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Força Sindical e OIT debatem desafios do trabalho no Brasil

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

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Força Sindical e OIT debatem desafios do trabalho no Brasil

Força Sindical e ACTRAV-OIT realizam intercâmbio em São Paulo sobre conjuntura brasileira, informalidade, polarização e transição justa

Força Sindical e OIT debatem desafios do trabalho no Brasil

Fotos: Jaélcio Santana

A Força Sindical recebeu, nesta segunda-feira, 24 de agosto, representantes da ACTRAV-OIT para encontro internacional de intercâmbio sobre os desafios atuais do trabalho brasileiro.

O encontro aconteceu na sede da Força Sindical, em São Paulo, reunindo dirigentes que fizeram uma análise sobre a conjuntura nacional e fortaleceram o diálogo sindical internacional entre as entidades.

Participaram Oliver Röpke, diretor da ACTRAV-OIT, e Amanda Villatoro, representante da ACTRAV-OIT para as Américas, ampliando o intercâmbio de experiências sobre relações trabalhistas contemporâneas.

Durante a abertura, Miguel Torres, presidente da Força Sindical, apresentou aos representantes internacionais uma análise da conjuntura política, social e sindical enfrentada atualmente pelos trabalhadores brasileiros.

“Vocês conhecem um pouco da situação sindical no Brasil. Nesses últimos anos, nós temos enfrentado ataques ao movimento sindical, praticamente diários, desde 2017 até o final de 2022.”

Segundo Miguel, entretanto, a unidade e a capacidade de mobilização das entidades foram fundamentais para garantir a sobrevivência do movimento sindical durante aquele período de enfrentamento político.

“Mas o movimento sindical sobreviveu graças à sua unidade, graças à sua força de trabalho. O que foi pensado naquele momento era extinguir o movimento sindical no Brasil.”

Nesse sentido, Miguel afirmou que o resultado das eleições presidenciais de 2022 representou uma mudança importante para o movimento sindical e para a democracia brasileira naquele período.

“Felizmente, em 2022, nós viramos a página. Isso foi muito importante. Se nós não tivéssemos virado a página, nem essa reunião estaria acontecendo hoje.”

Miguel também ressaltou a construção de uma frente ampla nas eleições presidenciais e relacionou essa articulação política à defesa da democracia e dos direitos sociais no Brasil.

“Só foi possível porque o companheiro Lula teve a capacidade de entender que tinha que ter uma frente ampla para ele poder ganhar as eleições.”

Força Sindical e OIT debatem desafios do trabalho no Brasil

 Importância do intercâmbio

Também durante a abertura, Neco destacou a importância de reunir dirigentes da Central e representantes da OIT para promover diálogo direto sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores.

“É importante a gente fazer esse encontro. Agradeço ao Oliver por se dispor a vir aqui e ter uma conversa frente a frente com nossos dirigentes.”

Além disso, Neco agradeceu Amanda Villatoro pelo trabalho desenvolvido para viabilizar a participação dos representantes internacionais e organizar o encontro realizado na sede da Central.

“Agradecer à Amanda pelo esforço também que ela fez no sentido de conseguir encaixar aqui nessa agenda para nós”, afirmou Neco durante sua manifestação aos participantes.

Neco também lembrou que a Força Sindical mantém diálogo com Oliver Röpke há anos, inclusive durante participações brasileiras em importantes encontros e eventos internacionais do trabalho.

“O contato com o Oliver já tem tido há bastante tempo. O Miguel tem recebido ele quando veio ao Brasil para o G20 e outros eventos internacionais.”

Importância do diálogo sindical

Diante das avaliações apresentadas pelos dirigentes brasileiros, Oliver Röpke destacou a importância do intercâmbio internacional para compreender desafios enfrentados pelo sindicalismo e fortalecer estratégias conjuntas entre trabalhadores.

“O diálogo direto com os sindicatos brasileiros é fundamental para compreender os desafios enfrentados pelos trabalhadores e construir respostas que fortaleçam direitos, democracia e justiça social.”

Para Röpke, questões relacionadas à informalidade, às transformações produtivas e à transição justa exigem participação efetiva dos sindicatos nas decisões que afetam trabalhadores e suas comunidades.

“As transformações econômicas e ambientais precisam acontecer com justiça social. Não podemos falar em transição justa sem colocar os trabalhadores e suas organizações no centro desse processo.”

Desafios das Américas

Amanda Villatoro destacou, por sua vez, a importância de analisar a realidade brasileira dentro do contexto latino-americano, considerando desafios comuns enfrentados pelo movimento sindical nas Américas atualmente.

“O Brasil tem importância estratégica para o movimento sindical nas Américas. Fortalecer o diálogo entre organizações permite compartilhar experiências e construir respostas para desafios que atravessam toda a região.”

Além disso, Amanda ressaltou que informalidade e ausência de proteção social representam desafios importantes para ampliar direitos e garantir condições dignas aos trabalhadores latino-americanos atualmente.

“A informalidade continua sendo um dos grandes desafios da nossa região. Precisamos avançar na proteção social e garantir que esses trabalhadores também tenham voz, direitos e representação.”

Políticas sociais avançam, mas Congresso impõe desafios

Ao analisar o atual período, Miguel destacou políticas salariais, valorização do salário mínimo e agendas sociais entre medidas adotadas pelo governo federal desde a posse presidencial.

“Desde a posse do nosso presidente Lula até agora, o governo tem feito ações reparadoras. Políticas salariais, valorização do salário mínimo, agendas sociais”, afirmou Miguel durante encontro.

Entretanto, o dirigente apontou dificuldades na relação com o Congresso Nacional, onde, segundo sua avaliação, forças alinhadas ao governo não possuem maioria suficiente para aprovar propostas.

“Uma incoerência que nós vemos aqui no Brasil é que nós elegemos o presidente da República com uma bandeira, com um programa, só que no Congresso Nacional não temos a maioria.”

Miguel citou a política de valorização do salário mínimo e a igualdade salarial entre mulheres e homens como exemplos de pautas que exigiram ampla mobilização social.

“A política de valorização do salário mínimo teve que ter uma ação muito forte da sociedade para que nós conseguíssemos avançar”, destacou o presidente da Força Sindical.

Além disso, Miguel atribuiu avanços obtidos durante o atual governo à combinação entre pressão organizada dos trabalhadores e articulação política realizada pelo presidente junto ao Congresso Nacional.

“Tudo que nós conquistamos nesses três anos e meio foi muito da mobilização do movimento sindical e também da articulação do presidente Lula”, afirmou Miguel.

Eleições entram no centro das preocupações

Ao abordar a conjuntura internacional, Miguel manifestou preocupação com o avanço de forças políticas de direita e seus possíveis impactos sobre direitos trabalhistas e sociais em diferentes países.

“Querendo ou não, nós estamos vendo no mundo o avanço da direita contra os direitos dos trabalhadores e direitos sociais. Tomara que não se transforme num tsunami.”

Nesse contexto, o dirigente afirmou que as eleições brasileiras deste ano terão importância decisiva e deverão mobilizar diretamente sindicatos e trabalhadores diante da disputa política nacional.

“As eleições no Brasil vão estar no olho do furacão nesse ano. Então, nós temos o compromisso do movimento sindical”, declarou Miguel durante sua exposição aos participantes.

Por fim, Miguel afirmou que o movimento sindical apoia a reeleição do presidente Lula como caminho para avançar em um projeto político comprometido com direitos sociais.

“Nós não temos dúvidas. É reeleger o companheiro Lula para que a gente possa avançar dentro de um projeto social, um projeto democrático que a gente sempre almejou.”

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