Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

Salário Mínimo na Espanha sobe para 1000 euros a partir de janeiro

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Artigos

Salário Mínimo na Espanha sobe para 1000 euros a partir de janeiro

Por: Clemente Ganz Lúcio
O acordo celebrado pelas Centrais Sindicais protege mais de 1,8 milhões de trabalhadores, na grande maioria mulheres e jovens inseridos no setor de serviços e no meio rural.
 
Clemente Ganz Lúcio
A Espanha deu mais um importante passo para aumentar a base salarial de toda a economia do país. O acordo foi celebrado pelo governo (coalização do PSOE e Unidos Podemos) e pelas Centrais Sindicais CCOO e UGT nesta terça-feira (08/02/22) sem a participação da representação dos empregadores, que se negaram a participar e o criticaram. Esse acordo será aprovado pelo Conselho de Ministros no dia 22 próximo.
 
O salário mínimo na Espanha passará a ser de 1.000 euros (14.000 euros anuais), pagos em 14 parcelas1 durante o ano e retroativo a janeiro. Desde 2016, o aumento real acumulado é de 39%, já descontada a inflação de 11,04% no período medida pelo IHPC. Em 2016, o salário mínimo era de 648,60 euros. Os reajustes representaram o acréscimo de 351,40 euros ou 54,4% de aumento.
 
A Espanha tem se destacado no noticiário brasileiro pelas mudanças trabalhistas que vem promovendo nos últimos três anos, com destaque para o Acordo Tripartite (governo, empregadores e trabalhadores), aprovado na primeira semana de fevereiro pelo Congresso.
 
Destaque-se que desde a década de 1980 foram promovidas pelos governos e Congresso da Espanha cerca de 52 reformas laborais, sendo as de 1994 e 2012 as mais extensas, todas sem a participação das partes interessadas (trabalhadores e empregadores), negando o princípio da autonomia coletiva para que os trabalhadores incidissem diretamente na regulação que afeta sua vida laboral. Considere-se que a atuação patronal para apoiar e articular essas 52 reformas foram constantes2.
 
A nova agenda mobilizada pelo governo de Pedro Sánchez desde 2019, coalização PSOE e Unidos Podemos, consignou no Componente 23 do seu “Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência” quatro diretrizes para as “Novas políticas públicas para um mercado de trabalho dinâmico, resiliente e inclusivo”3, que são:
 
  • Simplificação dos contratos: generalização do contrato por tempo indeterminado, causalidade da contratação temporária e regulamentação adequada do contrato de treinamento.
  • Estabelecimento de um mecanismo permanente de flexibilidade interna e requalificação de trabalhadores em transição.
  • Modernização da negociação coletiva.
  • Modernização da contratação e subcontratação de atividades comerciais.
As gravíssimas consequências para o mundo do trabalho da crise sanitária do novo coronavírus foram enfrentadas por políticas públicas e compromissos dos empregadores e trabalhadores, pactuados em mesas de negociação tripartites mobilizadas pelo governo desde 2020.
 
Nesse espaço de diálogo tripartite, foram reguladas questões do trabalho remoto e do teletrabalho (setembro de 2020), da igualdade salarial entre mulheres e homens (outubro de 20220), das medidas para garantir os direitos trabalhistas das pessoas envolvidas na distribuição no campo das plataformas digitais (maio de 2021) e das políticas ativas para a geração de emprego, entre outras importantes medidas.
 
No início desse mês, o Congresso aprovou o Acordo Tripartite, celebrado em dezembro passado, no qual as partes pactuaram: fortalecer a negociação coletiva, valorizar os sindicatos e dar prevalência dos contratos coletivos setoriais sobre os acordos por empresa, ampliando sua eficácia para todos os trabalhadores e terceirizados; limitar os contratos de trabalho com prazo indeterminado; medidas para combater a rotatividade e a informalidade; políticas de flexibilidade internas às empresas para a proteção dos empregos em momentos de crise; a formação profissional como parte do contrato de trabalho e direito do trabalhador; medidas para inibir demissões, inclusive no setor público.
 
Com a negociação coletiva valorizada e os sindicatos fortalecidos nas suas atribuições, abre-se, por meio da negociação direta entre a representação das empresas e dos trabalhadores, as condições para manterem tratativas e oportunidades para celebrarem acordos que regulem as relações de trabalho e os direitos daqueles que fazem parte da base de representação dos sindicatos e dos âmbitos das negociações.
 
O mundo do trabalho, tanto na Espanha como no Brasil, é caracterizado pela heterogeneidade na inserção na vida laboral, com muitas ocupações diferentes do assalariamento clássico, seja pelas mudanças tecnológicas e digitais, pela reestruturação do sistema produtivo, pela flexibilização das formas de contratação e de possibilidades de ocupações, pela precarização das proteções sociais, trabalhistas e previdenciárias promovidas pelas sucessivas reformas trabalhistas. No geral, essas trabalhadoras e trabalhadores contam com baixa proteção oriunda da ação dos sindicatos de base.
 
Nesse quadro de mudanças, abrem-se portas para o protagonismo de organizações nacionais ou gerais de representação da classe trabalhadora, as Centrais Sindicais e/ou Confederações Nacionais, que passam a ter oportunidades de regular e proteger, e desafios de organizar uma parcela expressiva das pessoas que compõem a força de trabalho do país e que não estão inseridas na vida laboral através do assalariamento clássico com a empresa principal. Os acordos acima citados dão conta de responder a esse escopo de desafio para os quais a Centrais Sindicais espanholas, a CCOO e a UGT, têm base de representação e representatividade que lhes dão legitimidade para negociar e pactuar.
 
Cabe as essas duas organizações nacionais de representação geral da classe trabalhadora, mobilizar e expressar o interesse das trabalhadoras e dos trabalhadores, no geral mais vulneráveis e precários, para regular sua base de remuneração. Aqui se situa a tarefa de negociação para a valorização do salário mínimo.
 
Na Espanha, em 2021, as Centrais Sindicais firmaram um Acordo Nacional com o setor patronal, para que as Convenções Coletivas naquele ano regulassem um piso salarial de, no mínimo, 1.000 euros pagos em 14 parcelas. Isso garantiria aos trabalhadores assalariados um patamar de remuneração igual.
 
Agora, o governo e as Centrais Sindicais celebram um acordo que estende para todos os demais trabalhadores o mesmo direito de uma salário mínimo de 14.000 euros anuais, pagos em 14 parcelas de 1.000 euros.
 
Esse acordo, construído em processo de negociação, materializa um compromisso do governo, também pactuado com a União Europeia, de elevar o salário mínimo naquele país para uma faixa equivalente a 60% do salário médio da economia espanhola. Segundo o estudo do comitê de especialistas que analisou o assunto, para atingir essa meta, o salário mínimo na Espanha deve chegar a 1.050 euros.
 
Os dirigentes sindicais da UGT e da CCOO, além de comemorar o atual acordo, anunciam para este ano as tratativas com o governo e esperam que, com a participação da representação empresarial, devam atingir o valor de 1.050 euros.
 
O acordo celebrado pelas Centrais Sindicais protege mais de 1,8 milhões de trabalhadores, na grande maioria mulheres e jovens e inseridos no setor de serviços e no meio rural. Há também pressão para que cerca de 300 mil trabalhadores tenham seus convênios coletivos atualizados com no mínimo essa nova base salarial, conforme expressa o Acordo celebrado entre trabalhadores e empregadores em 2021.
 
Destaque-se ainda que esse acordo de aumentar o salário mínimo para 1.000 euros está em consonância com as diretrizes na União Europeia para a política de crescimento da base salarial nos 27 países da região.
 
Essas pactuações buscam enfrentar o profundo desequilíbrio do mercado de trabalho espanhol se comparado aos países da União Europeia, que arrasta uma baixa produtividade, alta rotatividade da mão de obra, precarização e desemprego. Os contratos temporários pressionam os salários e as condições de trabalho, favorecendo a desvalorização salarial que deteriora o padrão de vida e enfraquece a demanda interna e, portanto, a capacidade de crescimento econômico. Trata-se de romper com um processo de incremento da produtividade espúria que busca competitividade através da redução de salários e da precarização das condições de trabalho.
 
É um longo caminho, difícil, mas virtuoso, porque assentado na valorização do diálogo social e da negociação coletiva, buscando meios para uma distribuição mais justa dos incrementos da produtividade, da renda e da riqueza gerada pelo trabalho de todos.
 
Notas
 
1 Para comparar com o Brasil, esse montante anual corresponde a 13 parcelas de um salário de 1.077 euros, ou cerca de R$ 6.450,00 por mês (R$ 84.000,00 por ano). No Brasil, o salário mínimo atual é de R$ 1.212,00 (15.756,00 anual).
 
2 Essas reformas, em especial a de 2012, inspiraram o governo Temer e o Congresso no Brasil a aprovarem, em meados de 2017, a mais extensa reforma laboral desde a criação da CLT, nos anos 1940.
 
3 Esse Projeto/Plano foi apresentado pelo governo espanhol e aprovado pela União Europeia em meados de 2021.
 
Clemente Ganz Lucio é sociólogo, assessor do Fórum das Centrais Sindicais e ex-diretor técnico do DIEESE
Mais tempo para viver. Mais força para transformar
Nilton Souza da Silva, o Neco

Mais tempo para viver. Mais força para transformar

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição
Sérgio Luiz Leite, Serginho

90 anos do salário mínimo: conquista sindical e redistribuição

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo
Eusébio Pinto Neto

A força do voto e a participação cidadã na construção de um futuro mais justo

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Diretores e dirigentes sindicais
João Guilherme Vargas Netto

Diretores e dirigentes sindicais

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!
Cláudio Magrão

Resistir pelos interesses dos trabalhadores!

Força Sindical convoca reunião sobre jornada e escala 6×1
Força 10 MAR 2026

Força Sindical convoca reunião sobre jornada e escala 6×1

Centrais ampliam diálogo sindical entre Brasil e China
Força 10 MAR 2026

Centrais ampliam diálogo sindical entre Brasil e China

15º MetalMulheres debate combate à violência em Guarulhos
Força 10 MAR 2026

15º MetalMulheres debate combate à violência em Guarulhos

Sintraf-Petrolina empossa diretoria e reforça agricultura familiar
Força 10 MAR 2026

Sintraf-Petrolina empossa diretoria e reforça agricultura familiar

Miguel Torres alerta para riscos da pejotização
Força 10 MAR 2026

Miguel Torres alerta para riscos da pejotização

Semana da Mulher oferece saúde e qualificação em SP
Força 10 MAR 2026

Semana da Mulher oferece saúde e qualificação em SP

Miguel Torres cobra combate à violência contra mulheres
Força 9 MAR 2026

Miguel Torres cobra combate à violência contra mulheres

Força Sindical celebra 35 anos de lutas e conquistas
Força 6 MAR 2026

Força Sindical celebra 35 anos de lutas e conquistas

Eunice Luz é reeleita para Conselho da Pessoa Idosa em Porto Alegre
Força 6 MAR 2026

Eunice Luz é reeleita para Conselho da Pessoa Idosa em Porto Alegre

Metalúrgicos de Osasco divulgam 20ª pesquisa sobre Lei de Cotas
Força 6 MAR 2026

Metalúrgicos de Osasco divulgam 20ª pesquisa sobre Lei de Cotas

Mais tempo para viver. Mais força para transformar
Artigos 6 MAR 2026

Mais tempo para viver. Mais força para transformar

Frentistas debatem representação sindical no Ministério do Trabalho
Força 6 MAR 2026

Frentistas debatem representação sindical no Ministério do Trabalho

Miguel Torres alerta para foco na redução da jornada de trabalho
Força 6 MAR 2026

Miguel Torres alerta para foco na redução da jornada de trabalho

II CNT encerra com propostas para o mercado de trabalho
Imprensa 6 MAR 2026

II CNT encerra com propostas para o mercado de trabalho

Força Sindical organiza mobilizações para o 28 de Abril
Força 6 MAR 2026

Força Sindical organiza mobilizações para o 28 de Abril

Força Sindical participa da II Conferência Nacional do Trabalho
Força 5 MAR 2026

Força Sindical participa da II Conferência Nacional do Trabalho

Assembleia na Thyssen reforça sindicalização e PLR 2026
Força 5 MAR 2026

Assembleia na Thyssen reforça sindicalização e PLR 2026

Força Sindical: 35 anos de compromisso com os trabalhadores(as)
Palavra do Presidente 5 MAR 2026

Força Sindical: 35 anos de compromisso com os trabalhadores(as)

Senado aprova licença-paternidade progressiva até 20 dias
Força 5 MAR 2026

Senado aprova licença-paternidade progressiva até 20 dias

II CNT debate futuro do trabalho, com presença do Sindnapi
Força 5 MAR 2026

II CNT debate futuro do trabalho, com presença do Sindnapi

Eletricitários SP convocam ato contra caducidade da Enel
Força 4 MAR 2026

Eletricitários SP convocam ato contra caducidade da Enel

Força Sindical debate valorização dos hoteleiros
Força 4 MAR 2026

Força Sindical debate valorização dos hoteleiros

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1
Força 4 MAR 2026

Lula propõe negociação tripartite para fim da escala 6×1

Planejamento do 28 de Abril reúne dirigentes na Fundacentro
Força 4 MAR 2026

Planejamento do 28 de Abril reúne dirigentes na Fundacentro

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso
Força 4 MAR 2026

Miguel Torres alerta para ataques a direitos no Congresso

Joinville recebe prêmio nacional por segurança alimentar
Força 4 MAR 2026

Joinville recebe prêmio nacional por segurança alimentar

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho
Imprensa 4 MAR 2026

Marinho defende diálogo na abertura da II Conferência do Trabalho

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT
Força 3 MAR 2026

Centrais e OIT alinham agenda antes da II CNT

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente
Força 3 MAR 2026

CNJ instala Observatório do Trabalho Decente

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga
Força 3 MAR 2026

Químicos divulgam isenção do IR em Itapetininga

Aguarde! Carregando mais artigos...