Menu

✖ Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
✖
24 SET 2026

Imagem do dia

https://www.flickr.com/photos/forca_sindical/albums/72177720335807783/

Imagem do dia - Força Sindical
✖

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Ajuste fiscal acima de tudo e o mercado acima de todos

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Artigos

Ajuste fiscal acima de tudo e o mercado acima de todos

Por: Antônio Augusto de Queiroz

O slogan de campanha do presidente da República refletiria melhor a prática governamental se tivesse substituído o “Brasil” pelo “ajuste fiscal” e “Deus” pelo “mercado”, considerando as medidas que propôs ao Congresso recentemente, que incluem:

1) o Plano “Mais Brasil”, com três PECs (propostas de emendas à Constituição);

2) a nova reforma trabalhista, apelidada de Carteira “Verde e Amarelo”; e

3) o projeto de lei que desobriga as empresas de contratar pessoas com deficiência.
Esse conjunto de medidas, se aprovadas, terá o condão de aprofundar outras reformas em bases neoliberais já realizadas, como a trabalhista e a previdenciária, e de reduzir a presença dos pobres no orçamento público, a participação dos trabalhadores na renda nacional e ampliar a desigualdade e a pobreza no Brasil, além de levar ao desmonte do Estado, à desorganização administrativa, à fragilização do serviço público e à priorização da dívida pública e despesas financeiras em detrimento de políticas sociais.

PEC Emergencial

A primeira PEC, 186/19, subscrita pelo líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), também conhecida como PEC Emergencial, traz três mudanças estruturais nas finanças públicas:

1) torna permanente o ajuste fiscal previsto no Teto de Gasto Público, de que trata da Emenda Constitucional 95;

2) estende sua aplicação aos Estados, Distrito Federal e municípios; e

3) vincula a aplicação do Teto de Gastos à chamada “regra de ouro”.

Tendo como relator o senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a PEC 186 engessa o gasto governamental, determina a suspensão de direitos e obrigações do Estado, em três hipóteses:

1) se houver descumprimento do Teto de Gastos;

2) se for extrapolado o limite da “regra de ouro”; e

3) se forem ultrapassados os limites de gasto com pessoal, previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Assim, se for descumprida qualquer destas três regras, especialmente a chamada “regra de ouro”, que se configura quando “as operações de créditos superarem os investimentos governamentais”, a União e os demais entes federativos ficarão impedidos de reajustar salários, reestruturar carreiras, promover concurso público, pagar qualquer despesa com pessoal em caráter retroativo, além de ser obrigada a reduzir jornada com redução de salário e suspender as promoções e progressões de servidores.

O ajuste previsto na PEC é tão radical que até os direitos sociais inscritos no artigo 6º da Constituição Federal (educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, Previdência Social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados) só serão assegurados pelo Estado se observar “o direito ao equilíbrio fiscal intergeracional”, ou seja, a norma impede que os custos de benefícios em gozo por uma geração sejam transferidos para futuras gerações, rompendo o pacto entre gerações.

Fundos infraconstitucionais

A segunda PEC, 187, igualmente subscrita pelo líder do governo no Senado, que trata dos fundos infraconstitucionais, prevê a extinção de 248 fundos, disponibilizando R$ 219 bilhões para amortização da dívida pública, além de:

1) determinar a transferência dos recursos que hoje formam este fundo ao respectivo poder na esfera federativa que o tenha criado;

2) anular qualquer dispositivo infraconstitucional vinculado aos fundos;

3) autorizar que as receitas desvinculadas poderão ser destinadas a programas voltados à erradicação da pobreza, investimentos em infraestrutura que visem a reconstrução nacional; e
4) destinar as receitas públicas dos fundos, até que esses sejam extintos, à amortização da dívida pública.

Essa PEC tem como relator na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania) do Senado o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Pacto federativo

A terceira PEC, 188, a última do pacote, igualmente subscrito pelo líder do governo no Senado, é a mais abrangente dentre as propostas, e está classificada em seis eixos:

1) Fiscal – Cria o Conselho Fiscal da República;

2) Transferência de receitas aos entes federativos – Compartilhamento de royalties e participações especiais com entes subnacionais e proíbe que a União possa socorrer entes em dificuldades fiscais a partir de 2026;

3) Desobrigação, desindexação e desvinculação (DDD) – Desindexa despesas obrigatórias (deixa de reajustar) em caso de emergencial fiscal;

4) Pacto federativo – Prevê a extinção de municípios que tenham menos de cinco mil habitantes e possuam arrecadação própria inferior a 10% da receita total;

5) Plano Emergencial – Reprodução da PEC 186; e

6) Além de extinção de municípios, essa PEC também impede o Poder Judiciário de reconhecer direitos se não houver orçamento para pagar a despesa, determinando textualmente: “Decisões judiciais que impliquem despesa em decorrência de obrigação de fazer, não fazer ou entregar coisa, somente serão cumpridas quando houver a respectiva e suficiente dotação orçamentária”.

A PEC 188/19 tem como relator na CCJ do Senado, o senador Márcio Bittar (MDB-AC).

Carteira Verde e Amarela

A MP 905/19, do Plano ou Carteira Verde e Amarela, editada em 13 de novembro de 2019, supostamente para facilitar a contratação de pessoas com idade entre 18 e 29 anos, na verdade aprofunda a precarização das relações de trabalho, dando incentivos ao empregador que contratar trabalhadores para o 1º emprego, e promove centenas de modificações na CLT para retirar direitos e ampliar obrigações dos trabalhadores já empregados.

O 1º emprego será financiado pelos desempregados, com parcela do seguro-desemprego, e o patrão que contratar nessa modalidade ficará livre de alguns encargos trabalhistas, previdenciários e de fiscalização, além da liberdade de negociar direta e individualmente com o empregado as condições de trabalho e remuneração, desde que não supere um salário mínimo e meio, nem ultrapasse 20% de seu quadro funcional.

Entre as vantagens para o patrão, além da ausência ou flexibilização dos mecanismos de registro e de fiscalização do trabalho e da possibilidade de acordo extrajudicial anual para quitação de obrigações, estão:

1) a desoneração da folha;

2) a redução da negociação coletiva e da ação sindical;

3) a redução do valor da remuneração, que fica limitada a um salário mínimo e meio; caso venha a aumentar o salário do empregado, o benefício fiscal continuará sendo calculado com base naquele valor;

4) a redução do depósito do FGTS, que cai de 8% para 2%;

5) a redução do adicional de periculosidade, que é reduzido de 30% para 5%, desde que o patrão contrate seguro de acidente pessoal para o empregado;

6) a redução da multa rescisória, que cai drasticamente, de 40% para 20%;

7) a eliminação, de modo permanente, da contribuição adicional de 10% sobre o salário para o FGTS; e
8) a permissão, por negociação individual, para que o empregador inclua na remuneração mensal do empregado, como forma de evitar passivos futuros, assim como já faz com o empregado doméstico, as parcelas relativas: de férias; do FGTS; do 13º; e da multa rescisória.

Na parte permanente da CLT reduz os custos de demissão, aumenta jornada dos bancários, libera o trabalho aos domingos e feriados, não considera mais como acidente de trabalho o sofrido no percurso entre a residência e a empresa, dispensa a inspeção prévia para instalação de caldeira e forno, retira os Sindicatos da negociação da participação nos lucros e resultados, além de outras agressões aos direitos dos trabalhadores.

Fim das cotas para deficientes

Por fim, o Projeto de Lei (PL) 6.195/19, do Poder Executivo, que, na prática, reduz drasticamente o alcance da lei que garante cota de contratação de pessoas com deficiência nas empresas, ao substituir a não contratação por multa de dois salários mínimos, além de permitir a contagem em dobro na hipótese de contratação de pessoa com deficiência grave.

Atualmente, a empresa com 100 empregados ou mais é obrigada a preencher de 2% a 5% das vagas disponíveis com trabalhadores reabilitados ou pessoa com deficiência.

A julgar pelas propostas governamentais em curso, incluindo o próprio Plano Plurianual, o objetivo é eliminar os mecanismos de redução das desigualdades e da pobreza, mediante a eliminação dos direitos e garantias constitucionais em favor de pessoas e territórios vulneráveis. Se aprovada essa agenda, a consequência será menos direitos para os cidadãos, menos serviços públicos e menos recursos para projeto de desenvolvimento. É preciso que a sociedade e o Parlamento reajam a esse verdadeiro desmonte do Estado de Proteção Social, sob pena de ameaça à paz social no País.

Antônio Augusto de Queiroz
Jornalista, consultor e analista político, diretor licenciado do Diap e sócio-diretor das empresas “Queiroz Assessoria em Relações Institucionais e Governamentais” e “Diálogo Institucional Assessoria e Análise de Políticas Públicas”

Democracia e trabalho: o que está em jogo nestas eleições
Eusébio Pinto Neto

Democracia e trabalho: o que está em jogo nestas eleições

O assédio eleitoral nas relações de trabalho
José Roberto da Cunha

O assédio eleitoral nas relações de trabalho

Agosto Lilás – uma campanha de todos e todas
Maria Auxiliadora

Agosto Lilás – uma campanha de todos e todas

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica
Carolina Maria Ruy

Nem reconstruir, nem reinventar: o sindicalismo deve resistir e cumprir sua missão histórica

Acontecimento relevante
João Guilherme Vargas Netto

Acontecimento relevante

Saúde mental: responsabilidade de todos
Sérgio Luiz Leite, Serginho

Saúde mental: responsabilidade de todos

Dignidade, equilíbrio e respeito!
Gleberson Jales

Dignidade, equilíbrio e respeito!

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento
Andréa Gato

Etarismo na Lapa: quando a conveniência expulsa o direito ao acolhimento

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos SP realizam Setembro Amarelo – FOTOS
Força 24 SET 2026

Metalúrgicos SP realizam Setembro Amarelo – FOTOS

Químicos de Rio Claro reelegem diretoria do Sindicato
Força 24 SET 2026

Químicos de Rio Claro reelegem diretoria do Sindicato

Sinmed RN cobra mediação por pagamentos atrasados do Samu
Força 24 SET 2026

Sinmed RN cobra mediação por pagamentos atrasados do Samu

Tarifaço não ameaça Campanha Salarial, aponta Dieese
Força 24 SET 2026

Tarifaço não ameaça Campanha Salarial, aponta Dieese

Metalúrgicos debatem inclusão de pessoas com deficiência
Força 24 SET 2026

Metalúrgicos debatem inclusão de pessoas com deficiência

Sindec reivindica inflação e 2% de ganho real aos comerciários
Força 24 SET 2026

Sindec reivindica inflação e 2% de ganho real aos comerciários

Eletricitários debatem segurança no trabalho na Enel
Força 24 SET 2026

Eletricitários debatem segurança no trabalho na Enel

Sinmed RN oferece curso gratuito de informática a médicos
Força 24 SET 2026

Sinmed RN oferece curso gratuito de informática a médicos

Delegação sindical brasileira participa de intercâmbio na China
Força 23 SET 2026

Delegação sindical brasileira participa de intercâmbio na China

Força reúne setor do comércio para fortalecer ações sindicais
Força 23 SET 2026

Força reúne setor do comércio para fortalecer ações sindicais

Escola Sinthoresp participa da FHORESP Experience
Força 23 SET 2026

Escola Sinthoresp participa da FHORESP Experience

Sétima rodada termina sem acordo para frentistas do Rio
Força 23 SET 2026

Sétima rodada termina sem acordo para frentistas do Rio

STIAM negocia Acordo Coletivo com Bebidas Garça
Força 23 SET 2026

STIAM negocia Acordo Coletivo com Bebidas Garça

Químicos entregam pauta à Fiesp e iniciam negociações
Força 23 SET 2026

Químicos entregam pauta à Fiesp e iniciam negociações

Miguel debate redução da jornada com trabalhadores da Delga
Força 23 SET 2026

Miguel debate redução da jornada com trabalhadores da Delga

FETIASP e sindicatos fecham acordo nos laticínios
Força 22 SET 2026

FETIASP e sindicatos fecham acordo nos laticínios

Metalúrgicos de SP entregam pauta da Campanha Salarial 2026
Força 22 SET 2026

Metalúrgicos de SP entregam pauta da Campanha Salarial 2026

Encontro de Cipeiros reúne mais de 250 participantes em Marília
Força 22 SET 2026

Encontro de Cipeiros reúne mais de 250 participantes em Marília

Força Sindical SE celebra regulamentação dos mototaxistas em Aracaju
Força 22 SET 2026

Força Sindical SE celebra regulamentação dos mototaxistas em Aracaju

Encontro fortalece organização nacional da juventude sindical
Força 22 SET 2026

Encontro fortalece organização nacional da juventude sindical

Livro resgata legado de Claudio Ribeiro e do sindicalismo
Força 22 SET 2026

Livro resgata legado de Claudio Ribeiro e do sindicalismo

Sindicato das Costureiras SP celebra 84 anos de história
Força 21 SET 2026

Sindicato das Costureiras SP celebra 84 anos de história

Sinmed RN debate demandas dos médicos da rede de Natal
Força 21 SET 2026

Sinmed RN debate demandas dos médicos da rede de Natal

Químicos aprovam pauta para Campanha Salarial 2026/2027
Força 21 SET 2026

Químicos aprovam pauta para Campanha Salarial 2026/2027

SinSaúdeSP vai à Justiça e cobra negociação para saúde
Força 21 SET 2026

SinSaúdeSP vai à Justiça e cobra negociação para saúde

Sintepav-BA esclarece caso de terrenos da Terrabras
Força 21 SET 2026

Sintepav-BA esclarece caso de terrenos da Terrabras

Sindnapi lança Café com Política para apresentar pautas
Força 21 SET 2026

Sindnapi lança Café com Política para apresentar pautas

Ato lembra operários mortos e reforça luta por segurança
Força 21 SET 2026

Ato lembra operários mortos e reforça luta por segurança

Força Sindical reúne mulheres para definir ações e estratégias
Força 21 SET 2026

Força Sindical reúne mulheres para definir ações e estratégias

CNTQ reúne entidades filiadas para debater cenário nacional
Força 18 SET 2026

CNTQ reúne entidades filiadas para debater cenário nacional

Aguarde! Carregando mais artigos...