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Santo André (SP): Sindicalista Philadelpho Braz morre aos 83 anos

terça-feira, 17 de novembro de 2009

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Santo André (SP): Sindicalista Philadelpho Braz morre aos 83 anos

Foto: ArquivoMilitante do Partido Comunista e ex-sindicalista, Philadelpho Braz, morreu na manhã desta terça-feira(dia 17), aos 83 anos, decorrente de problema de saúde. O velório será realizado no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, na rua Gertrudes de Lima, 202, Centro Santo André, a partir das 18 horas.
Philadelpho chegou em Santo André no ano de 1939, onde constitui família e participou com intensidade da vida da cidade. Foi secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá; membro do Conselho Municipal da Previdência Social – INSS – Santo André; entre outros movimentos.

Depois que se aposentou, Philadelpho Braz dedicava parte de seu tempo à transmissão de seus conhecimentos a pesquisadores, estudantes memorialistas e interessados na experiência trabalhista e sindical.

Confira o relato da história de Philadelpho Braz:

Philadelpho Braz morreu aos 83 anos de idade. Destes, 64 anos foram vividos em Santo André, onde cresceu, se tornou cidadão, constituiu família e participou com intensidade da vida da cidade, constituiu família e participou com intensidade da vida da cidade. Desde a sua chegada, em julho de 1939, a família buscou adaptar-se ao cotidiano de uma cidade fabril, muito diferente do universo de Sales Oliveira, distante 450 km da capital. Philadelpho Braz, com menos de 14 anos, trabalhou durante cerca de um ano em casas de família abastadas de Santo André, onde realizava vários serviços. No dia 22 de Setembro de 1940, com 14 anos, Philadelpho Braz começou a trabalhar na Avenida Industrial, em Santo André. Eram tempos difíceis de guerra e de grande agitação política. Antes de completar 19 anos, Philadelpho Braz ingressou no Sindicato dos Metalúrgico de Santo André que já era, naquele momento, uma refência na cidade por suas campanhas em prol dos trabalhadores. Na fábrica Fichet convivia com muitos trabalhadores. De várias etnias, e estes se articulavam em defesa de melhores condições de trabalho e de salários. Os conflitos eram intensos e, não raramente, havia intervenção policial. Em meados da década de 1940, qualquer movimentação de trabalhadores era vista como "agita comunista". Em 1946, quando o Congresso Nacional discutia a Constituinte, a área sindical sofreu um duro golpe: os sindicatos mais combativos, inclusive o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, sofreram intervenção. Esta perdurou por nove anos. Mas, mesmo na clandestinidade, as atividades sindicais continuaram. Philadelpho Braz participava de reuniões clandestinas com lideranças do Partido Comunista e na fábrica continuava com sua tarefa de orientar os trabalhadores sobre seus direitos, baseados na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. Em 1952 foi convidado a integrar uma chapa para as eleições no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Embora ainda sob o comando dos interventores nomeados em 1946, havia uma orientação política para "afrouxar" um poço a situação, pois o presidente Getúlio Vargas Havia sido eleito um 1951 com forte apoio dos operários. Nessa época Philadelpho Braz iniciou sua vida sindical e política. O suicídio de Getúlio Vargas em 1954, manteve uma grande pressão sobre o Sindicato. Esta apenas se desanuviou com a eleição de Juscelino Kubitschek em 1955 quando as lideranças sindicais que viviam na clandestinidade participaram novamente do movimento operário. Em julho de 1956 voltaram a comandar o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Na nova gestão, Philadelpho Braz exerceu o cargo de secretário geral. Ocupouse até 1964, quando foi deposto pelo golpe militar. Após a turbulência política dos primeiros meses, retornou ao trabalho por mais 5 anos. Hoje muitas conquistas sociais consagradas aos trabalhadores têm suas raízes fincadas naquela época. Desde então, continuou militando sempre, embora sob constante vigilância da polícia política que muitas vezes ia buscá-lo na fábrica para averiguações. Em 1967 foi incentivado por companheiros metalúrgicos a participar de nova eleição. Concorreu e foi eleito novamente para o cargo de secretário geral. No entanto, agentes da ditadura militar impediram sua posse. Aposentou-se em 1971, mas não se afastou totalmente do Sindicato e dos interesses operários. Ocupou cargos do diretor da Associação dos Metalúrgicos Aposentados de 1982 a 1985 e de 1991 a 1996, finalizando aí sua atuação sindical. Além de seu papel junto ao movimento operário, sempre esteve envolvido em ações sociais que visaram a melhoria da qualidade de vida da cidade.

Seguem algumas de suas ações:

  • Foi conselheiro fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, de 1952 a 1954;
  • Foi secretário da Sociedade Amigos do bairro de Vila Guiomar de 1962 a 1965, de onde foi afastado por pressão da polícia política;
  • Foi membro do Conselho Municipal da Previdência Social – INSS – Santo André de 1995 a 1997;
  • Participou como palestrante ou ouvinte dos Congressos de História do Grande ABC;
  • Foi organizador da coleção "A Cultura e os Trabalhadores", tendo sido lançados três livros pelo Fundo de Cultura da Prefeitura de Santo André, em 1999.
  • Foi membro do Grupo Independente dos Pesquisadores da Memória – GIPEM
  • Foi conselheiro do COMDEPHAAPASA – Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico – Urbanístico e Paisagístico de Santo André, desde 1992;
  • Dedicava parte de seu tempo à transmissão de seus conhecimentos a pesquisadores, estudantes memorialistas e interessados na experiência trabalhista e sindical. O resultado desta atuação é citada em várias publicações, tanto nacionais como internacionais.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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