
Crise no polo de Cubatão leva indústria a negociar com Alckmin — Foto: Arquivo A Tribuna
O Polo Industrial de Cubatão enfrenta uma crise prolongada, marcada pelo fechamento de fábricas e perda de empregos, enquanto lideranças articulam apoio federal.
Diante desse cenário, sindicatos e empresários confirmaram reunião em Brasília com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir alternativas ao setor industrial.
Além disso, o polo reúne cerca de 25 grandes empresas estratégicas, atuantes em petroquímica, siderurgia e fertilizantes, com logística favorecida pelo Porto de Santos.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, Herbert Passos Filho, a região perdeu cerca de 7 mil postos de trabalho nos últimos 25 anos.
“Tivemos uma redução expressiva no número de trabalhadores diretos de aproximadamente dez mil postos de trabalho para em torno de três mil”, lamentou.
Somente no último ano, por sua vez, mais de seiscentos e cinquenta empregos diretos foram extintos após encerramentos e reduções produtivas em empresas locais.
De acordo com Passos, a crise resulta da concorrência internacional, altos custos de matéria-prima e desigualdade tributária que prejudica a produção nacional.
“A isenção de tributos nos importados compromete a produção nacional, que é sujeita à tributação local e interestadual”, afirmou, dizendo que a perda da competitividade leva o Brasil a importar 90% do consumo.
Fim de operações
Yara Brasil
Passos, que também é 1º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (FEQUIMFAR), explicou que a maior parte da perda de postos de trabalho em 2025 ocorreu na Yara Brasil.
De acordo com ele, a empresa tinha um complexo com cinco fábricas internas e fechou duas, resultando na perda de aproximadamente 500 funcionários diretos.
Em nota, a Yara informou que, no ano passado, paralisou a produção de fertilizantes fosfatados e de ácido sulfúrico em Cubatão. Porém, garantiu que a cidade segue sendo estratégica para atuação da companhia.
“Com ativos de nitrogênio que representam uma vantagem competitiva, posicionados para contribuir com o negócio de forma cada vez mais sustentável em frentes estratégicas como soluções de baixo carbono, neutralidade climática e agricultura regenerativa”, justificou.
Ainda de acordo com a nota, o foco da Yara Brasil é a produção de fertilizantes nitrogenados com uma unidade de mistura e um entreposto logístico, além de duas unidades de produção de insumos industriais à base de nitrogênio, como amônia e nitratos.
Unigel
Também em Cubatão, a Unigel anunciou o fim das operações no início de 2026. Segundo Passos, a empresa já teve até 250 trabalhadores diretos, mas atualmente tinha cerca de 80 diretos e outros 80 terceirizados.
Em nota, a Unigel informou que paralisou as atividades da fábrica de estireno e tolueno em Cubatão (SP) devido ao “contexto do ciclo de baixa sem precedentes na indústria química global”.
Ainda em nota, a empresa afirmou que conduz o processo de paralisação com transparência, em diálogo com colaboradores e sindicatos, com cumprimento integral da legislação trabalhista e ambiental.
Olin
A Olin, que fica em Guarujá, também anunciou que interromperá as operações até março, representando mais desemprego.
“No ano passado tinha 80 trabalhadores e em torno de 30 terceirizados”, afirmou Passos.
De acordo com o presidente do sindicato, a empresa deve cumprir contratos até março, mas tem até setembro para fazer a limpeza e retirada de resíduos e até 2027 para concluir o encerramento documental de equipamentos, a demolição e o acompanhamento ambiental.
“Nas próximas semanas, a Olin encerrará as operações do negócio de resinas Epóxi no Guarujá – Brasil, em decorrência dos altos custos locais, desafios regulatórios e excesso de capacidade global da indústria”, explicou a companhia, em nota.
De acordo com a empresa, a decisão permite alinhar melhor os recursos e manter o compromisso com a qualidade e confiabilidade.
“Os clientes do Brasil e globalmente vão continuar sendo atendidos por meio de nossas plantas integradas e com vantagens de custos operacionais, por meio de estoque disponível para apoiar essa transição”.
Em busca de melhorias
Representantes da indústria química, preocupados com o risco de desindustrialização, enviaram em 23 de janeiro uma carta ao ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin pedindo uma solução para o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) em 2026.
O setor também alertou para o comprometimento da soberania produtiva nacional e pediu alternativas diante dos vetos ao Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).
O convite foi aceito e uma reunião foi marcada para terça-feira (3), em Brasília. Antes disso, o prefeito de Cubatão (SP), César Nascimento (PSD), se reuniu em 28 de janeiro com sindicatos e associações da indústria química no Paço Municipal para alinhar as pautas que serão apresentadas ao ministro.
Na capital federal, Nascimento participará do encontro com Alckmin e outras autoridades do setor. O objetivo é discutir medidas de apoio à indústria e buscar soluções concretas para garantir a competitividade e a sustentabilidade da produção química no país.
“É muito importante a união de esforços no sentido de defendermos a indústria em geral. E obviamente que Cubatão não pode ficar fora deste processo de luta. Defender a Indústria é também defender a soberania do país, especialmente no que tange à manutenção de empregos e à geração de renda”, disse o prefeito, em nota divulgada pela administração municipal.
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