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Brasília (DF): Falta de mão de obra especializada faz salário de babás chegar a R$ 3,8 mil

segunda-feira, 6 de junho de 2011

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Brasília (DF): Falta de mão de obra especializada faz salário de babás chegar a R$ 3,8 mil

A escassez de mão de obra qualificada e a consequente elevação dos salários chegou ao mercado de babás. Segundo as agências especializadas, o salário da categoria varia de R$ 900 a R$ 3.815 (sete salários mínimos).

Sandra Kiefer

Além da remuneração mais elevada, elas exigem condições de trabalho mais favoráveis, como não precisar dormir na casa dos patrões nem trabalhar nos fins de semana. O salário mais alto é pago àquelas com diploma de enfermeira, que cumprem turno de 24 horas. Um privilégio restrito às famílias de classe mais alta.

“Trata-se de algo que já ocorreu nos países mais ricos e que começa a acontecer aqui no Brasil. A babá começa a virar artigo de luxo, voltado só para o segmento mais abastado da sociedade”, analisa o economista Mário Rodarte, da Universidade Federal de Minas Gerais e consultor do Departamento Intersindical de Estudo Sócio-Econômico e Estatística (Dieese).

Segundo ele, a profissão foi valorizada pela falta de pessoas especializadas no mercado, já que as profissionais foram atraídas para atividades similares do setor de serviços, como arrumadeiras de hotéis e cozinheiras de restaurantes. “Além disso, as babás envelheceram e acabou o costume de trazer uma menina nova do interior para treinar como babá, o que ficou caracterizado como trabalho infantil. Isso representa um avanço”, explica Rodarte.

Rosimeire Lopes Nogueira, 41 anos, ganha R$ 2,2 mil para trabalhar de terça à sexta-feira em um luxuoso condomínio fechado em Nova Lima, nos arredores de Belo Horizonte. “Ser babá sempre foi o sonho da minha vida”, confessa ela, dona de um Citroen Xsara Picasso 2009, adquirido mediante financiamento. Ela deu de entrada seu antigo Fiat Uno e paga prestações mensais de R$ 499. Rosimeire cuida de Valentina, 5, e Manuela, 3. Quando nasceu Isabela, hoje com 1 ano e três meses, a mãe contratou outra babá para ajudar, fora a folguista de fim de semana.

“É uma verdadeira empresa”, resume a advogada Juliana Junqueira, sócia do escritório Sacha Calmon e Misabel Derzi Associados. Ela calcula gastar de cerca de R$ 5 mil mensais apenas com babás. “Pago o preço de mercado, pois se trata do bem mais precioso da minha vida”, completa.

Tempo integral
Com diploma de auxiliar de enfermagem ou de socorrista, as chamadas superbabás geralmente prestam assistência dia e noite aos bebês recém-nascidos de mães de primeira viagem. Mas nem sempre os patrões conseguem se desligar logo do atendimento vip. “A Marinês veio para ficar três meses e está aqui até hoje, oito anos depois. A Bruna já é uma criança independente, não precisa mais de babá, mas ela se tornou a governanta da casa, nosso braço-direito”, conta a engenheira Norma Lúcia Morton de Freitas, 50, proprietária de empresa no segmento de peças para carretas.

Aos 8 anos, Bruna chama a babá de vovó. Somente no ano passado, Marinês Novaes, 64, deixou de dormir no mesmo quarto da criança, a quem se dedica em tempo integral. Leva e busca na aula, no inglês, na natação. Organiza as festas de aniversário da menina, almoços-surpresa para a mãe e, na semana passada, deu um pulo no centro para comprar o vestido novo de festa junina da Bruna. Em contrapartida, a babá faz hidroginástica e fisioterapia duas vezes por semana, ganha em torno de R$ 3,8 mil. Às 9h do sábado, sua folga começa. Trabalho de novo só na segunda-feira.

Maria da Consolação Sousa, 57, mais conhecida como Didi, fez um acordo para abrir mão de um salário de R$ 4,4 mil e retornar ao antigo emprego, no qual as crianças estavam sentindo a sua falta e não se acostumavam com outras candidatas ao cargo. Para voltar à função, negociou trabalhar somente meio período, de segunda-feira a sábado, com salário reduzido a três mínimos e meio (R$ 1.907). Além disso, tem permissão para sair nas noites de sexta-feira e fazer hidroginástica às quartas e sextas. “Não queria mais me doar 24 horas. Fiz uma opção por melhor qualidade de vida. O acordo foi bom para as duas partes”, diz. “O acordo foi bom para as duas partes. Dei sorte com ela”, acredita a empresária Carol Borges, de 31 anos.

A babá começa a virar artigo de luxo, voltado só para o segmento mais abastado da sociedade”
Mário Rodarte, da Universidade Federal de Minas Gerais

Fonte: Correio Braziliense

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