Os Bórgias (The Borgias)
Canadá, Irlanda, Hungria, 2011
Criador: Neil Jordan
Elenco: Jeremy Irons, François Arnaud, Holliday Grainger, Joanne Whalley, David Oakes

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O fato da série “Os Bórgias” ter sido inspirada no romance de Mario Puzo, o mesmo romancista de “The Godfather” é algo muito revelador.

Filhos do mesmo escritor, os romances sobre os Bórgias (A Família, 2010) e os Corleone (O Padrinho, 1969) são mais que irmãos. Quando se conhece a história de como Rodrigo Bórgia se tornou o Papa Alexandre VI, autoridade máxima da igreja católica, em uma época em que esta igreja ditava as regras políticas, econômicas e sociais no mundo, nota-se que há uma evidente simbiose entre os meandros do poder apresentados nos enredos.

Família nobre espanhola-italiana, os Bórgias se tornaram proeminentes durante o Renascimento, produzindo nada menos que três papas: Papa Calisto III, (Alfons de Borja, que governou entre 1455 e 1458), Alexandre VI (Rodrigo Lanzol Bórgia, que foi Papa entre 1492 e 1503) e Papa Inocêncio X (Giovanni Battista Pamphilj, que governou durante os anos 1644 e 1655).

Eles são frequentemente associados à ideia de corrupção, traição, casos de envenenamentos, crueldade, estupros, adultérios, promiscuidade e, sobretudo, são lembrados por não terem pudores ou escrúpulos para se manterem no poder.

Interessante que, como a série mostra, tamanha sordidez não se dilui no obscurantismo medieval, ainda forte neste início do Renascimento. Não. Ela está mais para um modo “moderno” de se fazer política na base da manipulação deliberada de seus atores. Tanto que César, filho de Alexandre VI, inspirou o florentino Nicolau Maquiavel a escrever seu clássico: "O Príncipe".

Filho do Papa? Sim. Causa espanto ver o Papa rodeado por voluptuosas amantes, uma vez que estamos acostumados à condição celibatária dos padres. Mas a virilidade é traço marcante do perfil de Rodrigo Bórgia, protagonista da série (o celibato clerical que, grosso modo, visava não dividir o patrimônio da igreja, em um contexto de Reforma Protestante e de divisão na Europa, foi instituído somente depois do Concílio de Trento, 1545 a 1563).

Embora à frente da igreja, as ações dos Bórgias não são justificadas por motivos espirituais. São, ao contrário, voltados à assuntos mundanos, carnais e materiais.

Com uma fina caracterização de época e um elenco convincente, “Os Bórgias” oferece uma viagem pela história. As guerras europeias, a peste, a religião e o poder compõe uma trama instigante e que pode nos ajudar a pensar sobre os caminhos da atual configuração mundial.

São relações pulsantes em uma época de transformações na raiz da política, da cultura e do comportamento humano.

*Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical
 

Os Bórgias (The Borgias)
Canadá, Irlanda, Hungria, 2011
Criador: Neil Jordan
Elenco: Jeremy Irons, François Arnaud, Holliday Grainger, Joanne Whalley, David Oakes

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O fato da série “Os Bórgias” ter sido inspirada no romance de Mario Puzo, o mesmo romancista de “The Godfather” é algo muito revelador.

Filhos do mesmo escritor, os romances sobre os Bórgias (A Família, 2010) e os Corleone (O Padrinho, 1969) são mais que irmãos. Quando se conhece a história de como Rodrigo Bórgia se tornou o Papa Alexandre VI, autoridade máxima da igreja católica, em uma época em que esta igreja ditava as regras políticas, econômicas e sociais no mundo, nota-se que há uma evidente simbiose entre os meandros do poder apresentados nos enredos.

Família nobre espanhola-italiana, os Bórgias se tornaram proeminentes durante o Renascimento, produzindo nada menos que três papas: Papa Calisto III, (Alfons de Borja, que governou entre 1455 e 1458), Alexandre VI (Rodrigo Lanzol Bórgia, que foi Papa entre 1492 e 1503) e Papa Inocêncio X (Giovanni Battista Pamphilj, que governou durante os anos 1644 e 1655).

Eles são frequentemente associados à ideia de corrupção, traição, casos de envenenamentos, crueldade, estupros, adultérios, promiscuidade e, sobretudo, são lembrados por não terem pudores ou escrúpulos para se manterem no poder.

Interessante que, como a série mostra, tamanha sordidez não se dilui no obscurantismo medieval, ainda forte neste início do Renascimento. Não. Ela está mais para um modo “moderno” de se fazer política na base da manipulação deliberada de seus atores. Tanto que César, filho de Alexandre VI, inspirou o florentino Nicolau Maquiavel a escrever seu clássico: "O Príncipe".

Filho do Papa? Sim. Causa espanto ver o Papa rodeado por voluptuosas amantes, uma vez que estamos acostumados à condição celibatária dos padres. Mas a virilidade é traço marcante do perfil de Rodrigo Bórgia, protagonista da série (o celibato clerical que, grosso modo, visava não dividir o patrimônio da igreja, em um contexto de Reforma Protestante e de divisão na Europa, foi instituído somente depois do Concílio de Trento, 1545 a 1563).

Embora à frente da igreja, as ações dos Bórgias não são justificadas por motivos espirituais. São, ao contrário, voltados à assuntos mundanos, carnais e materiais.

Com uma fina caracterização de época e um elenco convincente, “Os Bórgias” oferece uma viagem pela história. As guerras europeias, a peste, a religião e o poder compõe uma trama instigante e que pode nos ajudar a pensar sobre os caminhos da atual configuração mundial.

São relações pulsantes em uma época de transformações na raiz da política, da cultura e do comportamento humano.

*Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical