Menu

Mapa do site

Emissão de boleto

Nacional São Paulo

Emissão de boleto

Nacional São Paulo
8 OUT 2025

Imagem do dia

Seminário Pré-COP30; FOTOS

Imagem do dia - Força Sindical

Enviar link da notícia por e-mail

Artigos

CLT na Era Digital

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Artigos

CLT na Era Digital

Por: Marcio Pochmann

Com a passagem para a Era Digital, sobretudo mal conduzida pelo receituário neoliberal desde os anos 1990, o ataque à economia nacional terminou por desmontar as bases nas quais se fundamentavam a sociedade urbana e industrial. De uma parte, a desindustrialização desarticulou o sistema produtivo e interrompeu o movimento geral de estruturação do mercado de trabalho, reduzindo tanto os postos intermediários de classe média quanto o próprio processo de proletarização urbana.

O aparecimento do inédito desemprego aberto transcorreu simultaneamente à perda de funcionalidade econômica de parte das ocupações informais (assalariadas e por conta própria), fazendo expandir a esfera da subsistência. A flexibilização da legislação social e trabalhista adotada desde os anos 1990 (contratos temporários, terceirizados, cooperativados, pejotização, microempreendedores individuais e outros) contribuiu para que parcela das ocupações se deslocasse para atividades vinculadas à prestação de serviços aos segmentos cada vez mais ricos da sociedade (segurança, limpeza e asseio, cuidadores de animais, entregadores variados, personal stylist, trainer, entre outros).

De outra parte, o país escolheu uma forma para adentrar a Era Digital – como consumidor, e não como produtor – que o fez repetir equivalente situação de ingresso rebaixado na Era Industrial ao longo do século 19. Isso porque, para poder consumir o que não produzia internamente à época, dependia da importação, cuja capacidade nacional de pagamento era definida pelo setor agroexportador.

Nos dias de hoje, o Brasil detém a sexta maior população do mundo, ocupa o posto de 13ª economia do planeta e responde pelo quarto maior mercado consumidor do mundo de bens e serviços digitais. Na condição de mero consumidor, o governo brasileiro leiloou o acesso à tecnologia 5 G como se fosse, por exemplo, ir ao supermercado comprar qualquer tipo de bem ou serviço, sem nenhuma preocupação, portanto, com as possibilidades de internalização do saber fazer, da infraestrutura, da formação de mão de obra, entre outras.

Ademais da aceleração da desigualdade na Era Digital, o país assiste passivamente ao esvaziamento crescente da soberania tecnológica e à dependência do mercado externo. Como o atendimento do mercado interno de bens e serviços provém de empresas estrangeiras e do comércio externo, o país deixa de produzir internamente, sendo o consumo externo financiado pela exportação de commodities.

As trocas desiguais, tratadas no passado pela versão cepalina da deterioração dos termos de trocas ou pela perspectiva do trabalhismo de Vargas como perdas internacionais, estão intensas. Numa espécie de neoextrativismo, o Brasil exporta em grande escala produtos de contido valor agregado para importar bens e serviços de elevado conteúdo tecnológico.

Concomitante à destruição dos antigos sujeitos da sociedade industrial (classe média assalariada e operariado com carteira assinada), emerge nova classe trabalhadora desagregada da tradicional relação salarial e, por consequência, dos direitos sociais e trabalhistas. Por um século, mais precisamente entre os anos 1889 e 1989, a relação salarial despontou como o principal mecanismo de transformação da antiga massa inorgânica herdada do agrarismo em proletariado urbano associada, sobretudo a partir da década de 1930, à identidade e pertencimento definido pelo acesso à carteira de trabalho enquanto passaporte à cidadania regulada.

Se em 1940, por exemplo, o país detinha somente 12,1% do total da força de trabalho com emprego assalariado e direitos sociais e trabalhistas, no ano de 1989 chegou a registrar 49,2% da População Economicamente Ativa (PEA) no assalariamento formal. Três décadas depois, em 2021, o Brasil registrou 41,1% do total da PEA submetida à relação salarial formal.

Em virtude disso, assiste-se à marcha da desproletarização no interior do mundo do trabalho, cuja relação débito-crédito tem-se fortalecido no país em plena condição de consumidor na Era Digital. Resumidamente, a relação débito-crédito expressa o financiamento do custo da vida individual ou familiar identificado como débito financeiro que, mesmo para aqueles vinculados à relação salarial, dependem do rendimento (crédito) pontualmente obtido da contrapartida do exercício de trabalhos gerais diversos. Em grande medida, a intermediação das plataformas digitais atende desde serviços profissionais (psicólogos, coach, telemedicina, cursos remotos, entre outros), passando pelos especializados (vendedor, entregador, youtuber, influencer e outros) até os mais simplificados (microtarefas variadas).

De forma dispersa geograficamente, o trabalho na Era Digital tem sido externalizado através da disponibilização da contratação de multidões de trabalhadores disponíveis (crowdwork), sem que horário e lugar sejam determinados previamente, permitindo crescentemente a sua realização em casa (teletrabalho). Sem regulação, a intensificação do trabalho tem sido brutal, pois lastreada em aplicativos decorrentes do curso da revolução informacional que aproxima o labor, muitas vezes, às ocupações já existentes, não fossem as novas ferramentas da digitalização.

A prevalência da forma hierárquica e rígida de atuação e organização, própria da antiga sociedade industrial, coincide com o esvaziamento da tradicional base social e dos filiados, impactando negativamente na capacidade de ação política, bem como na credibilidade e soberania tecnológica.

Realizada cinco anos antes da brasileira, a reforma trabalhista espanhola objetivou fundamentalmente flexibilizar mais a relação contratual, fracassando na elevação do nível do emprego. No Brasil, a reforma do governo Temer foi muito mais longe do que a desregulação da relação contratual, pois visou reduzir o custo laboral, como, por exemplo, na indústria, que diminuiu em 1/3 o custo total horário em comparação aos EUA.

O modelo brasileiro foi mais grave do que o modelo antilaboral espanhol, pois atacou o sindicalismo e bloqueou o acesso à justiça do trabalho para o conjunto da classe trabalhadora. Ademais da necessária reversão da “deforma de Temer”, cabe perfeitamente a construção democrática da nova Carta Nacional do Trabalho: a CLT contemporânea do trabalho em plena Era Digital.

Marcio Pochmann
economista e presidente do Instituto Lula

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora
Eusébio Pinto Neto

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador
Nilton Souza da Silva, o Neco

Consignado CLT: crédito fácil, juros abusivos e a falta de controle que penaliza o trabalhador

CONCLAT em movimento
João Guilherme Vargas Netto

CONCLAT em movimento

Sem memória não há democracia
André Gato

Sem memória não há democracia

Reduzir a jornada sem reduzir salários: um avanço necessário
Sérgio Luiz Leite, Serginho

Reduzir a jornada sem reduzir salários: um avanço necessário

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais
José Roberto da Cunha

A importância dos trabalhadores na indústria da fabricação do etanol e o papel estratégico das organizações sindicais laborais

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)
João Carlos Gonçalves, (Juruna)

Proteger os sindicatos é proteger o trabalhador; por João Carlos (Juruna)

Juntos somos fortes!
Gleberson Jales

Juntos somos fortes!

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)
César Augusto de Mello

Decisão final do STF sobre o Tema 935 (contribuição assistencial)

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir
Eduardo Annunciato, Chicão

Energia, Trabalho e Soberania: o Brasil que queremos construir

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz
Clemente Ganz Lúcio

Tarifaço, Empregos e a Resposta das Centrais Sindicais no Brasil; por Clemente Ganz

Dois anos sem João Inocentini
Milton Cavalo

Dois anos sem João Inocentini

Metalúrgicos em Ação
Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Metalúrgicos em Ação

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira
Marilane Oliveira Teixeira

Mercado de Trabalho: Avanços e Persistências; por Marilane Teixeira

Indústria forte é Brasil forte!
Cristina Helena Silva Gomes

Indústria forte é Brasil forte!

Se está na convenção, é lei
Paulo Ferrari

Se está na convenção, é lei

1º de Maio é nos Metalúrgicos SP com sorteios e premiações
1º de Maio 16 ABR 2026

1º de Maio é nos Metalúrgicos SP com sorteios e premiações

CSPB celebra avanço da negociação coletiva no setor público
Força 16 ABR 2026

CSPB celebra avanço da negociação coletiva no setor público

Miguel Torres agradece participação na marcha em Brasília
Força 16 ABR 2026

Miguel Torres agradece participação na marcha em Brasília

Fotos da Conclat 2026
Força 16 ABR 2026

Fotos da Conclat 2026

Miguel Torres defende jornada menor em encontro com Lula
Conclat 16 ABR 2026

Miguel Torres defende jornada menor em encontro com Lula

Lula recebe pauta das centrais após marcha em Brasília
Conclat 16 ABR 2026

Lula recebe pauta das centrais após marcha em Brasília

Centrais entregam pauta a Hugo Motta na Câmara
Força 15 ABR 2026

Centrais entregam pauta a Hugo Motta na Câmara

Centrais marcham à Praça dos Três Poderes após CONCLAT
Conclat 15 ABR 2026

Centrais marcham à Praça dos Três Poderes após CONCLAT

Miguel Torres destaca unidade em ato em Brasília
Conclat 15 ABR 2026

Miguel Torres destaca unidade em ato em Brasília

Milhares de trabalhadores fazem grande ato por direitos em Brasília
Conclat 15 ABR 2026

Milhares de trabalhadores fazem grande ato por direitos em Brasília

Flávio Dino recebe pauta jurídica das centrais sindicais
Conclat 15 ABR 2026

Flávio Dino recebe pauta jurídica das centrais sindicais

Centrais divulgam agenda jurídica no STF e TST
Conclat 14 ABR 2026

Centrais divulgam agenda jurídica no STF e TST

Confira a Pauta da Classe Trabalhadora
Conclat 14 ABR 2026

Confira a Pauta da Classe Trabalhadora

Centrais serão recebidas por Lula após Marcha no dia 15
Conclat 14 ABR 2026

Centrais serão recebidas por Lula após Marcha no dia 15

Confira as orientações para identificar os ônibus que irão à Brasília
Conclat 14 ABR 2026

Confira as orientações para identificar os ônibus que irão à Brasília

Excursão do Sindnapi reúne associados em Caraguatatuba
Força 14 ABR 2026

Excursão do Sindnapi reúne associados em Caraguatatuba

Etanol: trabalhadores aprovam pauta salarial 2026
Força 14 ABR 2026

Etanol: trabalhadores aprovam pauta salarial 2026

1º de Maio: Sindicato dos Metalúrgicos SP vai realizar evento
1º de Maio 14 ABR 2026

1º de Maio: Sindicato dos Metalúrgicos SP vai realizar evento

Frentistas são homenageados no Senado e reforçam luta por direitos
Força 14 ABR 2026

Frentistas são homenageados no Senado e reforçam luta por direitos

Jornal dos Eletricitários SP reforça luta contra caducidade no setor
Força 14 ABR 2026

Jornal dos Eletricitários SP reforça luta contra caducidade no setor

É amanhã! Marcha a Brasília mobiliza trabalhadores
Conclat 14 ABR 2026

É amanhã! Marcha a Brasília mobiliza trabalhadores

Força Sindical promove palestras no 28 de Abril
Força 13 ABR 2026

Força Sindical promove palestras no 28 de Abril

Metalúrgicos SP debatem Marcha, Conclat e agenda sindical 2026
Força 13 ABR 2026

Metalúrgicos SP debatem Marcha, Conclat e agenda sindical 2026

Faltam dois dias para Marcha a Brasília
Conclat 13 ABR 2026

Faltam dois dias para Marcha a Brasília

Centrais convocam Conclat 2026 e marcha em Brasília
Conclat 10 ABR 2026

Centrais convocam Conclat 2026 e marcha em Brasília

Certificação do Programa Manuel Querino reúne formandos
Força 10 ABR 2026

Certificação do Programa Manuel Querino reúne formandos

Sindicalistas debatem pauta sindical em Piracicaba
Força 10 ABR 2026

Sindicalistas debatem pauta sindical em Piracicaba

Marcha a Brasília entra na reta final de mobilização
Força 10 ABR 2026

Marcha a Brasília entra na reta final de mobilização

Juruna ressalta mobilização para 15 de abril em entrevista à TVT
Conclat 9 ABR 2026

Juruna ressalta mobilização para 15 de abril em entrevista à TVT

CONCLAT 2026 E MARCHA DA CLASSE TRABALHADORA
Conclat 9 ABR 2026

CONCLAT 2026 E MARCHA DA CLASSE TRABALHADORA

Aguarde! Carregando mais artigos...