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Emprego e inflação mantêm sinalização de retomada fraca

quinta-feira, 26 de julho de 2018

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Emprego e inflação mantêm sinalização de retomada fraca

Caged e IPCA-15 vieram abaixo do esperado por economistas
Emprego e inflação mantêm sinalização de retomada fracaCrédito: Divulgação
Embora embaralhados pelos efeitos da greve dos caminhoneiros em maio, os dados mais recentes de emprego e preços – ambos abaixo do esperado – dão sinais de que a recuperação da economia continua lenta. Os núcleos de inflação, mais aderentes à atividade, são contundentes nesse sentido.

Divulgado na semana passada, o IPCA-15 de julho, prévia da inflação oficial do mês, subiu 0,64%, taxa menor que a de junho, de 1,11%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já era esperado que os preços devolvessem parte da alta do mês anterior, provocada em sua maior parte pela greve, mas tanto o índice "cheio" quanto seus variados núcleos (medidas que retiram os itens mais voláteis da conta) ficaram aquém das expectativas.

Excluídas as passagens aéreas, a inflação de serviços caiu de 0,28% para 0,23% entre junho e julho, e também em 12 meses, de 3,38% para 3,28%, segundo cálculo da GO Associados. O núcleo dos serviços, que exclui ainda outros itens como cursos e turismo, recuou de 3,09% para 2,97% em 12 meses.

Segundo Alberto Ramos, do Goldman Sachs, o núcleo dos serviços ficou ligeiramente abaixo do esperado. Outro ponto positivo, segundo ele, foi o índice de difusão desse núcleo, que mostra quantos dos itens mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária tiveram alta de preços. Neste mês, o indicador ficou em 48,5%, queda em relação aos 60,6% tanto de junho quanto de julho do ano passado.

Já o Itaú destaca que uma nova medida de núcleo apresentada recentemente pelo Banco Central, chamada IPCA-EX2, que reúne componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico nos segmentos de serviços, bens industriais e alimentação no domicílio, desacelerou para 0,23% em julho, após marcar alta de 0,30% em junho. Nesse novo conceito, a taxa em 12 meses subiu ligeiramente para 1,9% (de 1,8% em junho), ainda muito abaixo da inflação cheia em 12 meses, de 4,53%, e também da meta perseguida pelo BC, de 4,5% no ano. O índice de difusão do IPCA-EX2, por sua vez, diminuiu para 54,2%, após 66,0% no mês passado.

Divulgado no mesmo dia da prévia da inflação, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou um inesperado saldo negativo de 611 vagas em junho. Esperava-se, em média, criação de 46 mil empregos. Economistas ouvidos pelo Valor afirmam que os números podem ainda estar contaminados pela greve dos caminhoneiros, no fim de maio, mas ressaltaram que a queda na criação de vagas começou antes disso, diante da fraqueza da recuperação da economia.

Para a Tendências Consultoria, será preciso aguardar os próximos dados para saber quanto do efeito da greve será permanente e quanto irá se dissipar, mas embora ela tenha tido seu impacto, a série dessazonalizada deixa claro que a fraqueza do mercado de trabalho formal é anterior ao choque provocado pela paralisação. Pelos cálculos do economista Thiago Xavier, o saldo do Caged foi negativo em 70 mil vagas em junho, após saldo negativo de 7 mil em maio.

Ele lembra que o mercado de trabalho terminou 2017 com geração de vagas, o que foi um dos grandes fatores para a onda de otimismo com relação à economia no início deste ano. No terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, a geração média de vagas estava em 50 mil por mês. Essa média foi negativa em 15 mil no primeiro trimestre e, agora, está negativa em 20 mil, pelos dados dessazonalizados. "Os números deixam claro que a perda na geração de vagas não é somente pelo efeito greve. Desde o começo do ano, já havia sinais de piora", observa.

A Tendências começou o ano esperando crescimento de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e hoje prevê alta de 1,7%, com o balanço de riscos voltado para baixo. "Isso não se deve somente à greve dos caminhoneiros, mas também a um crescimento da incerteza eleitoral e piora do cenário internacional", avalia Xavier. "Uma economia que cresce menos gera menos vagas, principalmente formais".

Para o Caged, a consultoria projetava no início do ano a geração de um saldo de 800 mil vagas. Agora, a estimativa é de 350 mil, já considerada "conservadora".

O Banco Fator, que esperava criação de 900 mil postos de trabalho em 2018 revisou o número para 300 mil, valor que pode ser também revisto para baixo.

Tiago Cabral Barreira, consultor do Ibre-FGV, diz que as fortes demissões na indústria e no comércio em junho indicam que o ritmo frustrante de recuperação econômica é responsável em grande parte pelo enfraquecimento do mercado de trabalho. A instituição estimava criação de 68,8 mil vagas no mês passado. "O saldo negativo surpreendeu. Esperávamos que em junho houvesse certo retorno à normalidade".

Para Cosmo Donato, da LCA Consultores, a questão agora é avaliar o quanto desse ritmo mais fraco pode ser devolvido mais à frente. "Se você pensar, a recuperação estava muito fraca e, se parte desse impacto se manifestou na confiança, pode ser que não voltemos ao mesmo patamar de criação de vagas de antes da greve", afirma. Para o analista, o resultado também coloca em viés de baixa para possível revisão a projeção da consultoria para o ano, de criação de 500 mil empregos formais.

 

Fonte: Valor

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