O boletim “De Olho nas Negociações”, do Dieese, revela que os reajustes salariais em 2026 começaram com forte predominância de ganhos reais para trabalhadores.
Além disso, em fevereiro, 88,6% dos reajustes registrados até 9 de março superaram a inflação medida pelo INPC, consolidando cenário positivo nas negociações coletivas.
Por outro lado, apenas 7,9% dos reajustes ficaram abaixo da inflação, enquanto 3,5% garantiram somente reposição das perdas, evidenciando predominância de resultados favoráveis aos salários.
Entretanto, a variação real média caiu de janeiro para fevereiro, passando de 1,92% para 1,44%, o que indica leve desaceleração, embora mantenha desempenho entre os melhores períodos recentes.
De acordo com técnicos do Dieese, “os resultados refletem um ambiente mais favorável às negociações, com inflação mais controlada e maior capacidade de pressão das categorias organizadas”.

Serviços lidera entre setores
No recorte setorial, o setor de serviços liderou os ganhos reais, com 91,7% das negociações acima da inflação, seguido de perto pela indústria, também com resultados expressivos.
Em contraste, o comércio apresentou desempenho inferior, com 66,7% dos reajustes acima da inflação, enquanto o setor rural concentrou maior proporção de perdas salariais.
Ainda assim, técnicos do Dieese alertam que “as diferenças entre setores refletem desigualdades estruturais da economia, especialmente na capacidade de organização sindical e nas margens empresariais”.

Adicionalmente, a maioria dos reajustes foi aplicada integralmente na data-base, com apenas 0,9% pagos de forma parcelada, reforçando maior efetividade das negociações coletivas recentes.
No âmbito regional, Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de ganhos reais.
Enquanto o Sudeste apresentou a maior variação média, indicando avanços disseminados no país.
Apesar disso, os pisos salariais permanecem baixos, com média de R$ 1.817 no início do ano, o que limita o impacto distributivo dos reajustes conquistados.
Conforme avaliação técnica, “a elevação dos pisos ainda não acompanha plenamente o custo de vida, exigindo continuidade das lutas por valorização salarial mais robusta”.
Os dados apontam recuperação do poder de compra via negociação coletiva, porém revelam desigualdades estruturais entre setores e regiões que ainda desafiam a valorização do trabalho.
Fonte: Rádio Peão Brasil
Leia também: Setor público debate regulação da IA






























