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Lula recebe pauta das centrais após marcha em Brasília
quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Após marcha em Brasília, Lula recebe pauta das centrais com 68 reivindicações, incluindo fim da escala 6×1 e fortalecimento da negociação coletiva

Foto: Ricardo Stuckert/PR (VEJA MAIS FOTOS)
Após marcha das centrais sindicais em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu dirigentes sindicais no Palácio do Planalto para discutir reivindicações da classe trabalhadora.
Além disso, as centrais entregaram documento com 68 propostas aprovadas na CONCLAT 2026, consolidando demandas prioritárias para o período de 2026 a 2030 no país.
Entre as principais reivindicações, lideranças destacaram o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem corte salarial e o fortalecimento da negociação coletiva.
Lula lembrou que enviou, nesta terça-feira (14), ao Congresso Nacional um projeto de lei que acaba com a escala 6×1 e diminui a jornada de trabalho para 40 horas, sem redução de salário.
Ele sinalizou que precisará do apoio dos trabalhadores para aprovar o projeto.
“Queridos companheiros, é apenas o começo. A luta não termina com isso, começa. Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam. Cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, vocês têm que saber que vocês têm que ajudar”, disse.
Da mesma forma, o documento incluiu a regulamentação do trabalho por aplicativos, o combate à pejotização e ações concretas para enfrentar a violência contra mulheres.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Não é pouca coisa. Em qualquer país do mundo, o presidente da República ter a sensibilidade, o compromisso de classe de sentar com os dirigentes sindicais e tratá-los de companheiros e ser tratado de companheiro. Essa é uma diferença muito grande. Porque não é sempre que a classe trabalhadora pode chegar ao palácio do presidente”
Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República
Lula ressaltou importância do diálogo com trabalhadores e pediu mobilização para aprovar propostas no Congresso, enquanto reafirmou compromisso com avanços sociais e econômicos.
Durante o encontro, Lula assinou proposta de Projeto Lei que dispõe sobre negociação das relações de trabalho no setor público e representação sindical dos servidores.
A proposta regulamenta direitos à negociação setor público e abrange servidores concursados da administração direta, autárquica e fundacional da União, estados, Distrito Federal e municípios.
No encontro, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ressaltou que:
“não há democracia sem presença sindical e não há presença sindical sem democracia”.
Ele também lembrou dos avanços econômicos no país:
“Cresceu o salário mínimo, cresceu o emprego e cresceu a massa salarial”.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou a importância de o governo dar espaço para as centrais sindicais apresentarem suas demandas.
“Vocês têm uma grande responsabilidade no debate trazido aqui, os vários temas colocados são importantíssimos. Vocês representam o sonho de muitos trabalhadores e trabalhadoras. E, evidentemente, há muita gente lá fora esperando sempre pelas mobilizações e pelas conquistas que vocês representam”, afirmou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou a relevância do projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1.
“Desde a Constituição de 1988, o Brasil não mexia na jornada de trabalho. O presidente Lula diz sempre o quanto que avançou de lá para cá. Nem internet tinha, hoje tem IA. E, lamentavelmente, esse avanço de produtividade não se refletiu, até aqui, numa liberação de tempo para os trabalhadores ficarem com os seus, cuidarem da sua família, terem lazer, terem descanso, inclusive para poderem estudar, se profissionalizarem e se qualificarem mais”, pontuou.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu a redução da jornada de trabalho e afirmou que o movimento sindical devem agir para viabilizar aprovação da medida.
“Está na hora de que a redução da jornada, com o fim da escala 6×1, sem redução de salário, vigore para que a gente faça justiça com os trabalhadores e trabalhadoras. Isso é prioridade máxima. Sabemos também da dificuldade que nós vamos ter. Estamos vendo grupos empresariais falando contra. Mas nós temos que enfrentar isso. Precisamos articular muito bem essa questão, porque a gente sabe o que a população está esperando de nós”, afirmou.
AÇÃO — Ainda durante a reunião, o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, apontou a necessidade de ação diante das transformações em curso no mundo do trabalho. “Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, segundo os últimos estudos da OIT [Organização Internacional do Trabalho]. Portanto, temos que repensar o mundo do trabalho, o tempo do trabalho e a qualidade da vida no trabalho”, disse. Já a presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, enfatizou a importância do combate à violência contra a mulher. “É importante demais o senhor [presidente] ter chamado as centrais sindicais para incorporar também essa luta em defesa da vida das mulheres. Que nós possamos fazer esse trabalho nos sindicatos, nas federações, nas confederações, para que a gente possa potencializar o combate à violência contra a mulher”, declarou.
A proposta de PL que regulamenta as relações de trabalho no serviço público, assinada pelo presidente Lula nesta quarta, envolve dois objetivos centrais.
Um deles institui em lei a necessidade de negociação das relações de trabalho em cada Poder e nos órgãos autônomos da União, estados, Distrito Federal e municípios.
A proposta estabelece balizas, mas ao mesmo tempo proporciona aos entes e poderes flexibilidade para regulamentar o processo negocial conforme suas especificidades.
Por fim, o outro ponto central assegura o direito de organização sindical de servidores públicos, garantindo licença remunerada para exercício de mandato sindical e também pleno direito.
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