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Serginho critica uso do FGTS no Desenrola

sexta-feira, 8 de maio de 2026

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Serginho critica uso do FGTS no Desenrola

Artigo de Serginho publicado no Poder360 critica uso do FGTS no Desenrola e alerta sobre impactos aos direitos dos trabalhadores

Serginho critica uso do FGTS no Desenrola

O vice-presidente da Força Sindical, Sergio Luiz Leite, Serginho, publicou artigo no portal Poder360 criticando a utilização do FGTS no programa Desenrola.

De acordo com Serginho o governo distorceu a finalidade original do Fundo de Garantia ao permitir utilização dos recursos para renegociação de dívidas pessoais.

Além disso, Serginho afirmou que o FGTS possui caráter essencialmente protetivo, garantindo segurança financeira aos trabalhadores demitidos sem justa causa ou atingidos por emergências graves.

“O FGTS foi criado para proteger o trabalhador. Portanto, usar esse recurso para cobrir endividamento distorce completamente sua função social”, escreveu Serginho no artigo publicado pelo Poder360.

Além das críticas, Serginho defendeu políticas públicas voltadas ao aumento da renda, geração de empregos formais e ampliação do crédito responsável para trabalhadores brasileiros.

De acordo com o dirigente sindical retirar recursos do FGTS enfraquece a proteção social dos trabalhadores e reduz garantias importantes diante das dificuldades econômicas atuais.

Por fim, Serginho reforçou que o movimento sindical continuará acompanhando medidas econômicas nacionais e defendendo alternativas capazes de preservar direitos históricos da classe trabalhadora brasileira.

Confira a íntegra do artigo:

DATAS ESPECIAIS 2026 – Sergio Luiz Leite_2025

FGTS no Desenrola distorce papel de proteção ao trabalhador

Uso para quitar dívidas pode aliviar o presente, mas enfraquece a função do fundo como proteção e investimento coletivo

Por Sergio Luiz Leite, Serginho

A criação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), em 1966, representou uma inflexão importante na regulação das relações de trabalho no Brasil. Ao substituir o regime de estabilidade no emprego, instituiu-se um mecanismo de proteção baseado na formação de uma poupança compulsória vinculada ao trabalhador.

A partir de então, o FGTS passou a cumprir uma dupla função. De um lado, atua como reserva financeira em momentos de vulnerabilidade, como na demissão sem justa causa; de outro, financia políticas públicas nas áreas de habitação, saneamento e infraestrutura. É nesse contexto que emerge o debate recente sobre a possibilidade de utilização dos recursos do FGTS para quitação de dívidas das famílias.

O problema do endividamento é real e atinge milhões de brasileiros, comprimindo a renda e impactando as condições de vida. Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), 80,4% das famílias brasileiras encontram-se endividadas. 

No entanto, a aparente solução de curto prazo precisa ser analisada com cautela, uma vez que pode comprometer a função estratégica do fundo e causar efeitos adversos no médio e longo prazo.

O endividamento das famílias brasileiras não é um fenômeno episódico, mas estrutural. Ele está associado ao elevado custo do crédito, à persistência de juros altos e à própria dinâmica de funcionamento do sistema financeiro, que opera com forte assimetria em relação aos rendimentos do trabalho. A taxa média de juros para pessoas físicas supera 125% ao ano, enquanto o cartão de crédito alcança 447% ao ano.

Com frequência, o problema é tratado de forma invertida, como se a inadimplência justificasse juros elevados, quando, na realidade, é o custo exorbitante do crédito que alimenta o endividamento e transforma dificuldades pontuais em ciclos persistentes de inadimplência. Utilizar o FGTS para reduzir a inadimplência significa atuar só sobre seus efeitos mais visíveis, reforçando a lógica de que o problema está no devedor, e não nas condições estruturais de acesso ao crédito.

Leia também: Idosos permanecem mais tempo no mercado de trabalho

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