Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o Plano Verão registrou 1.408 horas de medição sobre exposição dos eletricitários paulistas ao calor intenso ocupacional.
Desenvolvido pelo Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, o levantamento reforça a necessidade de medidas preventivas para proteger trabalhadores submetidos diariamente às altas temperaturas ambientais.
Os dados foram apresentados pelo presidente do Sindicato, Eduardo Annunciato, Chicão, durante encontro nacional realizado em Campo Grande, reunindo especialistas, sindicalistas, empresas, instituições e trabalhadores.
Durante 243 dias avaliados, o Sindicato realizou apurações em 235 dias, somando 1.408 horas, das quais somente 475 permaneceram dentro do limite de tolerância estabelecido.
Por outro lado, 932 horas foram classificadas como exposição ao agente nocivo calor, evidenciando presença prolongada do risco durante as jornadas dos trabalhadores eletricitários paulistas.
“Desde que implantamos o Plano Verão, nosso objetivo sempre foi proteger a vida e a saúde dos trabalhadores”, afirma Chicão, ao analisar os resultados apresentados.
Segundo o dirigente, os números demonstram que a exposição ao calor não representa situação pontual, mas realidade presente durante muitas horas da jornada dos eletricitários.
Além disso, Chicão defende que empresas enfrentem essa realidade com prevenção, responsabilidade e respeito aos limites dos trabalhadores, evitando consequências prejudiciais à saúde e segurança.
Mais de 66% das horas registraram exposição
As medições foram distribuídas em cinco faixas, conforme diferentes níveis de exposição, necessidade de repouso e condições encontradas durante o acompanhamento realizado pelo Sindicato paulista.
A faixa azul, sem necessidade de repouso, correspondeu a 33,74% das medições, totalizando 475 horas consideradas dentro dos parâmetros estabelecidos para realização segura das atividades.
Já a faixa verde representou 19,82%, com 279 horas, enquanto a amarela atingiu 13,42%, somando 188 horas de exposição registradas durante o período analisado Sindicato.
Enquanto isso, a faixa laranja respondeu por 17,12%, totalizando 241 horas, e a vermelha, considerada mais crítica, alcançou 15,91%, equivalentes a 224 horas no levantamento.
Considerando todas as faixas de exposição, o estudo identificou 568,5 horas de repouso necessário não realizado, dado que amplia o alerta sobre prevenção nos ambientes.
“O Plano Verão não existe apenas para medir a temperatura. Ele existe para transformar esses dados em proteção”, destaca Chicão sobre os objetivos da iniciativa.
Quando o monitoramento identifica condições de risco, o Sindicato defende hidratação, pausas, recuperação adequada e outras providências capazes de impedir comprometimentos à saúde dos trabalhadores.
Monitoramento fortalece prevenção
Com caráter preventivo, o Plano Verão também orienta eletricitários sobre acompanhamento das temperaturas e adoção de cuidados durante períodos de calor intenso, sobretudo em atividades.
Além disso, a iniciativa ganhou relevância diante da intensificação das ondas de calor e das mudanças climáticas observadas nos últimos anos, ampliando desafios para trabalhadores.
Segundo Chicão, a experiência acumulada pelo Sindicato pode ampliar o debate em outras categorias e estimular mecanismos semelhantes de proteção contra os efeitos do calor.
“Os números nos dão condições de cobrar medidas com base em dados concretos”, afirma Chicão, defendendo que o monitoramento fortaleça ações preventivas e negociações empresariais.
O presidente destaca que nenhum serviço pode superar saúde e segurança dos trabalhadores, princípio que orienta a continuidade e ampliação do Plano Verão.
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