Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
2 JUL 2026

Imagem do dia

Veja fotos 7ª Sessão Plenária (Anistia Coletiva) da Comissão de Anistia

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Memória Sindical

Violações à classe trabalhadora: conclusões da Comissão Nacional da Verdade

quarta-feira, 11 de março de 2015

Memória Sindical

Violações à classe trabalhadora: conclusões da Comissão Nacional da Verdade

memoriaCrédito: Roberto Parizotti
Representantes das Centrais Sindicais na entrega do relatório do GT dos Trabalhadores em dezembro de 2014

Entre 1946 e 1988 trabalhadores brasileiros foram vítimas de um sistema repressivo que visava instituir uma política econômica atrelada ao FMI.  Tal situação foi ainda mais grave durante o regime militar (1964 a 1985), período marcado por casos recorrentes de perseguição, arrocho salarial e violência contra os trabalhadores. Esta foi a conclusão central do Grupo de Trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que trata do movimento sindical, expressa no documento que integra o relatório final da Comissão.

Encerrada no dia 10 de dezembro de 2014, a Comissão produziu um relatório de mais de três mil páginas com informações sobre os órgãos e procedimentos de repressão, além de conexões internacionais. O documento, disponível online, está dividido em treze temas, além de conter considerações gerais sobre o período estudado pela Comissão – 1946 a 1988.

O capítulo que trata das violações sofridas pelos trabalhadores, elaborado pela representante da Comissão, Drª Rosa Cardoso, com a colaboração de representantes de dez Centrais Sindicais brasileiras, consiste no texto dois, do segundo volume do relatório.

A conclusão do texto é que, no período em questão, a classe trabalhadora e o movimento sindical foram os primeiros a ser atingidos pelos desmandos da ditadura. Importantes categorias, como metalúrgicos, petroleiros, têxteis, professores, gráficos, bancários, jornalistas, ferroviários, comerciários etc. foram atingidas.

Embora a repressão já ocorresse desde o governo de Eurico Gaspar Dutra (iniciado em 1946), e tenha permanecido até após a redemocratização brasileira, ela foi mais intensa durante o regime militar (1964 a 1985). No ano de 1964, após o golpe de 31 de março, a ditadura nomeou 409 interventores em sindicatos e 43 em federações. Estima-se que, entre 1964 e 1970, cerca de dez mil dirigentes sindicais foram cassados: “Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, por exemplo, foi estimado em 1.800 o número de delegados denunciados pelos interventores após o golpe” .

Com os militares no poder, ações do dia a dia sindical, como panfletagens, greves, comissões de fábricaCipas, tornaram-se muito arriscadas, levando, comumente, à demissões “por justa causa”, dificuldade de reinserção no mercado de trabalho e perseguição política. O cerceamento era tal que as entrevistas de empregos traziam perguntas como: “Que jornal você lê?”, “Você é sócio do Sindicato?” ou “Qual a sua religião?”.

E não apenas a liberdade de organização e de expressão dos trabalhadores foi infringida. Seus salários foram arrochados a partir de uma série de decretos anunciados após a promulgação da Lei 4.330, de julho de 1964, a “Lei Antigreve”. Tais medidas fizeram com que os salários não acompanhassem o aumento da inflação, nem o aumento da produtividade. Segundo o documento, o famigerado arrocho salarial foi o cerne do “modelo brasileiro de desenvolvimento da ditadura civil militar de 1964-1985” .

Episódios emblemáticos são apontados, como, por exemplo, a detenção de cerca de quinhentos presos políticos, sem processo legal (entre sargentos que se opuseram ao golpe, militares, civis, sindicalistas e jornalistas), no navio Raul Soares, em 1964, rebocado por ordem militar até um banco de areia na Ilha do Barnabé, na cidade de Santos, em São Paulo; as greves nos Sindicatos dos Metalúrgicos de Contagem (MG) e dos Metalúrgicos de Osasco (SP), ambas em 1968, reprimidas duramente e que resultaram em centenas de operários presos; e a greve do Sindicato dos Metalúrgicos de S.Paulo em 1979, na qual foram presos 346 trabalhadores, e que levou ao assassinato do metalúrgico Santo Dias.

Além disto, o documento registra o massacre no garimpo de Serra Pelada, em dezembro de 1987. Naquela ocasião, uma associação de empresas nacionais e estrangeiras investiram na expulsão dos populares do garimpo no Pará para ter o domínio da exploração dos minerais, resultando em um dos casos mais violentos do período estudado: “violências seriais perpetradas pela Polícia Militar do Estado, atingindo homens, mulheres e crianças, e resultando em um grande número de mortos e desaparecidos” .  

A repressão, executada de forma macabra e violenta, serviu para calar a oposição e desestimular o pensamento crítico. Seu propósito era dar fim aos movimentos sociais, partidos de esquerda e setores progressistas do País. Quanto a isto a ditadura brasileira conseguiu promover vinte anos de atraso, que prejudicaram todo o povo brasileiro.

*Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Cultura e Memória Sindical

Fonte: Carolina Maria Ruy*

Últimas de Memória Sindical

Todas de Memória Sindical
Acontecimento relevante
Artigos 16 JUL 2026

Acontecimento relevante

Brinquedos e Instrumentos musicais: luta é por aumento real
Força 15 JUL 2026

Brinquedos e Instrumentos musicais: luta é por aumento real

Metalúrgicos SP reforçam mobilização por direitos da categoria
Força 15 JUL 2026

Metalúrgicos SP reforçam mobilização por direitos da categoria

Centrais debatem PEC e agenda de interesse dos trabalhadores
Força 15 JUL 2026

Centrais debatem PEC e agenda de interesse dos trabalhadores

Centrais reforçam defesa dos trabalhadores no Fórum dos BRICS
Força 15 JUL 2026

Centrais reforçam defesa dos trabalhadores no Fórum dos BRICS

Sintracon-SP promove Domingo da Família com prêmios
Força 15 JUL 2026

Sintracon-SP promove Domingo da Família com prêmios

Sindnapi promove tradicional Bingo para associados dia 23
Força 15 JUL 2026

Sindnapi promove tradicional Bingo para associados dia 23

Paim espera aprovação do fim da escala 6×1 em agosto
Força 14 JUL 2026

Paim espera aprovação do fim da escala 6×1 em agosto

Metalúrgicos de Mococa fortalecem campanha pela jornada menor
Força 14 JUL 2026

Metalúrgicos de Mococa fortalecem campanha pela jornada menor

Varal Solidário leva agasalhos a famílias em Guarulhos
Força 14 JUL 2026

Varal Solidário leva agasalhos a famílias em Guarulhos

Fepospetro lamenta morte de um dos fundadores da categoria dos frentistas
Força 14 JUL 2026

Fepospetro lamenta morte de um dos fundadores da categoria dos frentistas

Decisão do STF limita avanço das folgas aos domingos
Força 14 JUL 2026

Decisão do STF limita avanço das folgas aos domingos

Trabalhadores da Enel SP aprovam novo Acordo Coletivo
Força 14 JUL 2026

Trabalhadores da Enel SP aprovam novo Acordo Coletivo

Força Mulher convoca mobilização pelo PL da Misoginia
Força 13 JUL 2026

Força Mulher convoca mobilização pelo PL da Misoginia

Dia da Luta Operária: com música e casa cheia, sindicalismo homenageia seus lutadores
Força 13 JUL 2026

Dia da Luta Operária: com música e casa cheia, sindicalismo homenageia seus lutadores

Sinpospetro RJ inicia ciclo sobre saúde mental e NR-1
Força 13 JUL 2026

Sinpospetro RJ inicia ciclo sobre saúde mental e NR-1

Sinpospetro RJ amplia parceria com o MTE por mais segurança
Força 13 JUL 2026

Sinpospetro RJ amplia parceria com o MTE por mais segurança

Sinthoresp, 93 anos de história
Força 13 JUL 2026

Sinthoresp, 93 anos de história

SinSaúdeSP garante acordo com a Prevent Sênior e amplia direitos dos trabalhadores
Força 13 JUL 2026

SinSaúdeSP garante acordo com a Prevent Sênior e amplia direitos dos trabalhadores

Sindnapi RS ensina idosos a evitar golpes virtuais
Força 13 JUL 2026

Sindnapi RS ensina idosos a evitar golpes virtuais

Sindec: 94 anos de união e lutas
Artigos 13 JUL 2026

Sindec: 94 anos de união e lutas

A fortaleza do sindicato
Artigos 13 JUL 2026

A fortaleza do sindicato

Saúde mental: responsabilidade de todos
Artigos 8 JUL 2026

Saúde mental: responsabilidade de todos

Você conhece seus direitos? Confira 5 benefícios garantidos às pessoas idosas no Brasil
Força 8 JUL 2026

Você conhece seus direitos? Confira 5 benefícios garantidos às pessoas idosas no Brasil

Dia da Luta Operária: acompanhe a transmissão ao vivo
Força 8 JUL 2026

Dia da Luta Operária: acompanhe a transmissão ao vivo

Trabalhadores do Biocor/Rede D’OR lutam por reajuste e benefícios
Força 7 JUL 2026

Trabalhadores do Biocor/Rede D’OR lutam por reajuste e benefícios

Força Sindical reúne Regional Recôncavo em Mutuípe
Força 7 JUL 2026

Força Sindical reúne Regional Recôncavo em Mutuípe

Sintrabor amplia cooperação sindical durante Congresso da UIL
Força 7 JUL 2026

Sintrabor amplia cooperação sindical durante Congresso da UIL

Enel apresenta proposta final e assembleia decide acordo
Força 6 JUL 2026

Enel apresenta proposta final e assembleia decide acordo

Sindnapi debate violência e direitos da pessoa idosa
Força 6 JUL 2026

Sindnapi debate violência e direitos da pessoa idosa

Aguarde! Carregando mais artigos...