afirma que a base curricular demonstra ainda preocupação com o ensino de uma leitura crítica, importante para que o estudante consiga classificar as diferentes informações que recebe por meio da internet e das redes sociais.


A Matemática, segundo especialistas, não mudou muito em relação à versão anterior. “O texto apenas diz que é a favor da tecnologia, mas não como ela se conecta ao conteúdo”, diz Antonio José Lopes, pesquisador e fundador do Centro de Educação Matemática. Ele também considera que o conteúdo da área é extenso demais, principalmente para escolas públicas, e “engessado”, porque determina o que deve ser aprendido em cada série. “É uma estrutura apropriada para fazer apostilas de cursinho.”

A área destinada à educação infantil (0 a 5 anos de idade) foi elogiada. “Essa versão está mais abrangente e favorece uma compreensão maior da criança”, afirma a coordenadora do Instituto Avisa Lá, Cisele Ortiz. Ela destaca que foram retirados os objetivos de aprendizagem esperados para crianças em cada idade. Em vez disso, elas estão separadas por “bebê, criança muito pequena e criança pequena”.  

Membro do Conselho Estadual da Educação e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Luís Carlos de Menezes também destaca pontos positivos do novo documento na área de Ciências da Natureza, como a ampliação dos conteúdos de meio ambiente e de geologia e a simplificação da linguagem. “Isso ocorre principalmente para os anos iniciais e é correto – para que não sejam usados tantos termos técnicos”, afirma.

 

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo

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