Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Imprensa

Araçatuba e Valparaíso (SP): Cortador de cana sobrevive à mecanização

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Imprensa

Araçatuba e Valparaíso (SP): Cortador de cana sobrevive à mecanização

Divulgação

Franzino e com forte sotaque nordestino, Antônio Francisco Soares conta que quando se mudou de Alagoas para São Paulo, em 2004, já tinha mais de 15 anos de experiência em colher cana-de-açúcar. Na época, a grande ‘ameaça’ que enfrentava para se estabelecer na atividade no campo paulista era a concorrência com os migrantes de Minas Gerais. Ao sinal de qualquer protesto da massa de cortadores, lembra, o fiscal da fazenda dizia: ‘Olha que a gente busca 400 mineiros para fazer o serviço e manda todos vocês embora’.

Os mineiros vinham com tudo, afirma Soares. ‘Deixavam o couro e levavam o dinheiro. Trabalhavam como doidos, mais até do que o exigido pela usina’. Mas as mudanças que tomaram forma nos canaviais nos anos seguintes tiraram do páreo mesmo esses concorrentes, vindos sobretudo do norte mineiro. E a mecanização criou outra lógica nas relações de trabalho nos canaviais.

No ano 2000, quando a produção de cana ocupou 3,8 milhões de hectares na região Centro-Sul do país, as máquinas responderam por 28% da colheita total. Na safra recém-encerrada (2012/13), que ocupou mais de 7 milhões de hectares, o percentual chegou a 85%, de acordo com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

E, diferentemente do que se imaginava quando a substituição do homem pela máquina se acelerou, não houve uma catástrofe social, ainda que centenas de milhares de pessoas tenham sido afetadas e que a qualificação e a recolocação dos cortadores sejam desafios permanentes e, muitas vezes, frustrantes.

José Giacomo Baccarin, professor do departamento de Economia Rural da Unesp de Jaboticabal, no interior paulista, estima que, no início da década passada, a colheita manual de cana chegou a demandar, no auge das safras, 750 mil pessoas em todo o país, 500 mil no Centro-Sul.

No Nordeste, onde os canaviais estão em áreas mais montanhosas, a mecanização é ínfima e o quadro não mudou muito. Responsável por 10% da produção brasileira, a região ainda conta com cerca de 330 mil trabalhadores na atividade, conforme o Sindaçúcar de Pernambuco.

Mas, no Centro-Sul, os postos de trabalho para os cortadores foram minguando conforme a mecanização avançou, movida, principalmente, por novas exigências sócio-ambientais. Em 2007, quando se intensificou o movimento, Baccarin calcula, com base no Caged/IBGE, que o número de cortadores na região já havia recuado para 284 mil.

‘Muitos eram migrantes e, provavelmente, viraram agricultores familiares. A maior parte deve ter ido para a construção civil ou para outros setores de menor exigência de mão de obra qualificada’, afirma. E a tendência não mudou. Em 2012, estima o especialista, eram 189 mil.

Uma pequena parte da ‘catástrofe’ esperada foi evitada pelo aumento do número de vagas para outras funções nas usinas. Em 2007, segundo os números de Baccarin, o número de cortadores foi equivalente a 56% do número total de trabalhadores empregados na indústria sucroalcooleira. Em 2012, foram 42%. Mas apenas uma pequena parte.

.
‘O problema é que os cortadores têm escolaridade baixa e, portanto, mais dificuldade de adaptação a outras funções nas usinas e em outros setores. A exceção são as áreas que exigem menor qualificação, como a construção civil, que absorveu muito dessa mão de obra’. Ainda assim, deixar um trabalho exaustivo como cortar cana para trás pode ser também uma vantagem social, desde que a opção não seja o desemprego.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul, estima que, dos 80 mil cortadores que suas 190 associadas empregavam em 2007, pelo menos 22,7 mil foram qualificados para novas demandas da indústria, como mecânico e operador de máquinas. E 80% desse total está empregado no próprio segmento, segundo Maria Luiza Barbosa, gerente de sustentabilidade da Unica.

Para Jaelson Ferreira do Nascimento, a safra 2013/14, recém-iniciada, será a primeira como operador de colheitadeira de cana. Mineiro de Montezuma, ele chegou a Valparaíso, no oeste paulista, em 2009, aos 20 anos, e por três safras cortou cana na usina Univalem, da Raízen.

Chegava a ganhar até R$ 1,9 mil com o corte da cana, acima do salário de R$ 1,2 mil que embolsará como operador iniciante de colheitadeira. Mas está animado. ‘Agora eu posso crescer. Quero fazer o curso de mecânico de colheitadeira’, planeja.

Não é fácil. Uma máquina de colher cana pesa cerca de 20 toneladas e custa, em média, R$ 900 mil. Quando quebra, o prejuízo à usina é enorme, já que, por dia, serão 500 toneladas de cana que deixarão de ser colhidas. O mesmo acontece com outras máquinas da operação agrícola. Por essas e outras, ainda hoje o corte da cana pode ser a única solução.

Nascido em Lavínia, a 70 quilômetros de Araçatuba, Aparecido Silva, 52 anos, sempre trabalhou em fazendas de gado naquela área do oeste paulista. Com a chegada da cana, o gado migrou e, para Aparecido, não restou alternativa ao facão.

Há 15 anos é o que ele faz. Na usina onde trabalha (Univalem), todos os anos são abertas turmas de qualificação para operador. Mas Aparecido ficará na operação manual até ela acabar. ‘Tenho curso de mecânica, fui motorista e tratorista. Mas a cobrança é grande. Se a máquina quebra, a empresa acha que você é o culpado’. Ademais, acrescenta ele, o ganho mensal de um cortador (R$ 1,2 mil, em média) equivale ao de um operador iniciante de máquina.

Para Maria Luiza Barbosa, uma das surpresas dessa gigantesca troca de braços por engrenagens é justamente o fato de o trabalho rural, mesmo nas usinas totalmente mecanizadas, não ter acabado. Na unidade onde Aparecido Silva e outros 180 trabalhadores braçais estão empregados, colheita e plantio são 100% mecanizados. Mas há atividades de campo que justificam a manutenção desse quadro de pessoal.

Eles carpem o mato, limpam a terra e abrem os primeiros metros das fileiras de cana madura que serão colhidas em seguida pelas máquinas. Colhem também cana plantada nas curvas onde a máquina não alcança – que estão em desuso com o avanço do plantio mecanizado.

Além disso, ainda há usinas e fornecedores de cana que não assinaram o protocolo agroambiental que antecipa o fim das queimadas para 2014. Portanto, ainda ateiam fogo nos canaviais, contratam mais cortadores e, por lei, têm até 2017 para eliminar essa prática nas áreas mecanizáveis (declive de até 12%).

Baccarin acredita que a mecanização está chegando ao limite no Centro-Sul, e que daqui para frente os impactos no mercado de trabalho tendem a diminuir. ‘Acredito que será possível mecanizar 90% da área, não mais que isso’.

 

Fonte: Valor

Últimas de Imprensa

Todas de Imprensa
Centrais convocam ato na Paulista contra juros altos
Força 11 MAR 2026

Centrais convocam ato na Paulista contra juros altos

Rosane Silva participa de debate sobre cuidado em Osasco
Força 11 MAR 2026

Rosane Silva participa de debate sobre cuidado em Osasco

Comerciários da Força se reúnem com presidente da Comissão do Trabalho
Força 11 MAR 2026

Comerciários da Força se reúnem com presidente da Comissão do Trabalho

Força SP fortalece luta no combate à violência contra a mulher
Força 11 MAR 2026

Força SP fortalece luta no combate à violência contra a mulher

Metalúrgicos SP homenageiam memória do dirigente Newton Cândido
Força 11 MAR 2026

Metalúrgicos SP homenageiam memória do dirigente Newton Cândido

Sindicato de Alto Araguaia filia-se à Força Sindical
Força 11 MAR 2026

Sindicato de Alto Araguaia filia-se à Força Sindical

Lideranças articulam campanha salarial do grupo Atvos
Força 11 MAR 2026

Lideranças articulam campanha salarial do grupo Atvos

Trabalhadores do etanol definem pré-pauta da campanha 2026
Força 11 MAR 2026

Trabalhadores do etanol definem pré-pauta da campanha 2026

Força Sindical SP debate política e combate à violência em SP
Força 11 MAR 2026

Força Sindical SP debate política e combate à violência em SP

Sindnapi firma parceria jurídica em defesa dos aposentados
Força 10 MAR 2026

Sindnapi firma parceria jurídica em defesa dos aposentados

Reeleger o presidente Lula
Força 10 MAR 2026

Reeleger o presidente Lula

Miguel Torres manifesta apoio a trabalhadores da FATE
Força 10 MAR 2026

Miguel Torres manifesta apoio a trabalhadores da FATE

Força Sindical convoca reunião sobre jornada e escala 6×1
Força 10 MAR 2026

Força Sindical convoca reunião sobre jornada e escala 6×1

Centrais ampliam diálogo sindical entre Brasil e China
Força 10 MAR 2026

Centrais ampliam diálogo sindical entre Brasil e China

15º MetalMulheres debate combate à violência em Guarulhos
Força 10 MAR 2026

15º MetalMulheres debate combate à violência em Guarulhos

Sintraf-Petrolina empossa diretoria e reforça agricultura familiar
Força 10 MAR 2026

Sintraf-Petrolina empossa diretoria e reforça agricultura familiar

Miguel Torres alerta para riscos da pejotização
Força 10 MAR 2026

Miguel Torres alerta para riscos da pejotização

Semana da Mulher oferece saúde e qualificação em SP
Força 10 MAR 2026

Semana da Mulher oferece saúde e qualificação em SP

Químicos de Sorocaba celebram o Dia da Mulher com evento
Força 9 MAR 2026

Químicos de Sorocaba celebram o Dia da Mulher com evento

Miguel Torres cobra combate à violência contra mulheres
Força 9 MAR 2026

Miguel Torres cobra combate à violência contra mulheres

Sindicalistas fortalecem ato do 8 de Março contra feminicídio
Força 9 MAR 2026

Sindicalistas fortalecem ato do 8 de Março contra feminicídio

Força Sindical celebra 35 anos de lutas e conquistas
Força 6 MAR 2026

Força Sindical celebra 35 anos de lutas e conquistas

Eunice Luz é reeleita para Conselho da Pessoa Idosa em Porto Alegre
Força 6 MAR 2026

Eunice Luz é reeleita para Conselho da Pessoa Idosa em Porto Alegre

Metalúrgicos de Osasco divulgam 20ª pesquisa sobre Lei de Cotas
Força 6 MAR 2026

Metalúrgicos de Osasco divulgam 20ª pesquisa sobre Lei de Cotas

Mais tempo para viver. Mais força para transformar
Artigos 6 MAR 2026

Mais tempo para viver. Mais força para transformar

Frentistas debatem representação sindical no Ministério do Trabalho
Força 6 MAR 2026

Frentistas debatem representação sindical no Ministério do Trabalho

Miguel Torres alerta para foco na redução da jornada de trabalho
Força 6 MAR 2026

Miguel Torres alerta para foco na redução da jornada de trabalho

II CNT encerra com propostas para o mercado de trabalho
Imprensa 6 MAR 2026

II CNT encerra com propostas para o mercado de trabalho

Força Sindical organiza mobilizações para o 28 de Abril
Força 6 MAR 2026

Força Sindical organiza mobilizações para o 28 de Abril

Força Sindical participa da II Conferência Nacional do Trabalho
Força 5 MAR 2026

Força Sindical participa da II Conferência Nacional do Trabalho

Aguarde! Carregando mais artigos...