houseofcards

House of Cards
EUA, 2013
Criador: Beau Willimon
Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Kate Mara, Corey Stoll

Transmissão original, desde 1 de fevereiro de 2013. Criado e transmitido pela Netflix, House of Cards apresenta uma visão ácida, não apenas da política, mas da natureza humana.

No auge do imbróglio estrelado pelo ex-deputado federal, cassado, Eduardo Cunha, a série foi instrumento de análise, parâmetro e comparações, fornecendo imagens e cenas que nos ajudaram a entender o incompreensível na política. Tanto que o Congresso Nacional chegou a ser apelidado por alguns de "House of Cunha".

Considero, entretanto, muito limitada esta comparação. A série, que ironiza a democracia em uma de suas frases mais emblemáticas (“Estou a um passo da presidência e nenhum voto foi recebido em meu nome”) é metáfora da própria política moderna, costurada com uma moral tênue e claudicante. Tanto que ela encontra identidade na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, na Câmara dos Comuns do Reino Unido (a série original, de 1990, é protagonizada por um parlamentar inglês) e na Câmara dos Deputados do Brasil.

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Clique na imagem e assista ao trailer

É, como provoca a série, a democracia supervalorizada? Aperfeiçoamentos institucionais e avanços sociais são possíveis, como afirmou o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, ao analisar a série House of Cards (Estadão 18/06/16)?

Passo a passo a série mostra, através de joguetes e articulações escusas, como Frank Underwood se torna presidente dos Estados Unidos da América. Ele é esperto, obstinado, tem traços fortes de psicose e, por outro lado, é cordial, “democrata”, mostra sentimentos quando menos esperamos, e, espantosamente, desperta simpatia. Temo dizer que ele é, no sentido primitivo do termo, um ser humano.

E é aí que pode estar a razão do professor Melo. Partindo da ficção como instrumento de análise, parâmetro e comparações, a política, como ela é, construída e aperfeiçoada, ao longo da história, faz parte da condição humana. O avanço social é, enfim, sua razão de ser. E House of Cards, nesses dias tão confusos em que vivemos, entrega o que promete: o lado mais obscuro, viciante e melancólico desta condição.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical

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House of Cards
EUA, 2013
Criador: Beau Willimon
Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Kate Mara, Corey Stoll

Transmissão original, desde 1 de fevereiro de 2013. Criado e transmitido pela Netflix, House of Cards apresenta uma visão ácida, não apenas da política, mas da natureza humana.

No auge do imbróglio estrelado pelo ex-deputado federal, cassado, Eduardo Cunha, a série foi instrumento de análise, parâmetro e comparações, fornecendo imagens e cenas que nos ajudaram a entender o incompreensível na política. Tanto que o Congresso Nacional chegou a ser apelidado por alguns de "House of Cunha".

Considero, entretanto, muito limitada esta comparação. A série, que ironiza a democracia em uma de suas frases mais emblemáticas (“Estou a um passo da presidência e nenhum voto foi recebido em meu nome”) é metáfora da própria política moderna, costurada com uma moral tênue e claudicante. Tanto que ela encontra identidade na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, na Câmara dos Comuns do Reino Unido (a série original, de 1990, é protagonizada por um parlamentar inglês) e na Câmara dos Deputados do Brasil.

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É, como provoca a série, a democracia supervalorizada? Aperfeiçoamentos institucionais e avanços sociais são possíveis, como afirmou o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, ao analisar a série House of Cards (Estadão 18/06/16)?

Passo a passo a série mostra, através de joguetes e articulações escusas, como Frank Underwood se torna presidente dos Estados Unidos da América. Ele é esperto, obstinado, tem traços fortes de psicose e, por outro lado, é cordial, “democrata”, mostra sentimentos quando menos esperamos, e, espantosamente, desperta simpatia. Temo dizer que ele é, no sentido primitivo do termo, um ser humano.

E é aí que pode estar a razão do professor Melo. Partindo da ficção como instrumento de análise, parâmetro e comparações, a política, como ela é, construída e aperfeiçoada, ao longo da história, faz parte da condição humana. O avanço social é, enfim, sua razão de ser. E House of Cards, nesses dias tão confusos em que vivemos, entrega o que promete: o lado mais obscuro, viciante e melancólico desta condição.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical