João Guilherme Vargas Netto
João Guilherme Vargas Netto


No mesmo dia em que os jornalões anunciaram em suas primeiras páginas que a Petrobras havia tido o maior lucro de sua história os ativistas da FUP reuniram-se em assembleias para aprovar a suspensão de seu movimento grevista de quase três semanas de duração.

Com efeito, decretada a greve em 1º de fevereiro e crescente ao longo dos dias, a paralisação chegou a contar com a adesão de mais de um terço dos efetivos da empresa e embora não tenha afetado a produção nem arriscado o desabastecimento conseguiu furar o silêncio da mídia grande e suscitar adesões em um amplo espectro do movimento sindical, da oposição e da esquerda.

Os principais motivos do movimento e bandeiras da greve foram a intempestiva demissão (com anúncio de fechamento da fábrica) dos trabalhadores da Fafen, de Araucária e o não cumprimento dos termos do recente acordo coletivo pela empresa.

Ao longo de suas quase três semanas de duração o movimento grevista foi apoiado também por bases da FNP, que enviou ao presidente da República uma carta reafirmando suas posições e que não foi respondida pelo destinatário.

A Petrobras procurou e obteve votos monocráticos favoráveis da Justiça, seja do TST, seja do STF e combinando uma tática de silêncio interesseiro, de promessas vagas e ameaças concretas, de contratação emergencial de trabalhadores procurou esticar a corda (sem recorrer à repressão aberta) evitando modificar suas posições nos dois pontos em litígio e enfatizando o tempo todo a não diminuição de sua produção.

Mas o TRT do Paraná, também em determinação monocrática, suspendeu as demissões na Fafen (até um julgamento coletivo) e um conjunto de pressões decorrentes do próprio movimento grevista, de aliados parlamentares, de movimentos sociais de apoio e de outras categorias de trabalhadores fez com que o próprio juiz federal que havia imposto sanções concordasse em reassumir o papel de mediador (saudado pela nova presidenta do TST) e marcasse uma reunião de conciliação para negociações na qual se espera a quebra da intransigência da empresa.

Se as negociações tiverem êxito, mesmo que parcial, os petroleiros podem gritar vitória porque conseguiram com sua greve em movimento – sem afetar a produção, sem causar tumultos ou provocar transtornos sociais – avançar nos pontos principais de sua pauta grevista, colhendo as rosas sem se machucar com os espinhos.

João Guilherme Vargas Netto
Consulto Sindical


 


No mesmo dia em que os jornalões anunciaram em suas primeiras páginas que a Petrobras havia tido o maior lucro de sua história os ativistas da FUP reuniram-se em assembleias para aprovar a suspensão de seu movimento grevista de quase três semanas de duração.

Com efeito, decretada a greve em 1º de fevereiro e crescente ao longo dos dias, a paralisação chegou a contar com a adesão de mais de um terço dos efetivos da empresa e embora não tenha afetado a produção nem arriscado o desabastecimento conseguiu furar o silêncio da mídia grande e suscitar adesões em um amplo espectro do movimento sindical, da oposição e da esquerda.

Os principais motivos do movimento e bandeiras da greve foram a intempestiva demissão (com anúncio de fechamento da fábrica) dos trabalhadores da Fafen, de Araucária e o não cumprimento dos termos do recente acordo coletivo pela empresa.

Ao longo de suas quase três semanas de duração o movimento grevista foi apoiado também por bases da FNP, que enviou ao presidente da República uma carta reafirmando suas posições e que não foi respondida pelo destinatário.

A Petrobras procurou e obteve votos monocráticos favoráveis da Justiça, seja do TST, seja do STF e combinando uma tática de silêncio interesseiro, de promessas vagas e ameaças concretas, de contratação emergencial de trabalhadores procurou esticar a corda (sem recorrer à repressão aberta) evitando modificar suas posições nos dois pontos em litígio e enfatizando o tempo todo a não diminuição de sua produção.

Mas o TRT do Paraná, também em determinação monocrática, suspendeu as demissões na Fafen (até um julgamento coletivo) e um conjunto de pressões decorrentes do próprio movimento grevista, de aliados parlamentares, de movimentos sociais de apoio e de outras categorias de trabalhadores fez com que o próprio juiz federal que havia imposto sanções concordasse em reassumir o papel de mediador (saudado pela nova presidenta do TST) e marcasse uma reunião de conciliação para negociações na qual se espera a quebra da intransigência da empresa.

Se as negociações tiverem êxito, mesmo que parcial, os petroleiros podem gritar vitória porque conseguiram com sua greve em movimento – sem afetar a produção, sem causar tumultos ou provocar transtornos sociais – avançar nos pontos principais de sua pauta grevista, colhendo as rosas sem se machucar com os espinhos.

João Guilherme Vargas Netto
Consulto Sindical