Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Memória Sindical

Graves consequências do desprezo pela história

sexta-feira, 29 de março de 2019

Memória Sindical

Graves consequências do desprezo pela história

Neste dia 31 de março de 2019, próximo domingo, a esquerda brasileira e o presidente Jair Bolsonaro se encontrarão com seu passado e com seu destino.
ditaduraCrédito: Arquivo

Pela primeira vez em 34 anos, talvez mais, há fortes indícios de que o golpe militar de 31 de março de 1964, que deflagrou 21 anos de ditadura, será comemorado abertamente na sociedade, oficial ou extraoficialmente, a despeito dos crimes que causou.

Desde a redemocratização o senso comum brasileiro sempre foi de repúdio à ditadura militar, mesmo em governos de centro e de direita. O período que vai de 1964 a 1985 é tido como um dos mais macabros, um erro histórico, apreciado apenas por grupelhos fanáticos.

Mas, tal é a bizarrice do momento que expoentes destes grupos diminutos alcançaram o poder máximo da política e agora tudo o que conhecemos parece virado do avesso.

Intervenção dos EUA
O golpe militar impôs um regime baseado no atraso político, no arrocho salarial, na dependência econômica, na desigualdade social, na censura aos meios de comunicação e na violenta repressão aos seus opositores. Esta é a narrativa que nenhum pesquisador sério contesta.

Sabe-se que, por trás da reação conservadora ao governo de João Goulart, havia, não apenas um dedo, mas o braço inteiro dos Estados Unidos da América. Era guerra fria, ordem bipolar, e o temor de que a revolução Cubana, de 1959, respinga-se por aqui, atiçou os americanos, que não quiseram nem saber se o governo ia bem ou mal.

Hoje conhecemos gravações de falas do ex-presidente dos EUA, Lyndon Johnson, afirmando que seria possível agir no Brasil para instituir a ditadura e assegurar o afastamento de Jango. As gravações podem ser ouvidas nos filmes “O Dia que Durou 21 anos” e "Dossiê Jango".

Na prática, o governo estadunidense financiou campanhas eleitorais de políticos simpatizantes à sua economia, patrocinou uma intensa campanha anticomunista na grande imprensa e orientou deliberadamente militares brasileiros a promoverem o golpe, posicionando a Quarta Frota em direção ao Brasil, caso Jango resistisse e houvesse a necessidade de intervir militarmente.

Ainda na linha da intervenção estadunidense, em 2018 foi revelado um memorando secreto da CIA que mostra que o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, sabia e autorizou a execução de opositores durante a ditadura militar. O documento, de 11 de abril de 1974, foi elaborado pelo então diretor da CIA, William Egan Colby, e endereçado ao secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger. Ele foi revelado pelo pesquisador Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Esse é um lado da história. O lado que releva que o golpe não se deu pelo anseio da sociedade brasileira em barrar a “ameaça comunista”.

Outro lado é a violência arbitrária que o regime implementou, a pretexto do combate ao comunismo.

Violações aos direitos humanos
O relatório da Comissão Nacional da Verdade, apresentado em dezembro de 2014, mostrou que os militares disseminavam o terror como forma de intimidação, uma vez que se sabia que a tortura não produziria informação significativa.

Tal prática resultou em detenções ilegais e arbitrárias, tortura em larga escala, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres por agentes do Estado brasileiro. No relatório são apontadas 434 mortes e desaparecimentos de vítimas no país, e mais de 300 pessoas, entre militares, agentes do Estado e até mesmo ex-presidentes da República, foram responsabilizadas.

Tortura e assassinatos como política de Estado
No programa Roda Viva do dia 30 de julho de 2018, o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, foi questionado sobre seu apoio à ditadura militar e à torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra (ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, o primeiro oficial condenado em ação declaratória por sequestro e tortura ocorridos durante a ditadura militar). Bolsonaro respondeu acusando os grupos de guerrilha de esquerda de também terem assassinado militares.

É um grande cinismo dele comparar o incomparável. No poder os militares usaram a repressão, tortura e assassinatos como política de Estado. Deram um “banho de sangue” que, ao contrário do que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni deve imaginar, não resultou em prosperidade e harmonia, muito menos em soberania nacional.

Na verdade, os resultados econômicos e sociais da ditadura militar, foram uma economia dependente, com avassaladora força do capital externo, disseminada através de multinacionais que se instalavam por aqui, além de altas taxas de desemprego, subemprego ou ao emprego informal.

O país só voltou a crescer e a se organizar com o advento de governos democráticos, sob vigência da constituição de 1988, sobretudo com Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva.

Inconsciência histórica
Espanta a todos que tenham o mínimo de consciência e conhecimento histórico o fato de, após mais de trinta anos de construção da democracia, a famigerada ditadura pudesse ser celebrada.

Mas isso parece ser menos espantoso quando avaliamos o quadro geral. No Brasil o desprezo pela educação é um velho conhecido. E, se a educação, de um modo geral, é depreciada, o conhecimento histórico é terra arrasada, sustentado por abnegados e idealistas. Afinal, a história não é a matéria preferida do mercado e as gratificações materiais não estão na linha de frente de quem a escolhe como profissão.

Em uma sociedade, entretanto, o desprezo pela história tem consequências graves, com preços altíssimos, até mesmo financeiramente, como, por exemplo, a escolha de governantes incompetentes e desastrosos.

Isso é uma coisa. É o pano de fundo, o contexto geral.

Outra coisa, que pode ajudar a entender porque o repúdio à ditadura militar não é óbvio e cristalino para todos os brasileiros, são as recentes as oportunidades perdidas de acertar as contas com o passado.

Refiro-me à já mencionada neste artigo, Comissão Nacional da Verdade.

Na prática, a Comissão se limitou a detalhar e registrar os episódios obscuros dos porões da ditadura. O coordenador da CNV, o jurista e professor de direito da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Dallari, disse em 2016, ao Jornal Estado de Minas que “O Estado brasileiro optou por não produzir consequências institucionais ao estudo que foi feito sobre tudo que se passou naquele período. Embora a lei determinasse que fossem feitas recomendações após as apurações, tanto o governo Dilma, quanto o atual governo de Temer [o texto é de 2016, quando Temer era presidente], escolheram não dar andamento”.

Ao contrário do que aconteceu no Brasil, em países como a Argentina e o Chile, que viveram sob ditaduras militares na mesma época, a restauração da democracia estimulou oficiais de alto escalão a se desculparem por erros do passado e abriu caminho para investigar e punir violações de direitos humanos.

Por aqui, a Comissão Nacional da Verdade, instalada por Dilma Rousseff em 2013, gerou grandes expectativas entre militantes de esquerda. Mas a ausência de julgamentos ou punições efetivas se tornou motivo frustração. A Comissão, enfim, produziu vasto material para estudo, mas sem consequências práticas. Hoje vemos que se perdeu uma grande oportunidade.

Desde as manifestações de junho de 2013 uma até então envergonhada extrema direita tem crescido assombrosamente.

Dos rincões do Brasil surgiu uma massa de eleitores direitistas, alheios às mazelas da história. Por descasos, pragmatismos, e imediatismos de toda a ordem, retrocedemos. Hoje lidamos com questões que pareciam superadas. Talvez, em anos passados, nem Jair Bolsonaro imaginasse que celebraria os 55 anos do golpe em grande estilo, pautando a sociedade com esta macabra efeméride.

Os descaminhos nos trouxeram, entretanto a este doloroso encontro como passado. Ou será destino?

Carolina Maria Ruy é jornalista e coordenadora do Centro de Memória Sindical

Últimas de Memória Sindical

Todas de Memória Sindical
NOTA: A agressão aos sindicalistas do Paraná é um brutal ataque aos direitos humanos
Força 5 FEV 2026

NOTA: A agressão aos sindicalistas do Paraná é um brutal ataque aos direitos humanos

Centrais destacam isenção do IR em informe no Estadão
Força 5 FEV 2026

Centrais destacam isenção do IR em informe no Estadão

Assembleia unitária na MWM celebra avanço no Imposto de Renda
Força 5 FEV 2026

Assembleia unitária na MWM celebra avanço no Imposto de Renda

Químicos da Força celebram isenção do IR e novas conquistas
Força 4 FEV 2026

Químicos da Força celebram isenção do IR e novas conquistas

Panfletagem ressalta conquista da isenção do IR
Força 4 FEV 2026

Panfletagem ressalta conquista da isenção do IR

Crise no setor químico pauta encontro de sindicalistas com Alckmin
Força 4 FEV 2026

Crise no setor químico pauta encontro de sindicalistas com Alckmin

Sindifícios lamenta falecimento de Áurea Boarin Ferrari
Força 4 FEV 2026

Sindifícios lamenta falecimento de Áurea Boarin Ferrari

Isenção do IR: vitória da luta sindical no bolso do trabalhador
Força 3 FEV 2026

Isenção do IR: vitória da luta sindical no bolso do trabalhador

Mulheres da Força defendem fim da violência e da escala 6×1
Força 3 FEV 2026

Mulheres da Força defendem fim da violência e da escala 6×1

Sindnapi firma parceria para ampliar proteção aos associados
Força 3 FEV 2026

Sindnapi firma parceria para ampliar proteção aos associados

Sindec fiscaliza o comércio no feriado de Navegantes em Porto Alegre
Força 3 FEV 2026

Sindec fiscaliza o comércio no feriado de Navegantes em Porto Alegre

Metalúrgicos SP destacam isenção do IR na Fritomaq
Força 3 FEV 2026

Metalúrgicos SP destacam isenção do IR na Fritomaq

Centrais celebram conquista da Isenção do IR em ato nesta quinta (5)
Força 3 FEV 2026

Centrais celebram conquista da Isenção do IR em ato nesta quinta (5)

FEQUIMFAR visita nova área de lazer dos Químicos de Sorocaba
Força 2 FEV 2026

FEQUIMFAR visita nova área de lazer dos Químicos de Sorocaba

Projeto Verão sem AIDS amplia prevenção e conscientização na Praia Grande
Força 2 FEV 2026

Projeto Verão sem AIDS amplia prevenção e conscientização na Praia Grande

Assembleia na JG explica isenção do IR e impacto salarial
Força 2 FEV 2026

Assembleia na JG explica isenção do IR e impacto salarial

Crise no polo de Cubatão leva indústria a negociar com Alckmin
Imprensa 2 FEV 2026

Crise no polo de Cubatão leva indústria a negociar com Alckmin

Vitória do movimento sindical!
Força 30 JAN 2026

Vitória do movimento sindical!

SinSaúdeSP, Cofen e Conatenf articulam apoio à PEC 19
Força 30 JAN 2026

SinSaúdeSP, Cofen e Conatenf articulam apoio à PEC 19

Boletim dos Metalúrgicos SP destaca isenção do IR até R$ 5 mil
Força 30 JAN 2026

Boletim dos Metalúrgicos SP destaca isenção do IR até R$ 5 mil

Sintepav-BA avança na Campanha Salarial 2026
Força 30 JAN 2026

Sintepav-BA avança na Campanha Salarial 2026

Metalúrgicos de Guarulhos fortalecem papel da Cipa
Força 30 JAN 2026

Metalúrgicos de Guarulhos fortalecem papel da Cipa

Projeto Verão sem AIDS começa sábado em Praia Grande
Força 30 JAN 2026

Projeto Verão sem AIDS começa sábado em Praia Grande

DIEESE: o que você ganha com a Isenção do Imposto de Renda
Força 29 JAN 2026

DIEESE: o que você ganha com a Isenção do Imposto de Renda

Servidores da Força preparam Encontro Nacional para abril
Força 29 JAN 2026

Servidores da Força preparam Encontro Nacional para abril

Isenção do IR até R$ 5 mil já impacta salários em janeiro
Força 29 JAN 2026

Isenção do IR até R$ 5 mil já impacta salários em janeiro

Trabalhadores e indústria defendem indústria química nacional
Força 29 JAN 2026

Trabalhadores e indústria defendem indústria química nacional

Sindnapi celebra o Dia Nacional do Aposentado com Café e Palestra
Força 29 JAN 2026

Sindnapi celebra o Dia Nacional do Aposentado com Café e Palestra

FEQUIMFAR planeja agenda sindical e desafios de 2026
Força 29 JAN 2026

FEQUIMFAR planeja agenda sindical e desafios de 2026

Manter os juros altos é uma irresponsabilidade social
Força 28 JAN 2026

Manter os juros altos é uma irresponsabilidade social

Aguarde! Carregando mais artigos...