Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

1º de maio e suas memórias

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Artigos

1º de maio e suas memórias

Por: Milton Cavalo

Em 1º de maio de 2011 chegamos ao 125º dia internacional do trabalhador. No centenário deste dia, no ano de 1986, o Centro de Memória Sindical, então com seis anos de existência, publicou o livro “1º de Maio cem anos de luta – 1886 – 1986”, escrito pelo senador italiano José Luiz Del Roio, que foi quem organizou, Archivio Storico del Movimento Operaio Brasilliano (ASMOB, sob custódia da Unesp/CEDEM).

Restam poucos exemplares desta obra rara, ilustrada com “precioso material sobre a luta do operariado brasileiro”.

No livro ele descreve a situação miserável em que viviam os trabalhadores no início do processo de industrialização na Inglaterra.

Dentre todas as barbaridades às quais o trabalhador era exposto, Del Roio destaca a pesada jornada de trabalho, que chegava a 80 horas semanais, sem qualquer regulamentação.

De fato, a Revolução Industrial (século XVIII) alterou profundamente a vida do trabalhador braçal. Os operários, inclusive mulheres e crianças, viviam em condições horríveis, em cortiços, com salários medíocres (no limite do nível de subsistência).

E a pesada jornada de trabalho acentuava estas condições. “Lazer, instrução e felicidade”, diz Del Roio, era algo com que os trabalhadores não tinham forças nem para sonhar. “Para eles, viver era não morrer”, conclui.

Isto posto, o escritor menciona, então, a formação das primeiras associações de trabalhadores, apontando o reconhecimento das Trade Unions (sindicatos), em 1824, na Inglaterra (que já existiam, mas só foram reconhecidas neste ano). Fala também da conquista da regulamentação da jornada de trabalho em 10 horas diárias para adultos, que passaou a vigorar em 1º de maio de 1848.
1848, inclusive, cita o livro, foi o ano do lançamento do Manifesto Comunista, escrito pelos célebres teóricos Karl Marx e Friedrich Engels. Com uma linguagem simples e acessível, o Manifesto, buscou conscientizar o operariado sobre a precariedade de sua situação e sobre sua importância como agente transformador da história. Desta forma, almejando organizar o proletariado como classe social, a obra tornou-se uma leitura instigante que, de fato, orientou os trabalhadores da época. Historicamente trata-se de um dos tratados políticos de maior influência mundial.

Na linha do lançamento do Manifesto Comunista, Del Roio, segue discorrendo sobre a formação de um centro de coordenação e informação para o proletariado de diferentes países. Segundo ele, em 28 de setembro de 1864, em Londres, foi realizado um encontro, inaugurado pelo próprio Karl Marx, que terminou com a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), conhecida posteriormente como a Primeira Internacional.

Usando o exemplo da Revolução Industrial, o livro mostra, que o operariado, a partir da miséria que lhe foi imposta, sempre buscou se organizar e reagir às injustas sociais.

Desta forma, a adoção do 1º de maio como dia do trabalhador se consolida como um evento emblemático, que traz em si a ideia do grande potencial do povo em se unir e se organizar para reagir às adversidades.

Del Roio fala de como esta data foi estabelecida. Segundo ele, no bojo das contradições do capitalismo, no século XIX, se acirraram os conflitos entre trabalhadores e patrões. As jornadas de trabalho pesadas e em péssimas condições tornavam-se cada vez mais inaceitáveis e, quanto mais os trabalhadores se organizavam para reivindicar direitos sociais, mais violentas eram as repressões. Foi um período sangrento. Truculento.

Mas também de experiências e conquistas fundamentais para o futuro da classe trabalhadora.

Neste intenso contexto de lutas foram criadas, já nos Estados Unidos da América, de um lado o grupo auto-intitulado “Defensores da Ordem”, a serviço dos patrões, na repressão do movimento operário, e de outro os Cavaleiros do Trabalho (Knight of Labor), que existia desde 1869, mas fica mais forte em 1886, chegando ultrapassar 700 mil aderentes.

Além disso, em 1881 nasce a American Federation of Labor (AFL – que a partir da fusão com a CIO se transformou na atual AFL-CIO, Central Sindical do EUA), outra organização que reforçaria a luta operária.

Em 1884 a AFL promoveria um congresso em Chicago, no qual propõs um prazo – dentro do qual buscariam negociar e pressionar o governo e os patrões – para atingir o objetivo de estabelecer a jornada de trabalho em 8 horas diárias. Desta forma, se até o dia 1º de maio de 1886 tal meta não fosse atingida, a Federação propunha a realização de uma greve geral nacional. Aprovada por assembléia a proposta foi encampada pela AFL e pelos Cavaleiros do Trabalho, que passaram a se dedicar à mobilização de todas as categorias nos Estados Unidos.

Em abril de 1886, violentas greves despontaram em vários locais – muitas delas gerando boas negociações.

Eis que, como escreve Del Roio, “finalmente amanhece o 1º de maio de 1886”. Centenas de pessoas abandonam seus postos de trabalho. Há que se reconhecer que, entre o total de trabalhadores não foi a maioria que aderiu ao movimento. Entretanto, a força de seu simbolismo foi imensa. Segundo o autor “a história ainda não conhecera esse tipo de luta”, com vitórias consistentes.

A cidade de Chicago foi o coração do movimento. Não à toa. Chicago era, já naquela época, uma cidade que concentrava muitas indústrias, sendo uma espécie de “vanguarda do capitalismo americano”. Uma vez que estava à frente, do ponto de vista da produção capitalista, as contradições deste sistema, em contrapartida, estavam mais acirradas.

Aquele sábado, em 1º de maio de 1886, não foi um dia como os outros em Chicago. O silêncio da paralisação alastrou-se pelo ar. O era de tensão, e não de serenidade. E ele foi rompido pela grande passeata que atravessou a avenida Michigan e terminou com um eloqüente comício. A greve permaneceu por alguns dias. Ainda que pacífico, o movimento foi recebido com violência pela polícia, levando a mortes de trabalhadores, além da destruição de seus lares e de sedes de sindicatos. No dia 3 de maio, na frente de uma das fábricas, a polícia matou seis operários, feriu cinqüenta e prendeu centenas.

Atrocidades que se repetiram no dia seguinte, em outra grande manifestação.
Os principais líderes dos trabalhadores, Spies, Parsons, Engel e Fisher, foram condenados e executados em 11 de novembro de 1886.

Desta forma, cinco anos depois, no 2° Congresso da Segunda Internacional, em Bruxelas, foi aprovada a resolução de estabelecer 1° de MAIO, como o dia dos trabalhadores de todo o mundo.

Del Roio fala também, em grande parte do livro, sobre como o 1º de maio começou a ser comemorado no Brasil. Até as primeiras décadas do século 20, vivíamos uma condição de forte dependência econômica e social, e a população era predominantemente rural, não constituindo, desta forma, uma classe operária. De qualquer forma os primeiros sinais de comemoração do dia do trabalhador surgiram, ainda em 1895, na cidade de Santos (SP) e há registros de manifestações no 1º de maio, nas cidades de São Paulo, Santos, Jundiaí, Campinas e Ribeirão Preto, em 1898. Mas o dia do trabalhador viria a ser oficializado, sendo feriado nacional, já na época de Getúlio Vargas – período de massiva industrialização, desenvolvimento e urbanização do Brasil.

Por fim, o livro reflete sobre como o 1º de maio evoca ao mesmo tempo “velhas tradições, festas e lutas”. Data em que a classe trabalhadora revela sua cultura, sua força e seu poder. Referindo-se aos vários jornais, cujas capas são reproduzidas no livro, ele fala que “nos 1ºs de maio, os jornais da imprensa proletária, geralmente muito pobres, sempre se esforçavam para sair bonitos, com iconografia que requeriam considerável esforço técnico. Chegavam até mesmo a editar jornais em cor vermelha, uma verdadeira obra prima para a época”.

Milton Batista, Cavalo é Presidente do Centro de Cultura e Memória Sindical e Secretario de Cultura e Memória da Força Sindical.

 

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição
Sérgio Luiz Leite, Serginho

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo
Eusébio Pinto Neto

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Diretores e dirigentes sindicais
João Guilherme Vargas Netto

Diretores e dirigentes sindicais

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!
Cláudio Magrão

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites
Márcio Ferreira

PL da Devastação é carta branca para o desmatamento sem limites

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1
Força 4 MAR 2026

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso
Força 4 MAR 2026

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho
Imprensa 4 MAR 2026

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT
Força 3 MAR 2026

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente
Força 3 MAR 2026

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga
Força 3 MAR 2026

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga

Centrais alinham agenda e direitos no Congresso
Força 3 MAR 2026

Centrais alinham agenda e direitos no Congresso

Panfletagem marca abertura do Março Mulher em São Paulo
Força 2 MAR 2026

Panfletagem marca abertura do Março Mulher em São Paulo

Solenidade empossa Federação dos Metalúrgicos SP em Jundiaí
Força 2 MAR 2026

Solenidade empossa Federação dos Metalúrgicos SP em Jundiaí

Carta aberta aos Trabalhadores da Saúde de São Paulo
Força 2 MAR 2026

Carta aberta aos Trabalhadores da Saúde de São Paulo

Março Mulher: Sintrabor divulga Boletim Especial dedicado à luta das trabalhadoras
Força 2 MAR 2026

Março Mulher: Sintrabor divulga Boletim Especial dedicado à luta das trabalhadoras

Sinthoresp participa de SIPAT no Holiday Inn com ações de saúde e prevenção
Força 2 MAR 2026

Sinthoresp participa de SIPAT no Holiday Inn com ações de saúde e prevenção

Sintepav-BA reelege Irailson Gazo para mandato 2026–2030
Força 2 MAR 2026

Sintepav-BA reelege Irailson Gazo para mandato 2026–2030

Nota Oficial do Sindec
Força 27 FEV 2026

Nota Oficial do Sindec

Apoio e solidariedade aos trabalhadores pneumáticos da Argentina
Força 27 FEV 2026

Apoio e solidariedade aos trabalhadores pneumáticos da Argentina

Workshop na FTTRESP reforça voto consciente no movimento sindical
Força 27 FEV 2026

Workshop na FTTRESP reforça voto consciente no movimento sindical

Pesquisa da Unicamp rebate ataques à redução da jornada
Força 27 FEV 2026

Pesquisa da Unicamp rebate ataques à redução da jornada

Reunião esclarece prorrogação de mandato na Força Sindical
Força 26 FEV 2026

Reunião esclarece prorrogação de mandato na Força Sindical

Mobilização mira PEC contra escala 6×1 no Congresso
Força 26 FEV 2026

Mobilização mira PEC contra escala 6×1 no Congresso

Curso sobre Orçamento Municipal segue até sexta (27) no Sindnapi
Força 25 FEV 2026

Curso sobre Orçamento Municipal segue até sexta (27) no Sindnapi

Atletas 60+ disputam Jogos da Melhor Idade 2026 em Araçatuba
Força 25 FEV 2026

Atletas 60+ disputam Jogos da Melhor Idade 2026 em Araçatuba

Sincomerciários mobiliza comércio por escala 5×2 em São Carlos
Força 25 FEV 2026

Sincomerciários mobiliza comércio por escala 5×2 em São Carlos

Sindicalistas debatem conjuntura industrial no setor da borracha
Força 25 FEV 2026

Sindicalistas debatem conjuntura industrial no setor da borracha

Sindicalistas debatem agenda política e sindical
Força 25 FEV 2026

Sindicalistas debatem agenda política e sindical

Congresso Nacional em foco: mobilização pelo fim da escala 6×1
Força 25 FEV 2026

Congresso Nacional em foco: mobilização pelo fim da escala 6×1

94 anos do voto feminino: democracia, luta e compromisso
Artigos 24 FEV 2026

94 anos do voto feminino: democracia, luta e compromisso

Greve na Brose completa 28 dias por melhores condições
Força 24 FEV 2026

Greve na Brose completa 28 dias por melhores condições

Força reforça apoio à greve na Brose
Força 24 FEV 2026

Força reforça apoio à greve na Brose

Direitos e condições de trabalho no Brasil em pauta
Força 24 FEV 2026

Direitos e condições de trabalho no Brasil em pauta

Miguel Torres convoca para mobilização pelo fim da escala 6×1
Força 24 FEV 2026

Miguel Torres convoca para mobilização pelo fim da escala 6×1

Aguarde! Carregando mais artigos...